Apesar dos inúmeros avanços no tratamento do câncer de mama, ainda há necessidades não atendidas pelos pacientes que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS). Um deles é sobre a recidiva do câncer. Atualmente, o tumor com receptor hormonal positivo e HER2 negativo (RH+/HER2-) é o subtipo mais frequente, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Embora, em geral, apresente uma evolução lenta e uma boa resposta ao tratamento, esse tipo de tumor pode voltar anos após o tratamento inicial. É nesse contexto que ganha importância a discussão sobre a incorporação do medicamento succinato de ribociclibe, que segue em discussão na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Até o dia 17 de agosto, qualquer pessoa pode participar e dizer se é favorável ou contrária à inclusão do medicamento no SUS (Saiba mais aqui). Como funciona o medicamento O medicamento é um inibidor do ciclo de multiplicação das células tumorais, com o objetivo de impedir o crescimento do câncer. Aprovado em julho de 2018 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o medicamento é indicado, em combinação com um inibidor de aromatase, para o tratamento de câncer de mama precoce em estágio II e III com RH+ e HER2-, com alto risco de recorrência. Atualmente, a terapia hormonal, com medicamentos como os inibidores de aromatase, é um dos pilares do tratamento dos tumores RH+. A possibilidade de associá-la ao ribociclibe amplia as estratégias disponíveis para pacientes que apresentam características associadas a maior risco de retorno do tumor. Segundo dados do estudo NATALEE, que avaliou o uso do medicamento nos pacientes elegíveis, o succinato de ribociclibe demonstrou redução de 28,4% no risco de recorrência da doença em comparação com a terapia endócrina isolada. O que diz a Conitec As evidências avaliadas pela Conitec indicam que o ribociclibe associado a um inibidor de aromatase apresentou benefícios clínicos semelhantes aos observados com o abemaciclibe associado à terapia hormonal, especialmente em relação ao tempo sem piora da doença e à ocorrência de metástases. A análise também apontou menor risco de diarreia e de redução das células de defesa do organismo, embora tenha sido observado maior risco de toxicidade no fígado. Outro aspecto relevante é o impacto orçamentário da possível incorporação para o SUS. Segundo a avaliação apresentada no relatório, a utilização do ribociclibe poderia representar economia de recursos públicos, com estimativa de redução de custos ao longo de cinco anos. Além da dimensão econômica, a discussão envolve a possibilidade de oferecer mais uma alternativa aos pacientes, permitindo que a escolha do tratamento considere características individuais, resposta, tolerabilidade e necessidades de cada pessoa. Contudo, apesar do cenário favorável, na apreciação inicial, a Conitec recomendou a não incorporação do succinato de ribociclibe ao SUS. A decisão, porém, é inicial e considera as incertezas identificadas nas evidências e nas análises econômicas. O próprio Comitê de Medicamentos reconheceu a relevância de ampliar as opções terapêuticas e destacou a necessidade de ajustes e informações adicionais para uma avaliação mais completa da tecnologia. Como participar da Consulta Pública Por isso, o tema continua em discussão e está aberto à participação da sociedade. A Consulta Pública nº 61 da Conitec recebe opiniões, sugestões, críticas e outras contribuições sobre a proposta de incorporação do ribociclibe ao SUS até o dia 17 de agosto de 2026. A participação da sociedade é fundamental para que diferentes perspectivas sejam consideradas antes da decisão final sobre a tecnologia. Acesse o link e participe: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/5169/ Referências: Crown J, Stroyakovskii D, Yardley DA, et al. Adjuvant Ribociclib Plus Nonsteroidal Aromatase Inhibitor Therapy in Patients With HR+/HER2− Early Breast Cancer: NATALEE 5-Year Outcomes. Presented at the European Society for Medical Oncology (ESMO) Congress; October 17-21, 2025; Berlin, Germany. BRASIL. Ministério da Saúde. Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC). Succinato de ribociclibe em associação aos inibidores de aromatase não esteroides (IANE) no tratamento adjuvante de pacientes adultos com câncer de mama inicial, receptor hormonal positivo, receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2 negativo (RH+/HER2-) linfonodo positivo (N+) e com alto risco de recorrência: relatório para sociedade nº 733. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2026/sociedade/relatorio-para-sociedade-ndeg-733-succinato-de-ribociclibe/@@display-file/file
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