Quando criança, eu sofria muito com dores de cabeça. Somente na vida adulta recebi o diagnóstico de enxaqueca crônica vestibular. Depois de passar por vários médicos e testar diferentes medicamentos, consegui controlar a doença.
Trabalhei por alguns anos em uma rede de supermercados e, a partir do momento em que comecei a usar botas de EPI, passei a sentir muitas dores e inchaços nos pés. Na época, não imaginei que pudesse ser algo mais sério, embora achasse estranho o inchaço e a dor aparecerem de forma repentina.
Em agosto de 2025, comecei a sentir dores no pescoço. Achei que tivesse dormido em uma posição ruim, mas a dor foi piorando, irradiando para a garganta. Eu ficava rouca sem motivo aparente e sentia um desconforto constante.
Sempre fui um pouco desajeitada, vivia tropeçando e batendo em móveis, mas isso nunca tinha sido um problema. Nesse período, bati levemente o dedo médio da mão na cama. Foi uma pancada muito fraca, mas o dedo inchou imediatamente e, em pouco tempo, eu já não conseguia fechar a mão.
Fui várias vezes à UPA. Recebia injeções e medicamentos para tomar em casa. Eles aliviavam a dor temporariamente, mas bastava fazer um pequeno esforço para tudo voltar.
Pouco depois, bati o segundo dedo do pé no sofá. No início, nem me lembrava da pancada. Como o inchaço e a dor eram muito intensos, acabei voltando à UPA. Foi quando fizeram um raio-X. O médico suspeitou de neuroma de Morton e solicitou uma ressonância magnética, mas eu teria que fazer o exame de forma particular, já que a UPA não realiza esse tipo de exame e o acesso ao ortopedista pelo SUS era muito difícil.
Consegui pagar uma consulta particular com um ortopedista, que descartou o neuroma de Morton e solicitou uma ultrassonografia. Esse exame acabou sendo a minha salvação. Em uma clínica-escola consegui realizá-lo gratuitamente. O resultado mostrou bursite no pé direito e fiz uma infiltração.
Em dezembro, quando voltei para infiltrar o pé esquerdo, a situação já era completamente diferente. Eu sentia dores no corpo inteiro. Pela manhã, mal conseguia sair da cama. Fazia bicos em uma feira, mas precisei parar porque simplesmente não suportava mais as dores. Eu estava desesperada. Já havia tomado inúmeros remédios, feito várias injeções e infiltrações, e nada resolvia.
Na consulta, a médica percebeu que havia muita inflamação no pé esquerdo e concluiu que não se tratava de bursite. Ela e outra médica fizeram um exame mais completo e me disseram: “Você tem um quadro que precisa ser investigado por um reumatologista. Procure atendimento com urgência.”
Foi aí que começou outra batalha: conseguir atendimento com um reumatologista pelo SUS. Não tenho plano de saúde nem condições de manter consultas particulares. Passei por vários hospitais e UPAs, sempre recebendo encaminhamentos para a UBS. As enfermeiras já conheciam minha situação e a médica da família classificou meu caso como urgente. Mesmo assim, a consulta com o reumatologista foi marcada para três meses depois. Minha pergunta era: como sobreviver à dor até lá?
No desespero, consegui consultar um reumatologista popular. Ele prescreveu diversos medicamentos manipulados. Eu gastava cerca de R$ 450 por mês durante o tratamento. Sem conseguir raciocinar de tanta dor, aceitei a conduta. O médico dizia que eu poderia seguir a vida normalmente, apenas respeitando meus limites. Achei que sentiria melhora em poucos dias, mas isso nunca aconteceu.
Meu corpo havia mudado completamente. Tudo doía. Um simples toque em um osso parecia desencadear mais inflamação. Eu me sentia desesperada, sem esperança de aliviar a dor. Ao mesmo tempo, não conseguia trabalhar, o dinheiro acabava e as despesas com consultas, exames e medicamentos só aumentavam.
Quando finalmente fui atendida pela reumatologista do SUS, ela explicou que as doses do corticoide e do imunossupressor estavam muito baixas. Nessa época, eu já havia perdido cerca de metade do cabelo. Ela ajustou parte do tratamento, mas a dor continuava intensa.
Novamente precisei recorrer a um médico particular, que prescreveu um opioide para tentar controlar as dores. Mesmo assim, não consigo lavar um prato sem sofrer. Sinto uma exaustão tão intensa que parece que meus ossos vão desmontar. Em muitos momentos, um sono extremo surge de repente e eu mal consigo manter os olhos abertos. Tenho vergonha, porque quem não conhece minha situação pode interpretar isso de forma equivocada.
Hoje não consigo colocar os pés no chão sem sentir dor. Um simples chinelo machuca. Meus pés não cabem em praticamente nenhum calçado. Também não consigo pentear os cabelos direito. Minha mente continua lúcida, ativa e saudável, mas meu corpo simplesmente não responde.
Cheguei a pedir um cartão emprestado para comprar um chinelo tipo “nuvem”, na esperança de conseguir caminhar com um pouco menos de dor.
Tenho procurado atendimento multidisciplinar, mas não encontro. Além das dores reumatológicas, continuo enfrentando crises de enxaqueca, com vertigens intensas, náuseas e muito desconforto gastrointestinal, apesar de todos os cuidados que tento manter.
Parei de procurar emprego. Quem contrataria uma pessoa que já chega demonstrando tanta dor e dificuldade para andar?
Também preciso de acompanhamento psicológico, porque chega um momento em que a mente não consegue mais lidar com tanto sofrimento. Estou tentando iniciar fisioterapia gratuita perto de casa, mas até mesmo pegar ônibus lotados se tornou uma verdadeira maratona.
As dores mais intensas são nos pés, nas mãos e nos punhos — justamente as partes do corpo que mais preciso para realizar as atividades mais simples do dia a dia. Também não consigo consultar um neurologista para controlar melhor as crises de enxaqueca e as vertigens.
É uma luta a cada segundo.
Sempre fui uma pessoa otimista, alegre e de alto astral. Mas, depois de tantos meses convivendo com dores constantes e limitações, fica muito difícil encontrar forças para enxergar o lado bom da vida.
Ainda assim, sou profundamente grata a Deus por tudo o que tenho. Porém, em alguns momentos, o desespero acaba tomando conta.
Meu nome é Veridiana Ferreira da Costa @veridianafdacosta, tenho 45 anos, convivo com o diagnóstico de artrite reumatoide e febre reumática há menos de um ano, sou cuidadora de idosos e moro em São Paulo, capital.
“Dor Compartilhada é Dor Diminuída”, entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!
É simples, preencha o formulário no link https://forms.gle/BdGhzv1pQj58MiVv9
Doe a sua história!❤
Descubra mais sobre Artrite Reumatóide
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.






























