Quando perdi 25 kilos ressignifiquei a minha vida

Minha jornada de 1 ano de cirurgia bariátrica

Era 25 de setembro de 2018, o dia em que tudo mudou. Foram meses e meses de planejamento, de medos absurdos, de incertezas mas também de certezas, a certeza de que eu precisava sair dos indicadores de péssimo prognóstico: obesidade e artrite reumatoide.

Pesquisas apontam que o risco cardiovascular é naturalmente ampliado em pacientes com artrite reumatoide, que em 10 anos de doença, até 60% dos pacientes podem desenvolver obesidade e até 50% deles podem desenvolver algum tipo de doença cardiovascular. Os estudos apontam ainda que o sedentarismo é 4 vezes maior em pacientes com artrite reumatoide. Eu estava dentro de todos esses prognósticos: colesterol elevado, IMC superior a 38, pré-diabética e claro, sedentária. Para mim era como, uma tragédia anunciada, era muito mais do que perder peso, era sobre conquistar saúde, longevidade e qualidade de vida.

E assim foi, realizei a cirurgia bariátrica com a técnica sleeve gástrico, no dia 25 de setembro de 2018, deixei de ser obesa, saí do IMC de 38.3 para 27, do número 48 para o 38, de todos os exames alterados para todos os exames controlados. A cirurgia me ajudou a emagrecer, me ajudou a ter ganhos incalculáveis na minha qualidade de vida.

Atingir o marco de 1 ano assim, leve, saudável e com uma nova consciência tanto corporal quanto emocional, gera o sentimento de vitória e de gratidão. Gratidão a minha irmã, Maraisa que foi a primeira a operar, pois se ela não morresse eu iria operar (era nosso acordo), ela foi e não morreu, seis meses depois eu operei e quando eu completei 6 meses, minha irmã caçula Beatriz operou, hoje somos 3 irmãs que juntas eliminamos mais de 70 kilos. E nessa jornada eu aprendi muitas coisas, entre elas:

Enfrentar o medo: eu tinha um medo avassalador de fazer a cirurgia bariátrica, pensar no dia da cirurgia me causava insônia. Hoje avalio que eu sofri mais tomando remédios para emagrecer durante 5 anos, do que no período da dieta do pós-operatório. Hoje mudei meu enfrentamento e penso, se tiver medo, vai com medo mesmo, mas sempre com prudência.

Dietas não são efetivas: o que é de fato efetivo são mudanças nos hábitos de vida, escolhas saudáveis são determinantes de qualidade de vida, eu escolhia errado, não respeitava o meu corpo e paguei com a obesidade.

Sedentarismo faz parte da falta de motivação: eu nunca tive aderência tão estável à prática de atividade física como tenho agora, isso foi motivado pelos resultados e necessidades visíveis no meu corpo.

Emagrecer também é triste: a flacidez causa desespero e para combatê-la somente com muita atividade física (meta atingida nos resultados). Olhar seu corpo caindo, despencando diante do espelho te causa verdadeiro desespero.

Aprendi que a dieta líquida, o famoso terror da bariática, não é tão terrível assim, foram 30 dias rápidos, sem sofrimento e sem fome. Nunca senti fome nos períodos de dieta restritivas. Voltar a comer é muito mais difícil do que ficar sem comer.

Aprendi que é estupidamente difícil comer fora de casa: conseguir um ovo cozido em um hotel após as 22 horas é artigo de luxo, acreditem, é muito complicado comer saudável em um mundo com consciência fast-food.

Nem tudo são flores, com 1 ano de operada eu tenho ferritina baixa, e hoje não tomo medicamentos diários para tratar a artrite reumatoide (uso biológico em monoterapia), mas diariamente tenho que tomar 4 tipos de vitaminas e isso é uma parte super chata da bariátrica, pois as vitaminas são gigantes e desconfortáveis de serem engolidas (e caras). Mas, como diz meu reumatologista “você sabia que iria precisar de vitaminas, logo não cabe reclamações” e isso é um fato. Um novo olhar, um novo cuidar e uma nova perspectiva de vida.

A obesidade é uma doença e precisa de ajuda médica para ser combatida. A cirurgia bariátrica nunca deve ser a primeira escolha, mas tratar a obesidade com suporte da equipe multiprofissional e do reumatologista é fundamental para o envelhecimento com qualidade de vida. Converse abertamente com o seu reumatologista.

Histórico:

  • Peso na data da cirurgia bariátrica – 25/09/2018: 92 k IMC: 38.3
  • Peso atual – 26/09/2019: 66 k IMC: 27
  • 12 meses: 25 K #Off
Gratidão ao meu reumatologista que compartilhou as decisões e me fez assumir a responsabilidade de se autocuidar.

 

Informações úteis:

  1. Precisamos falar, tratar e combater a obesidade, ela é uma das maiores inimigas da qualidade de vida das pessoas com doenças inflamatórias, como por exemplo a artrite reumatoide e diversas doenças reumáticas.
  2. A cirurgia bariátrica não é e nunca deve ser a primeira escolha para o emagrecimento, somente devemos pensar nessa alternativa depois de pelo menos 2 anos tentando emagrecer com acompanhamento médico, nutricional -reeducação alimentar e pratica de atividade física.
  3. A obesidade deve fazer parte da conversa e decisões compartilhadas com o reumatologista #sempre.
  4. Quando o reumatologista fala que “precisamos emagrecer”não é chatice, é cuidado + claro, odiamos com todas as forças ouvir isso, por isso, que tal, buscarmos a mudança.
  5. Segundo o Rol de cobertura obrigatória da ANS: os planos de saúde são obrigados a fornecer cobertura completa ao tratamento da cirurgia bariátrica para pessoas com obesidade e IMC acima de 35 e doenças crônicas, como a artrite, artrose, diabetes, hipertensão e depressão, doenças bastante comuns que são agravadas pela obesidade.
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