Medicamento, efeito colateral, expectativa e medo!

"Eu tenho medos bobos e coragens absurdas" (Clarice Lispector)

A nossa vida muda quando convivemos com AR, com uma grande frequência vivemos períodos de vai e vem, a doença tem por características a manifestação por períodos de crises, busca do controle, às vezes remissão e muitas vezes crises de novo. Com cada nova crise, uma mudança no tratamento médico, um novo medicamento. Desde que eu tive a primeira hepatite medicamentosa em 2010, nasceu em mim o medo de novos medicamentos.

Durante 2 anos, eu sofri o medo de tomar a Isoniazida (o medicamento profilático da tuberculose), e há 4 meses, estou tomando a Isoniazida, as primeiras doses, apresentei tantos efeitos colaterais que me fizeram pensar em desistir, mas, como já não podia mais adiar o tratamento profilático da TB, eu persisti e continuei a tomar, com 1 mês de tratamento já não sentia tantas coisas estranhas e agora só falta 20 dias para terminar de tomar o medicamento que me fez suar de medo de morrer de hepatite, durante esse tempo eu não tive uma única alteração das enzimas hepáticas. O risco existia, por ser a isoniazida um medicamento hepatotóxico, porém, eu acredito que o meu medo influenciou em 100% a intensidade dos efeitos colaterais.

Estou prestes a iniciar um novo medicamento biológico, dessa vez, farei uso de Rituximabe (Mabthera) que é um medicamento de uso hospitalar/ambulatorial, feito na veia, como se fosse um soro, é aplicado em um centro de infusão e novamente bate aquele medo “como será?”, por ser um medicamento infundido direto na veia, o efeito colateral com certeza é mais rápido também. Nessas horas, o que nos ajuda é o contato direto com outros pacientes que fazem uso do mesmo medicamento e isso encontramos com facilidade no Grupo EncontrAR. Falta apenas 04 dias para a minha primeira infusão, farei dois ciclos, o segundo 15 dias após o primeiro, com previsão de repetir após 06 meses ou quando for necessário.

O medicamento que vou fazer uso, é fornecido no Brasil pelo SUS e pelos Planos de Saúde, sou usuária SUS, o meu pedido na farmácia de alto custo demorou apenas 07 dias para ser aprovado, não tive dificuldade de acesso. Agendei a infusão por telefone, fiz o cadastro no programa de relacionamento do laboratório, recebi todas as orientações do meu reumatologista e vamos lá, 04 dias para começar a colocar essa AR para dormir e claro, 04 dias para pensar, pensar que isso não pode ser pior que a degeneração e deformação da AR ou o inferno de tomar vários comprimidos de Isoniazida todos os dias. E claro, contando os minutos para se livrar da atual 15 mg de corticóide.
#AdeusCorticoide #Remissão_2014 #QualidadeDeVida

  1. Há um ano + ou -, fiz o tratamento com Mabthera e estava morrendo de medo pelo que ele pode provocar . Fui como o touro para o abatedouro mas, graças a Deus, nada aconteceu. Fiz as duas infusões e tudo correu maravilhosamente bem. Agora vou fazer de novo e confesso que estou com medo mas tenho que ter Fé e seguir firme.

    1. Priscila Torres Diz

      Fátima, eu já fiz quatro ciclos (2 anos), e confesso toda infusão eu vou morrendo de medo, pois eu passei mal na primeira vez, mas da segunda em diante om medicamento pré-infusionais anti-alérgicos as infusões aconteceram sem intercorrência. É uma situação que temos que ser submetidas, precisamos disso para conviver em harmonia com a AR. Super forças para sua infusão!! Vai ser tranquila. Abraços
      Pri

  2. Jane Oliveira Diz

    Boa noite guerreiras! Ontem completei meu terceiro ciclo de Mabthera, só tive um pequeno problema na primeira, com o acréscimo de antialergico não tive mais problemas. Tenho a síndrome Anti Sintetase, uma doença de sobreposição do Lúpus. É difícil, fiz seis sessões com Ciclofosfamida que não tiveram resultado. O Mabthera não tem efeitos colaterais e tem me dado melhor qualidade de vida. Força meninas!

    1. Priscila Torres Diz

      Que ótima noticia! Que continue assim por muito tempo!

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