A Sociedade Internacional para Avaliação da Espondiloartrite (ASAS) e a Rede de Pesquisa e Tratamento em Espondiloartrite (SPARTAN) atualizaram seus principais critérios de classificação para a espondiloartrite axial (axSpA). A EULAR – Aliança Europeia das Associações de Reumatologia – também revisou recentemente suas recomendações sobre o papel dos exames de imagem no diagnóstico e no manejo clínico da espondiloartrite (SpA). Ambas as atualizações foram apresentadas no Congresso Anual da EULAR 2026, em Londres.
Os critérios de classificação ASAS atualmente utilizados para axSpA foram desenvolvidos em 2009 e, apesar de sua aceitação mundial, apresentam baixa especificidade. Como a dor lombar é um sintoma comum, uma maior especificidade seria útil. Nesse contexto, a ASAS e a SPARTAN decidiram atualizar os critérios de 2009, com base em uma abordagem orientada por dados por meio do grande estudo internacional CLASSIC. No total, 1.015 pacientes encaminhados a um reumatologista com dor lombar não diagnosticada sugestiva de axSpA foram avaliados, e critérios clínicos, biológicos e de imagem, bem como suas combinações, foram comparados ao padrão-ouro: o diagnóstico do reumatologista para axSpA.
A ressonância magnética das articulações sacroilíacas (ASI), indicativa de axSpA pela avaliação tanto de lesões inflamatórias quanto estruturais, apresentou a associação mais forte com o diagnóstico de axSpA. HLA-B27 elevado, proteína C reativa (PCR) elevada e diversos critérios clínicos, incluindo dor lombar inflamatória, doença inflamatória intestinal, uveíte anterior aguda, entesite do calcâneo e psoríase, também foram incluídos nos critérios revisados. A proposta final alcançou sensibilidade de 79,5% e especificidade de 90,4% no conjunto de validação.
Apresentando o trabalho, Walter Maksymowych afirmou:
“Os critérios revisados de classificação ASAS–SPARTAN para axSpA enfatizam o papel central dos exames de imagem e incorporam um conjunto mais focado de variáveis clínicas em comparação com os critérios ASAS de 2009.”
Outra atualização importante foi apresentada em um pôster por Peter Mandl e colaboradores, atualizando as recomendações originais baseadas em evidências da EULAR sobre o uso de exames de imagem no diagnóstico e no manejo clínico tanto da espondiloartrite axial quanto da periférica. Doze questões de pesquisa relacionadas ao papel dos exames de imagem – formuladas nas recomendações de 2015 utilizando a metodologia PICO³ – foram adotadas para a atualização. As modalidades de imagem incluíram radiografia, ultrassonografia, ressonância magnética (RM), tomografia computadorizada (TC), tomografia por emissão de pósitrons e tomografia computadorizada por emissão de fóton único (PET, SPECT), absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA) e cintilografia. O grupo de trabalho formulou três novos princípios gerais. Também houve uma nova recomendação e atualizações em nove das recomendações originais.
As principais mudanças incluem a substituição da radiografia pela ressonância magnética das articulações sacroilíacas – e da coluna vertebral, em caso de sintomas nessa região – como o primeiro exame de imagem para o diagnóstico da axSpA. Radiografia ou, preferencialmente, tomografia computadorizada de baixa dose, que não eram mencionadas nas recomendações anteriores para fins diagnósticos, passam agora a ser sugeridas como modalidades alternativas para a articulação sacroilíaca quando a RM não estiver disponível ou for contraindicada. Para o monitoramento da axSpA, a RM pode ser utilizada para acompanhar inflamação e danos estruturais nas articulações sacroilíacas e na coluna vertebral, enquanto a radiografia é adequada para o monitoramento de longo prazo dos danos estruturais da coluna.
Para o diagnóstico da espondiloartrite periférica (SpA periférica), a ultrassonografia ou a ressonância magnética continuam sendo os métodos de escolha e, além das lesões inflamatórias, as alterações estruturais também devem agora ser consideradas. Ultrassonografia e RM passam igualmente a ser recomendadas para monitorar danos estruturais na SpA periférica, juntamente com a radiografia.
Fonte
Maksymowych WP, et al. The 2025 Assessment of SpondyloArthritis International Society (ASAS) and Spondyloarthritis Research and Treatment Network (SPARTAN) Revised Classification Criteria for Axial Spondyloarthritis: Development and Validation in the Classification of AxSpA Inception Cohort Study. Apresentado na EULAR 2026; OP0236. Ann Rheum Dis 2026; DOI: 10.1136/annrheumdis-2026-eular.B.3196.
Mandl P, et al. EULAR recommendations for the use of imaging in the diagnosis and management of spondyloarthritis in clinical practice – 2025 update. Apresentado na EULAR 2026; POS0682. Ann Rheum Dis 2026; DOI: 10.1136/annrheumdis-2026-eular.B.2205.
Referências
- Rudwaleit M, et al. The development of Assessment of SpondyloArthritis International Society classification criteria for axial spondyloarthritis (part II): validation and final selection. Ann Rheum Dis 2009;68(6):777–83. DOI: 10.1136/ard.2009.108233.
- Maksymowych WP, et al. The Assessments in Spondyloarthritis International Society (ASAS) and Spondyloarthritis Research and Treatment Network (SPARTAN) Revised Classification Criteria for Axial Spondyloarthritis: Development and Validation in the Classification of Axial SpA Inception Cohort Study. Apresentado no ACR 2024; Resumo 0854. Arthritis Rheumatol 2024;76(9):0820.
- Mandl P, et al. European League Against Rheumatism (EULAR). EULAR recommendations for the use of imaging in the diagnosis and management of spondyloarthritis in clinical practice. Ann Rheum Dis 2015;74(7):1327–39. DOI: 10.1136/annrheumdis-2014-206971.
Sobre a EULAR
A EULAR é a organização europeia que reúne sociedades científicas, associações de profissionais de saúde e organizações de pessoas com doenças reumáticas e musculoesqueléticas. Seu objetivo é reduzir o impacto dessas doenças na vida das pessoas e na sociedade, além de promover melhorias no tratamento, prevenção e reabilitação. A entidade fomenta a excelência em educação e pesquisa em reumatologia, promove a aplicação dos avanços científicos na prática clínica e defende o reconhecimento das necessidades das pessoas que convivem com doenças reumáticas e musculoesqueléticas junto às instituições da União Europeia.
Fonte: EULAR Press Release
*Cobertura de imprensa de EULAR 2026, realizado pela jornalista, Priscila Torres com incentivo social da Abbvie do Brasil.
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