A ‘extravagância’ de trabalhar doente: o corpo no trabalho em indivíduos com diagnóstico de ler/dort

À organização do trabalho que ignora os limites do corpo e as singularidades dos trabalhadores.

Dentre as doenças do trabalho mais prevalentes estão as lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, as quais relacionam-se diretamente à organização do trabalho que ignora os limites do corpo e as singularidades dos trabalhadores.

O objetivo deste artigo foi investigar os significados do corpo no trabalho em indivíduos com esse tipo de lesão/distúrbio. Para alcançar o objetivo proposto, fez-se um estudo de caso com abordagem qualitativa, a qual está embasada na teoria sócio-histórica da psicologia.

Utilizaram-se entrevistas abertas individuais para coleta de dados, realizadas com nove participantes, os quais tinham diagnóstico de lesões por esforços repetitivos/distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho e eram acompanhados no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador de Botucatu (São Paulo).

A análise dos dados revelou três núcleos de significação: necessidade de trabalhar — o corpo em movimento; submissão do corpo — falta de autonomia/poder; e corpo impedido — ‘eu travei, eu parei minha vida’.

Com base nesses núcleos foram identificados os significados e os elementos explicativos. O presenteísmo destacou-se entre os significados encontrados. A expressão que melhor define todo o processo saúde-doença dos participantes é ‘a extravagância de trabalhar doente’, e o produto deste é um futuro incerto.

Referências

Dale A, et al, A ‘Extravagância’ de trabalhar doente: o corpo no trabalho em indivíduos com diagnóstico de ler/dort. Trab. educ. saúde vol.16 no.1 Rio de Janeiro Jan./Apr. 2018

Fonte: Medscape

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