Cientistas descobrem planta chinesa que ajuda no combate à osteoporose

Em experimento com ratos, composto da Salvia miltiorrhiza aumentou a densidade mineral óssea em 35%. Segundo pesquisadores canadenses, a substância também chama a atenção pela redução dos efeitos colaterais

Há mais de 2 mil anos, o danshen é usado como tônico cardíaco e anticoagulante, principalmente por orientais. A substância é retirada da raiz da Salvia miltiorrhiza, conhecida no Brasil como sálvia chinesa. Um estudo canadense traz outro potencial terapêutico para a erva tradicional: ela poderá se tornar elemento-chave para tratamentos mais eficazes de prevenção da osteoporose, uma complicação óssea que, só no Brasil, acomete mais de 10 milhões de pessoas, segundo a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (Abrasso).

Pesquisadores da Universidade de Colúmbia Britânica usaram o composto derivado da sálvia chinesa para bloquear a enzima catepsina-K (Catk), que exerce papel fundamental na degradação do colágeno do osso durante a osteoporose. Interferir na ação da Catk é um desafio encarado por diversos grupos de pesquisadores nos últimos anos. O que chama a atenção do trabalho canadense, segundo os autores, é a possibilidade de fazer essa intervenção reduzindo os efeitos colaterais detectados em outros experimentos.
“Todos os ensaios clínicos até o momento falharam devido a efeitos colaterais, como acidente vascular cerebral, fibrose da pele e problemas cardiovasculares. Descobrimos uma maneira de bloquear CatK apenas no tecido ósseo. Pensamos que isso evitará esses outros efeitos negativos”, ressalta, em comunicado, Dieter Brömme, pesquisador na área de proteases e doenças da universidade e participante do estudo, publicado na última edição do Journal of Bone and Mineral Research.

Inicialmente, Dieter Brömme e colegas testaram o composto em células ósseas humanas e de ratos e obtiveram resultados animadores. Depois, fizeram um experimento usando camundongos com células humanas e detectaram que a substância não só impediu a perda óssea nas cobaias, como aumentou a densidade mineral óssea em 35%, quando comparadas ao grupo de controle.

Ação seletiva

Bloqueadores de enzima funcionam seguindo a um mecanismo de chave e fechadura. No caso da osteoporose, a maioria das drogas em desenvolvimento atua como chave mestra, bloqueando toda a ação da catepsina-K. Os mecanismos relevantes para a prevenção da doença, como a degradação do colágeno, cessam, mas o preço pode ser alto para o paciente.

“A CatK é uma enzima multifuncional, com papéis importantes em outras partes do corpo. Pensamos que o bloqueio total é o que causa efeitos colaterais inesperados em outras drogas”, diz Preety Panwar, um associado de pesquisa no laboratório Brömme. “Nosso composto apenas bloqueia a atividade de CatK de degradação de colágeno, impedindo a quebra não regulamentada de colágeno nos ossos sem quaisquer outros impactos negativos.”

O tratamento básico para a osteoporose tem como principal objetivo aumentar a densidade óssea do paciente. Os bifosfonatos são as drogas mais prescritas e indicadas para as demais doenças ósseas crônicas. Por isso também, a equipe acredita que, confirmados os efeitos em novas etapas da pesquisa, o tratamento com o composto derivado da tradicional erva chinesa poderá ser usado para tratar uma variedade de doenças do osso e da cartilagem, como artrite e certos tipos de câncer.
Preocupação mundial

Especialistas alertam que a osteoporose tem potencial para virar um grande problema de saúde mundial. A Fundação Internacional de Osteoporose (IOF) estima que, globalmente, ocorra uma fratura osteoporótica a cada três segundos. A partir dos 50 anos de idade, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens sofrerão esse tipo de fratura até o fim da vida. E a tendência é de a complicação se agravar, já que haverá recorrência da fratura em cerca de metade desses indivíduos.

Fonte: Correio Braziliense

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