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Avaliar a jornada do paciente reumático é fundamental para atingir a remissão

Reumatologista apresenta resultados de pesquisa que analisou aspectos importantes para bons resultados dos pacientes

A Dra. Bruna Chu, reumatologista e professora da Universidade Positivo, localizada em Curitiba, no Paraná, esteve presente para falar a respeito da jornada do paciente reumatológico no Brasil. Esse foi o tema de uma pesquisa realizada por ela e sua equipe da universidade, em parceria com as associações de pacientes: Grupo EncontrAR, Grupar-RP, Grupasp, Superando o Lúpus, Garce, Farmale, Compartilhando a AR, Grupaes, Recomeçar, Abrapes e A Menina e o Lúpus. 

“O que é uma jornada? É um trajeto a ser percorrido, mas é também superar  obstáculos. E a jornada do paciente com artrite reumatoide começa nos primeiros sintomas, nas primeiras dores, nas primeiras dificuldades. A dificuldade de conseguir um diagnóstico, de conseguir o tratamento. Tanto o tratamento farmacológico quanto o tratamento não farmacológico…Mas o paciente não precisa passar por isso sozinho”, reforça a Dra. Chu.   

De olho nisso, o objetivo do estudo foi o de verificar o cumprimento das novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia, publicadas em 2017. O documento define que os pacientes reumatológicos devem ser acompanhados por uma equipe multidisciplinar, liderada pelo reumatologista, mas composta por outros profissionais importantes como o fisioterapeuta, o psicólogo, o terapeuta ocupacional e o nutricionista. Além disso, há também a recomendação de que o tratamento seja realizado de forma compartilhada entre o médico e o paciente. Para isso, o reumatologista precisará fornecer a informação de forma clara ao paciente e explicar todas as opções disponíveis de tratamento. 

Para a realização da pesquisa, o projeto primeiro passou pelo comitê de ética da Universidade Positivo e após a aprovação foram elaboradas questões  disponibilizadas online por quatro meses, no ano de 2018. As perguntas abordavam os dados demográficos, as características das doenças, os tratamentos, se os pacientes saíam das consultas com dúvidas e se os médicos tinham uma linguagem acessível. A reumatologista contou que a pesquisa foi respondida por duas mil pessoas, sendo que 991 eram portadores de artrite reumatoide, dos quais  94% eram mulheres e somente 5% homens. A idade média dos participantes foi de 46 anos e o maior número de respostas estava localizado na região Sudeste do país. 

Dados da pesquisa da  jornada do paciente indicam que apenas 37, 4% dos pacientes realizam algum tipo de tratamento multidisciplinar

Foram analisados os âmbitos do tratamento multidisciplinar, à adesão à fisioterapia, à terapia ocupacional e à psicoterapia. Além do tempo médio para o recebimento do diagnóstico, a renda familiar dos pacientes e também a forma como eles recebiam o tratamento, se pelo SUS ou pelo setor de saúde privado. 

Os resultados mostraram que quanto ao tratamento multidisciplinar, 37,4% dos que responderam à pesquisa informaram que fazem pelo menos uma modalidade, sendo a mais frequente entre elas a fisioterapia, com 22,3%, seguida pela psicoterapia, 15,8% e a menos procurada foi a terapia ocupacional, 11,3%. 

Já quanto a média de tempo para o diagnóstico, os pacientes da pesquisa levaram em média 2,7 anos para ter o diagnóstico, embora uma parcela conseguiu descobrir a doença no primeiro ano e outra, bem significativa, levou mais de 10 anos para conseguir o diagnóstico de artrite reumatoide. Sobre a renda familiar foi verificado que a maioria dos pacientes se concentra na faixa de menos de dois salários mínimos por mês. A respeito do sistema de saúde, o grupo que não fazia tratamento multidisciplinar era maior entre os usuários exclusivos do SUS.  

Outro ponto analisado na pesquisa dizia respeito às dúvidas dos pacientes pós consultas e sobre a linguagem utilizada pelos médicos para explicar a doença e as opções de tratamento. O resultado foi que uma proporção maior de pacientes sem tratamento multidisciplinar saíam com dúvidas das consultas em comparação aos que faziam tratamento multidisciplinar. E sobre a linguagem médica acessível a conclusão foi a mesma: ela foi mais relatada pelos pacientes que faziam tratamento multidisciplinar.

Para a Dra. Bruna Chu a pesquisa mostra que embora o tratamento multidisciplinar seja recomendado nas novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Reumatologia, menos da metade dos que responderam ao questionário está tendo esse atendimento e que existem possíveis fatores associados para que isso ocorra. Um deles está relacionado aos recursos, tanto do paciente quanto do serviço de assistência. Assim como a disseminação da informação também tem relevância. 

Se o paciente esclarece suas dúvidas durante a consulta e se o médico tem uma linguagem mais acessível a adesão ao tratamento multidisciplinar tende a ser maior. “O nosso objetivo sim, deve ser a remissão, mas você tem que ver qual é a jornada do seu paciente para o objetivo final ser o bem estar dele”, concluiu a reumatologista.

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