Depoimentos

Acreditem no poder da ressignificação!

Meus primeiros sintomas vieram aos 12 anos. A princípio, nada muito assustador, apenas um pequeno inchaço nos joelhos. Em poucas semanas o inchaço progrediu e se estendeu a algumas outras articulações, até que comecei a sentir dificuldades para caminhar. Então, minha família me levou ao médico e, após alguns exames, tive o diagnóstico de “reumatismo leve”. O pediatra receitou injeções de Benzetacil e retornei para casa.

Entretanto, meus pais resolveram ter uma outra opinião médica antes de começar a medicação. Sou de cidade do interior, na época existia apenas uma médica reumatologista na região e, mesmo assim, ficava em uma cidade relativamente distante da casa dos meus pais. Não tenho muitas recordações sobre como a doença progrediu, pois aconteceu de forma tão rápida que para assimilar foi difícil, lembro de me deitar e acordar no dia seguinte sem conseguir esticar os dedos, já com deformidades nas mãos.

Procuramos, então, essa única reumatologista da região. Na consulta, ela me diagnosticou com Artrite Reumatoide. Fez uma pesquisa no Google de articulações extremamente deformadas, me expôs e disse claramente que eu ficaria daquela forma. Começou, ainda, a chorar, disse que iria me apresentar a um grupo de apoio e que se eu chegasse a idade adulta, nunca poderia ter filhos. Fez meus pais assinarem um termo de compromisso para que eu começasse logo uma medicação no hospital, me deu duas injeções no joelho e me mandou voltar em 1 mês. Eu nunca mais voltei.

Cheguei em casa traumatizada, uma criança de 13 anos, ouvir de uma médica em prantos que não poderia chegar a idade adulta foi uma grande quebra de expectativas, sendo modesta kkk. Bom, a partir daí, procuramos outros médicos, fiz uso de Metotrexato, sem resultados. Busquei outras terapias. Porém, a doença progrediu muito rápido. Cheguei a pesar 29kg aos 16 anos, tive deformidades em várias articulações, especialmente nas mãos. Sentia dores horríveis e, por vezes, não conseguia mexer um dedo, literalmente. Tive sequelas oftalmológicas decorrentes de uma uveíte que me custaram a visão do olho esquerdo.

Fiquei durante 3 anos dependendo exclusivamente da minha família (em casa) e dos amigos (na escola), para realizar todas as atividades, incluindo tomar banho, vestir roupas e demais atividades de cuidado diário. Minha maior motivação nesse tempo era a escola, sempre gostei de estudar, de ver os amigos, de ser proativa. Então, mesmo com as dores eu nunca quis parar. No lugar dos cadernos eu levava uma almofada na bolsa para colocar sobre a cadeira e me sentar, pois estava muito magra e não conseguia me manter sentada sem que não sentisse dor. Diversas vezes tive que ir pra casa por não conseguir permanecer na escola devido às dores.

Minha família mora na fazenda, então o deslocamento até a escola era através de ônibus e precisava sempre que alguém me colocasse nele, porque eu não conseguia subir ou descer os degraus e nem me sentar sozinha. Meu Ensino Médio foi marcado por muita dor, mas também por muita esperança. Em 2016, eu finalmente comecei a me restabelecer. Encontrei bons médicos, tive o diagnóstico de Artrite Idiopática Juvenil, acertei nos medicamentos, ganhei alguns kgs e muita inspiração, já havia me formado na escola e já tinha decidido qual curso fazer.

Bom, não poderia ser outra coisa que não medicina, né? O desejo de poder fazer diferente para outras pessoas me pertencia. Mas, em 2017 eu passei para o curso de Farmácia na minha Universidade dos sonhos. Com o apoio da minha família e com minha saúde em melhores condições, voei. Fui morar sozinha em outra cidade, fazer faculdade e finalmente ter uma vida normal. Conheci muitas pessoas incríveis nesse período e que sempre estiveram ao meu lado. Me apaixonei 🙃, mas ainda não me dei por satisfeita…

Hoje, tenho 22 anos, estou terminando o segundo ano de Medicina na ufrgs – uma das minhas novas faculdades favoritas -, moro sozinha, em outro Estado. Faço minhas medicações regularmente – virei melhor amiga das agulhas – atualmente em uso de Infliximabe e Metotrexato (é, de novo ele e que ainda me trás alguns enjoos por sinal 🤪).

Sou muito, mas muito, grata pela vida e por redescobrir a minha força a cada dia. Grata por desde tão nova ter aprendido a lutar as minhas batalhas e continuar lutando dia após dia. Grata por saber carregar meus sonhos, que sempre me guiaram e sempre vão me guiar. Acredito que tenho uma missão e a artrite foi uma bússola para que eu a encontrasse e ressignificasse.

Sejam fortes e acreditem no quanto vocês podem superar. Não é um processo linear e por isso é importante compreender que é normal nem sempre estar bem. Mas nunca desistam!

Meu nome é Mayra, tenho 22 anos, convivo com a Artrite reumatoide a 10 anos, sou estudante de medicina e moro em Porto Alegre – RS.

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