Vitiligo: doença não contagiosa costuma levar pacientes a problemas de auto-estima

Quem convive com uma doença chamada vitiligo pode criar esperanças. É que há novas drogas em estudo que podem freá-la ou revertê-la. São remédios de uso tópico ou oral, ainda sem nome comercial, estudados por terem ações contra outras moléstias, como a artrite reumatoide, mas que também podem trazer benefícios à pele.

O vitiligo não é um mal grave nem contagioso, apenas genético. É somente a ineficiência dos melanócitos, os mecanismos microscópicos sob a pele responsáveis por produzir melanina (o que dá a cor branca, negra, amarela, parda). Quando os melanócitos param por serem atacados pelo sistema de defesa do próprio corpo, a pele perde a cor natural em alguns pedaços, sem uniformidade, e se transforma a aparência da pessoa.

O problema é que alguns pacientes, ao perceberem a despigmentação, não se sentem bem com a própria imagem, o que pode desencadear transtornos psicológicos. Essas manchas podem aparecer em qualquer região do corpo – afetando muitas vezes a autoestima e, por causa do nervosismo, tristeza e outras situações de estresse, aumentando ainda a velocidade da perda da pigmentação.

ANTI-JAK 

Caio Cesar Silva de Castro, médico dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), está a frente de um Congresso que deve ocorrer em outubro sobre o assunto. Ele adianta que as medicações novas são de uma classe de remédios chamada anti-JAK.

Como a parada dos melanócitos se dá por problemas autoimunes – ou seja, é o corpo atacando esses melanomas –, a nova droga age bloqueando a produção de uma substância responsável por agredir os melanócitos.

“Essas substâncias estão em testes nos Estados Unidos e dependem de aprovação da Agência Europeia. Ainda não se sabe preço ou quando os medicamentos serão liberados no Brasil, mas acredito que aconteça em cerca de cinco anos”, diz o especialista.

Tratamento hoje

Atualmente, quem descobre e percebe um ataque recorrente do vitiligo trata o avanço da doença com corticoides por via oral ou localizada. Mas há tratamento com fototerapia, ou seja, luz. Com a ajuda de pomadas e da tecnologia, é a luz que ativa a pigmentação da pele, desacelerando a perda ou uniformizando as manchas.

Segundo Caio Castro, há medicações em testes para aumentar a produção de melanina juntamente com a fototerapia. “Há uns cinco anos não tinha quase nada para tratar isso. Então, já é uma luz no fim do túnel para os pacientes”.

Ainda de acordo com o especialista, apesar das novidades, todo paciente com vitiligo precisa ter em mente que roupas apertadas ou que provoquem atrito ou pressão pioram o problema. E que alguns casos têm tratamento mais difícil. Por isso, o estado emocional é o principal fator a ser controlado, para não desencadear ainda mais a despigmentação.

Segundo a SBD, o tratamento para a doença é sempre individualizado e deve ser discutido com um dermatologista, conforme as características de cada paciente. Os resultados podem variar muito entre uma pessoa e outra. Por isso, somente um profissional qualificado pode indicar a melhor opção.

Sem medo

Ter vitiligo nem sempre é uma condenação. Há quem conviva muito bem com a despigmentação da pele, mesmo quando quase toda a cor do corpo já mudou. É o caso da vendedora santista Michella Scholz Nepomuceno, de 42 anos.

A santista descobriu o problema aos 14 anos de idade, quando as manchas começaram a marcar a pele em torno dos olhos. Depois, pelas juntas, como joelhos e cotovelos, nas canelas e nas partes íntimas.

De início, Michella estranhou, não gostou, mas nunca teve costume de usar maquiagens. Acostumou-se rápido à doença.

O namorado – hoje, marido – a conheceu ainda com a pele morena. E hoje só dá para perceber que a vendedora não é totalmente branca pela pigmentação restante nos braços. “Gosto da minha imagem. Mas não é todo mundo que fica assim, nem feliz. Tenho praticamente 100% do corpo despigmentado”, conta ela, que viu a pele sem cor por completo após o nascimento do filho.

“Eu passei por vários tipos de tratamentos, mas o que mais fez efeito para frear o aparecimento de mais manchas foi a acupuntura, que me deixava calma. Só que engravidei quatro anos após casar e precisei parar, pois poderia causar aborto”, lembra.

“Hoje, quando falam que sou muito branquinha, nem explico. Muita gente não entende do assunto, não faz a menor ideia do que é a doença. Ainda bem que preconceito, nunca enfrentei”, diz ela, que sempre trabalhou com o público.

Maquiagem

Esqueça os remédios. Uma importante aliada pode ajudar a vida de pacientes com vitiligo quando a despigmentação começa a incomodar: a maquiagem. Alguns tipos específicos são até indicados por dermatologistas, ou criados por eles.

Além de melhorar a autoestima, principalmente quando as manchas aparecem no rosto, a maquiagem cobre também com protetor solar a região da pele sem melanina, ou seja, que não tem fotoproteção. Assim explica a dermatologista Roseli de Oliva, membro das sociedade brasileiras de Dermatologia (SBD) e de Cirurgia Dermatológica (SBCD).

“A melanina, além de pigmentar a pele, é uma proteção contra os raios solares. Todas as pessoas precisam tomar sol, mas, no caso de quem tem vitiligo, o sol pode agravar a doença ou causar, facilmente, queimaduras solares graves e, com o tempo, câncer de pele. Então, mesmo em tratamento, nada melhor que se proteger e já esconder as marcas que incomodam”, explica.

No mercado, não há maquiagens específicas contra o vitiligo, mas as indicadas para qualquer tipo de desordem de pigmentos da pele – ou seja, são procuradas também por quem tem hemangioma, manchas vasculares no rosto ou rosácea, por exemplo. A diferença fundamental, além da cor, é a fixação, que varia conforme a marca: entre 14 e 16 horas. Outra questão é o preço. Geralmente comprada pela internet ou em lojas de importados, seu valor costuma ser até o triplo das maquiagens convencionais.

Roseli de Oliva afirma que essas maquiagens, testadas dermatologicamente não fazem mal. Até porque a pele de quem tem vitiligo, apesar de ser mais sensível por falta de melanina, tem todas as outras funções normais, como pelos e glândulas sebáceas, que produzem gordura. A duração é maior, no caso, a fim de evitar constrangimento para quem a usa, quando há necessidade de ficar muito tempo sem retocar a maquiagem.

Para o corpo, outras opções são os autobronzeadores. Pessoas com vitiligo podem passar em casa, após o banho, até formar a coloração desejada na região do corpo. Há várias marcas confiáveis, também importadas ou vendidas pela internet, com valores geralmente entre R$ 115,00 e R$ 275,00.

“O autobronzeador não é tóxico. Está no mercado em cremes, spray ou loções. Mas é importante lembrar que não estamos falando de câmaras de bronzeamento. Esses cremes têm substâncias que vão tingindo os melanomas. A reclamação de uns pacientes é que, às vezes, a cor não fica tão uniforme. E as marcas têm diferenças cosméticas com relação a cheiro e consistência, mas todas têm efeito de bronzear a pele lentamente e não fazem mal”, explica Roseli.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/saude/vitiligo-doenca-nao-contagiosa-costuma-levar-pacientes-a-problemas-de-auto-estima/?cHash=979d439ab31727d4c9d97670c1d9a2df

Jornalista

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Jornalista Grupar EncontrAR

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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