Mitos e verdades sobre a dor crônica

A dor crônica é uma condição séria. Trata-se de uma dor persistente, que pode se manter por semanas, meses e até mesmo anos. Vários tipos de dores podem se tornar crônicas, e por não existir diagnóstico que comprove a dor crônica, surgem preceitos que nem sempre representam a realidade dos pacientes e podem contribuir para degenerar a noção do que eles passam diariamente.

Assim, selecionamos algumas frases comumente duvidosas e as desmitificamos, comprovando a sua veracidade. Acreditamos que essa matéria possa ajudar principalmente familiares e amigos de pessoas que sofrem da dor crônica, tendo dificuldades em entender como ela funciona ou como conversar sobre o tema.

Toda dor crônica é igual?

É importante entender que dores crônicas são percebidas de formas distintas por pacientes, mesmo em duas pessoas que sofram da mesma condição. Uma série de fatores, internos e externos, são capazes de mudar a percepção do indivíduo quanto a dor, a intensificando ou não.

Caso o paciente se encontre em um ambiente onde ele é incentivado a não demonstrar que está sentido dor, sua percepção poderá ser alterada. A situação em que ele se encontra, juntamente com a forma com que ele enxerga a própria dor são fatores determinantes para a maneira com que a dor é sentida. É importante entender que, independente de como o indivíduo lida com a dor e manifesta sobre, ela existe e gera sérios transtornos. Logo, jamais negligencie a dor que o paciente está sentindo, mesmo que não aparente ser intensa.

 

Toda dor é real?

Essa frase está diretamente relacionada ao fato de não existir diagnóstico apropriado para a dor crônica e muitas vezes não ser perceptível que a pessoa está em situação desconfortável. Quando um paciente se encontra com braço engessado ou com curativos à vista, é facilmente compreendido o desconforto sentido. Nem sempre o mesmo ocorre com pacientes da dor crônica.

Toda dor é real, mesmo que psicológica. Não trate a pessoa como se ela tivesse algo a provar, como se fosse preciso “provar que ela realmente sente dor”. Trate-a com respeito, pois você não sabe pelo que ela está passando e, mesmo que não existam indicativos físicos da dor, ela está presente a todo o momento.

O melhor a se dizer ao paciente é recomendar um novo tratamento?

Como mencionado anteriormente, a forma com que um paciente que sofre de dor crônica é tratado influencia em sua percepção quanto a dor. Dessa forma, muitas vezes pode ser uma tarefa complexa saber como reagir a um amigo ou familiar que reclame desse tipo de dor.

Simplesmente recomendar um novo tratamento, na maioria dos casos, não é o melhor caminho. Pessoas que sofrem da dor crônica normalmente já possuem consciência das opções disponíveis e já estão se tratando, logo apenas recomendar um tratamento diferente sem compreender a dor do outro não traz grande ajuda.

O que pode ser feito é se fazer presente para a pessoa. Reconheça a dor sem suspeitas ou preconceitos, sabendo escutar e buscando compreender o que ela está sentido. Ter alguém para poder desabafar livremente já é de grande ajuda e é a melhor coisa possível de ser feita por amigos e familiares.

Fonte: Dr Bruno Fontes

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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