SRB esclarece dúvidas de pacientes na Revista Capital Reumato

Dúvida dos pacientes, podem ser obstáculos para a adesão ao tratamento, sabendo disso a Sociedade de Reumatologia de Brasília na sua revista “Capital Reumato” tem uma coluna dedicada a pacientes, onde tivemos uma participação especial, confira a entrevista de Priscila Torres com o reumatologista Thiago Bitar.

Dúvida dos pacientes, podem ser obstáculos para a adesão ao tratamento, sabendo disso a Sociedade de Reumatologia de Brasília na sua revista “Capital Reumato” tem uma coluna dedicada a pacientes, onde tivemos uma participação especial, confira a entrevista de Priscila Torres com o reumatologista, Thiago Bitar.

A completa adesão ao tratamento somente pode ser atingida, quando o paciente com artrite reumatoide, esclarece suas dúvidas e consegue entender o plano de gerenciamento de sua doença. Sim!

O intervalo entre uma consulta e outra, é  repleto de dúvidas que muitas vezes os pacientes não as esclarecem com o reumatologista por considerá-las simples ou pela vergonha de falar certos assuntos.

Algumas delas interferem diretamente no tratamento, o maior exemplo está ligado ao medo dos efeitos colaterais dos medicamentos, por exemplo o metotrexato que ganhou nas redes sociais o apelido de MtXato, devido as infortunas reações adversas e MtxDay por ser o dia mais marcante da semana de todo paciente.

Como pacientes sabemos que este é um medicamento muitíssimo importante, mas nem todo paciente tem coragem de dizer ao doutor que está difícil cumprir as tarefas do dia a dia e conviver com o metotrexato. Parte desses pacientes, não tomam corretamente o metotrexato e não contam ao médico, que poderá ajudá-lo no gerenciamento dos efeitos colaterais e ter a resposta terapêutica esperada em perfeita harmonia com o MTX.

O entendimento da dor como principal sintoma da artrite reumatoide também pode interferir na adesão, pois alguns pacientes ainda compreendem que quando a dor é controlada, não é preciso continuar o tratamento medicamentoso, ressaltando a importância de muitas vezes informar a este paciente, que a doença não é somente a dor, a artrite de fato pode ir muito além da dor.

Outro ponto principal de dúvidas e até mesmo de conflito entre o paciente e seu o médico, está ligada a atividade física, alguns pacientes ainda em 2019 apresentam grande resistência na adesão à atividade física não como uma medida de tratamento, mas como um hábito de vida.

Por isso é fundamental que a comunicação seja clara, que as dúvidas sejam esclarecidas e que o paciente entenda que atividade física não é chatice de reumatologista, é qualidade de vida e longevidade.

Confira as principais dúvidas dos pacientes com artrite reumatoide, esclarecidas pelo reumatologista, Dr. Thiago Bitar Moraes Barros:

1 – O paciente que seguir corretamente o tratamento da artrite reumatoide, mesmo assim ele poderá ter sequelas e deformidades da doença?

Se ele (a) tomar as medicações da maneira orientada pelo médico, mudar estilo de vida, e se os medicamentos estiverem realmente sendo suficientes para controlar a doença o paciente não irá evoluir com sequelas nem deformidades e terá uma vida absolutamente normal.

2 – A fadiga é um mito ou um fato? Quais as estratégias para controlar e melhorar a fadiga? Explique a fadiga na ótica do reumatologista

A fadiga ocorre basicamente pelo estado inflamatório sistêmico que a doença em atividade causa. Não é lenda! É real! E pode ser bastante difícil de lidar com ela. Se a doença estiver controlada, o paciente tende a não apresentar mais fadiga. Caso isso não ocorra, outras causas devem ser afastadas como depressão, fibromialgia, distúrbios da tireoide e hipovitaminoses.

3 – Porque mesmo fazendo o tratamento certinho eu tenho dores? De que forma o paciente pode auxiliar o médico na identificação das dores, se elas são da artrite ou secundárias?

Se a doença estiver em baixa atividade ou em remissão, o paciente não deve sentir dor. O problema é que a maioria dos pacientes apresenta além da artrite reumatoide outras doenças associadas: osteoartrite (artrose), sarcopenia (perda de massa muscular), fibromialgia dentre várias outras, por vezes inclusive doenças autoimunes sobrepostas podem levar o paciente a sentir dor.

É importante o paciente tentar compreender seu corpo. Perceber as articulações, os músculos. Ficar atento a flutuações de humor, padrão de sono. Tudo isso pode interferir na percepção da dor.

4 – A mulher com artrite reumatoide, pode ser mãe? Existe interferência direta na fertilidade? Quais os desafios que podem ser enfrentados? De que forma deve acontecer o planejamento familiar dessas mulheres?

Pode sim! Pacientes portadoras de artrite reumatoide tem mais problemas de fertilidade. Não se sabe claramente qual a causa, se pelo uso crônico de medicamentos ou se pela própria doença, mas as chances de gestação são menores. Mas isso não impede que a mulher portadora de artrite reumatoide engravide.

É importante lembrar que algumas drogas utilizadas no tratamento da doença devem ser interrompidas muito tempo antes de se iniciar a tentativa de gestação pois são teratogênicas ou abortivas.

Por isso é importante a conversa e planejamento com o reumatologista responsável. A doença deve estar controlada, os medicamentos tem que ser adaptados. Tudo deve ser discutido nos mínimos detalhes.

5 – Como superar os desconfortos trazidos pelo metotrexato?

Nem todo paciente que utiliza o Metotrexato passa mal com ele. Mas, quando isso ocorre estratégias mais utilizadas são: fracionar os dias do Metotrexato (não tomar todos os comprimidos no mesmo dia), ingerir o medicamento depois de alguma refeição, aumentar a dose de ácido fólico (que normalmente é dada apenas uma vez por semana) e por último, mas não menos importante, prescrever o Metotrexato subcutâneo.

Se mesmo assim o paciente continuar se queixando de mal estar ou desconforto com o Metotrexato, o reumatologista deve avaliar sua substituição por outro medicamento.

6 – É comum os pacientes relatarem medo dos tratamentos medicamentosos, podemos confiar nos tratamentos prescritos pelo reumatologista?

Sim! Os medicamentos utilizados são muito seguros. Óbvio que efeitos colaterais ou reações adversas podem acontecer, mas são na maioria das vezes, contornáveis.

No início do tratamento, eventualmente o paciente pode se sentir inseguro com os medicamentos prescritos e procurar tratamentos alternativos. Esses sim podem trazer efeitos colaterais graves. Tratamentos não baseados em evidência científica devem ser desencorajados até a última instância.

Infelizmente vivemos em um período de redes sociais muito perigoso nos quais são oferecidas as mais variadas formas de charlatanismo disfarçadas de curas milagrosas.

Tratamentos com altas doses de vitamina D, modulações hormonais, auto hemoterapia e fitoterapias, oferecem risco de evolução desfavorável à doença e grandes chances de sequelas e até mesmo de morte.

7 – Tenho artrite e não posso fazer atividade física é verdade? Os exercícios podem piorar as dores? Existe uma modalidade de atividade física que seja mais indicada?

Mentira! Atividade física deve ser sempre encorajada em todos os pacientes portadores de artrite reumatoide. Eles melhoram a dor, melhoram a inflamação e a própria doença.

Qualquer atividade física, de acordo com o gosto e condição física de cada um, pode ser realizada. Pedimos que os pacientes evitem atividades como o crossfit que, se realizado de maneira não monitorada tem mais chances de causar lesões, eventualmente graves.

8 – A decisão do tratamento deve ser compartilhada, mas a responsabilidade sobre o ele deve ser entendida apenas como do médico, ou o paciente deve ser responsável pelo sucesso de seu tratamento?

Com certeza o paciente também é responsável pelo sucesso do seu tratamento. Tomar os medicamentos da maneira orientada pelo médico, mudar hábitos de vida (perder peso, melhorar alimentação, cessar tabagismo , praticar atividade física) são fundamentais para obtenção da remissão da doença.

Hoje em dia já está bem claro que apenas tomar os medicamentos não é suficiente para evitar que a doença avance!

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Parceria médico/paciente é sempre a melhor solução para o controle da artrite reumatoide.

Texto entrevista: Priscila Torres

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