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Portador de doença autoimune diagnosticado com Covid-19 deve suspender medicação

Veja abaixo a Entrevista do Dr. Eduardo Paiva, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reumatologia, para o jornal Gazeta do Povo/PR aborda os cuidados e a relação entre corticoides, imunossupressores e coronavírus. A pergunta inicial é se os pacientes reumáticos estariam mais suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus e às complicações graves da doença; segundo o médico, esta resposta ainda não existe, porque mesmo em países com muitos casos da Covid-19 não parece haver um número diferente de portadores de doenças reumáticas infectados.

Artrite reumatoide, espondilite anquilosante e lúpus eritematoso sistêmico são algumas das doenças chamadas autoimunes, patologias que carregam, em si, um paradoxo: devido a alterações no sistema imunológico (que defende o organismo de infecções), a imunidade fica mais ativa e desregulada. Isso gera um processo inflamatório, que torna o corpo mais frágil diante de infecções.

Em vez de gerar anticorpos para se defender contra organismos estranhos (vírus e bactérias), as pessoas com essas condições criam auto-anticorpos, que agridem o próprio organismo. Some-se a isso as medicações usadas nessas doenças, como imunossupressores e imunobiológicos, que também causam alterações, e as dúvidas aparecem:

Esses pacientes estariam mais suscetíveis à infecção pelo novo coronavírus e às complicações graves da doença?

Segundo o reumatologista Eduardo Paiva, diretor científico da Sociedade Brasileira de Reumatologia, esta resposta ainda não existe, porque mesmo em países com muitos casos da Covid-19 não parece haver um número diferente de portadores de doenças reumáticas infectados. “Porém, como muitos deles usam medicações imunossupressoras, por enquanto assumimos que sim, eles têm mais risco, mas isso não é comprovado”, diz, assinalando que esse risco depende ainda do grau de imunossupressão individual, que vai de leve a intenso.

Potencialmente, os pacientes com doenças reumáticas seriam mais suscetíveis a quadros mais graves, principalmente pela desregulação do sistema imunológico, diz Carolina Müller, diretora científica da Sociedade Paranaense de Reumatologia. “Como a medicação usada para as doenças autoimunes reduz defesas frente a infecções externas, então há essa suscetibilidade, embora até o momento seus portadores não tenham sido relatados como grupo de risco. Será necessária uma melhor avaliação dos casos para uma orientação mais precisa”, explica.

Interrupção do remédio

Segundo Paiva, não há informação suficiente para afirmar nem mesmo se o uso de medicamentos imunossupressores favoreça a multiplicação viral no caso de já infectados pela Covid-19. “Assim ocorre porque a lesão que esse vírus faz é composta da ação dele no tecido e, muitas vezes, do excesso de inflamação gerada pelo corpo. Ocorre que até alguns remédios imunossupressores estão sendo usados em casos graves, de maneira ainda inicial, para reduzir esta inflamação exagerada do corpo e diminuir a lesão pelo novo coronavírus”, diz ele.

Entretanto, explica Carolina Müller, um paciente com suspeita do novo coronavírus, ou que tenha a infecção confirmada, tem a orientação de interromper o uso de medicação imunossupressora e imunobiológica, mas isso deve ser acompanhado pelo médico. “Diante da infecção ativa (incluindo Covid-19), a imunossupressão será sempre retirada”, diz Paiva.

Doenças que mais usam remédios

Entre as doenças reumáticas que mais exigem o uso de imunossupressores estão:

  • Artrite reumatoide;
  • Espondiloartrites como a espondilite anquilosante e a artrite psoriásica;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Vasculites.

“A função das medicações imunossupressoras é controlar a inflamação, preservar a função das articulações e, em alguns casos, tratar a inflamação de órgãos internos, como os rins”, diz o reumatologista Eduardo Paiva.

Menos corticoides

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) recomendou também a pacientes que usem corticosteroides em doses acima de 20 mg/dia, que reduzam a dose o máximo possível, de maneira gradual e sob orientação médica. “Doses de corticoides acima de 20mg/dia são consideradas imunossupressoras, por diminuírem a atividade do sitema imunológico. Dessa forma, diminuem também a resposta a processos infecciosos, e acabam tornando o indivíduo mais suscetível a infecções”, diz Carolina.

Segundo os especialistas, essa indicação de redução gradativa pela SBR acontece porque os corticosteroides não podem ser parados subitamente, pois pode haver reativação da doença e, em alguns casos, disfunção da glândula adrenal.

“A recidiva da doença autoimune pode levar a uma piora do quadro clínico geral, aumentando também o risco de infecção”, diz Paiva, que afirma que a substituição por outra medicação depende de uma avaliação caso a caso.

Interromper não protege

Segundo Paiva, não há, até o momento, evidência de que interromper o imunossupressor tenha qualquer efeito protetor contra a Covid-19, mesmo em pacientes idosos, tabagistas ou com algum tipo de comorbidade (doença intersticial pulmonar, diabete, hepatite B, DPOC, doença renal crônica e neoplasias).

Pacientes em imunossupressão também não devem ser sempre testados para o coronavírus. A testagem deve ser feita nos casos suspeitos de infecção pelo vírus, de acordo com as recomendações do Ministério da Saúde ou secretarias de saúde. “Na condição em que estamos hoje, o teste é reservado a pacientes suspeitos de infecção e que apresentam quadros clínicos graves. Então, pacientes em imunossupressão não devem ser sempre testados para o vírus”, diz Carolina.

Outras doenças

As medicações para osteoporose, osteoartrite (artrose), gota e fibromialgia não aumentam o risco de contrair a Covid-19 e portadores dessas doenças não estão incluídos no grupo de risco. “No entanto, se esse paciente for idoso ou com outras doenças associadas como problemas pulmonares, diabete ou hipertensão, poderá ser incluído no grupo de risco”, diz ela.

Caso contraia o vírus, ainda não há a informação de que a doença autoimune possa piorar, pois não há muitos relatos, até o momento, de pacientes com doença reumática que tenham adquirido o novo coronavírus.

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