Mais de 70% de pessoas com problemas no sistema imunológico não estão diagnosticadas

Ainda pouco conhecidas pela população, as imunodeficiências primárias (IDPs) são o centro das atenções de toda a comunidade científica brasileira até o próximo dia 29 de abril, domingo. Está sendo realizada em todo o País a Semana Mundial das IDPs, organizada pela Immune Deficiency Foundation (IDF), e cujo tema este ano é “Meu Futuro Começa com Investigação e Diagnóstico Precoces das IDPs”.

O período da Semana Mundial das IDPs coincide com o da Semana Mundial de Alergia, que tem como tema a Dermatite Atópica, doença de pele inflamatória crônica mais comum que atinge todas as idades, mas que se inicia normalmente na infância, em crianças menores de 5 anos. Em Goiás, estes dois assuntos estão em pauta em função da mobilização que vem sendo feita pelos profissionais da Regional da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai–GO).

As IDPs ocorrem em pessoas nascidas com o sistema imunológico deficiente em algum setor e manifestam-se por meio de infecções comuns como otites, pneumonia, sinusites, entre outras. Atualmente, cerca de 70% a 90% dos pacientes ainda não estão diagnosticados.

“O diagnóstico precoce é essencial para o sucesso do tratamento desses pacientes. Importante destacar que quadros graves de deficiência imunológica podem levar inclusive ao óbito”, ressalta a presidente da regional goiana da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai-GO), Lorena Paula Ribeiro. São mais de 300 doenças diferentes e, por isso, a prevalência varia muito.

“As mais comuns são aquelas em que há ‘defeitos’ na produção de anticorpos. Assim, o fundamental para o tratamento dessas doenças é garantir aos pacientes o acesso à reposição de imunoglobulina por via venosa ou subcutânea regularmente”, acrescenta o coordenador do Departamento Científico de Imunodeficiências da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Antonio Condino.

As imunodeficiências primárias não são doenças frequentes, mas é muito importante que seja feito o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a imunodeficiência é diagnosticada, menores serão as consequências da doença e melhor será a qualidade de vida do paciente.

Sintomas

Suspeita-se do diagnóstico das IDPs sempre que há processos infecciosos graves ou difíceis de tratar e/ou muito frequentes e/ou por agentes infecciosos não comuns. Febre, sinais de inflamação sem infecções ou doenças autoimunes em crianças pequenas também são sinais de alerta.

O tratamento das IDPs envolve diferentes recursos terapêuticos, entre eles a reposição de imunoglobulina humana e outros imunobiológicos, o uso de antibióticos preventivos e o transplante de células hematopoiéticas (medula óssea ou cordão umbilical). 


Os 10 sinais de alerta para imunodeficiências primárias em adultos

  • Duas ou mais novas otites por ano;
  • Duas ou mais novas sinusites no período de um ano, na ausência de alergia;
  • Uma pneumonia por ano;
  • Diarreia crônica com perda de peso;
  • Infecções virais de repetição (resfriados, herpes, verrugas);
  • Uso de antibiótico intravenoso de repetição para tratar infecção;
  • Abcessos profundos de repetição na pele ou órgãos internos;
  • Monilíase persistente ou infecção fúngica na pele ou qualquer lugar;
  • Infecção por micobactéria da tuberculose ou atípica;
  • História familiar positiva de imunodeficiência.

Os 10 sinais de alerta para imunodeficiências primárias em crianças

  • Duas ou mais pneumonias no ano;
  • Quatro ou mais otites no último ano;
  • Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses;
  • Abcessos de repetição ou ectima;
  • Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia);
  • Infecções intestinais de repetição/diarreia crônica;
  • Asma grave, doença do colágeno ou doença autoimune;
  • Efeito adverso ao BCG e/ou infecção por micobactéria;
  • Fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada à imunodeficiência;
  • História familiar positiva de imunodeficiência.

Esclarecendo dúvidas

– A criança que frequenta creche e fica muito resfriada tem baixa de imunidade?
Não. O sistema imunológico de crianças pequenas é imaturo e por isso são mais suscetíveis a infecções.

– Pessoas com alergia respiratória (asma e rinite) têm mais infecções?
Pessoas com rinite e asma costumam apresentar mais infecções respiratórias como otites, sinusites e pneumonias, principalmente se não estiverem sendo tratadas corretamente. Em geral, estes pacientes não apresentam problemas sérios de imunidade.

– Pessoas com dermatite atópica têm mais infecções?
Sim. Podem ter infecções de pele por bactérias ou por vírus (molusco contagioso e herpes).

– O uso de antibióticos baixa a imunidade?
Não. O uso frequente de antibióticos pode modificar a flora, ou seja, a população de germes que normalmente habita em nosso tubo digestivo, no trato respiratório ou na pele, produzindo diarreia, por exemplo, mas não compromete o funcionamento de nosso sistema imunológico.

Fonte:  https://www.emaisgoias.com.br/mais-de-70-de-pessoas-com-problemas-no-sistema-imunologico-nao-estao-diagnosticadas/

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