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Fibromialgia – “todo o peso do mundo em suas costas”

Quando os pacientes com fibromialgia relatam sentir “todo o peso do mundo em suas costas” eles podem estar, literalmente, certos. Enquanto alguns ainda acreditam que essa dor é “da cabeça deles”, nós já sabemos que apesar de invisível ela existe.

E que a disfunção das vias e áreas responsáveis pela dor no sistema nervoso central desses pacientes cria um ambiente mais sensível a dor. Sempre existe a possibilidade de que outros processos inflamatórios coexistam nesse paciente (tendinites, bursites, artrites, etc.) e se somem a essa amplificação dolorosa.
Mas, o conceito atual é que a fibromialgia, por si só, não causa alterações nessas estruturas. Conceito que vem sendo colocado à prova por estudos que mostram a existência de alterações detectáveis nos locais de dor desses pacientes. A neuropatia de fibras finas, uma disfunção nos ramos microscópicos dos nervos periféricos, é um exemplo de alteração detectável e que talvez possa contribuir de alguma forma na dor desse paciente.
A novidade é um estudo recente que verificou se, de fato, esse “peso nas costas” existe. Os pesquisadores mediram, usando uma combinação de aparelhos e técnicas apropriados, a tensão do músculo trapézio em pacientes com fibromialgia e compararam com indivíduos normais. Os resultados indicam que esse músculo permanece “mais contraído” nos fibromiálgicos, mesmo durante o repouso.
A teoria é que essa contração poderia diminuir o fluxo sanguíneo para o músculo e, consequentemente, ser um fator perpetuador da dor e da sensação de fadiga no local. Os pesquisadores acreditam que medidas locais para alívio dessa tensão muscular poderiam se somar ao tratamento multimodal da fibromialgia.
Apesar de suas limitações, é interessante e revigorante acompanhar o estudo de novas teorias e possibilidades de intervenção na fibromialgia. Lembrando que o tratamento multiprofissional com foco nos exercícios físicos, tratamento de condições psiquiátricas associadas e uso de medicações para tratamento de dor crônica ainda são o combo com maior evidência científica no momento.

#REPOST @areumatologista

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