Eu não pedi a AR, e ela terá que partir

Desde criança levava muitos tombos, sentia dores pelo corpo e muita fadiga. Segundo os médicos parte era dor do crescimento e outra preguiça. Os anos se passaram, e já era ansiedade e rebeldia de adolescente. Já na fase adulta, cansaço e estresse do trabalho. Em 2010 descobri que estava grávida. As dores pioraram demais. Mesmo com a pressão arterial baixa, os inchaços eram muito constantes, dormências nas mãos e punhos, pés e tornozelos. Câimbras e mais câimbras. Então a obstetra sugeriu que eu tinha fibromialgia e me encaminhou ao reumatologista.

Durante a gravidez descobri que tinha AR. Mas como já estava no final da gestação o tratamento só foi iniciado após o parto. Minha gravidez foi muito complicada, de alto risco. Na época a dona da empresa na qual eu trabalhava chegou e dizer que eu fazia cena porque tinha preguiça para trabalhar. No parto eu quase morri, mas graças a Deus minha Maria nasceu muito bem de saúde. O pós parto foi muito complicado, a inflamação estava muito alta. Passei por todas as humilhações possíveis na empresa ate não aguentar mais e pedir na justiça o desligamento da empresa. (Agradeço a Deus pelo meu marido que cuidou da melhor forma de mim e nossa princesa).

Fiz tratamento por cerca de dois anos com corticoides e as dores  sumiram, então larguei o tratamento e fui trabalhar, estava muito confiante. Em 2014 começou tudo novamente, dores, inchaços. Então com a AR chegou a gastrite, a ATM, hiper-reflexia, refluxo. Comecei a tomar metotrexato, prednisona, acido fólico e hidroxicloroquina. Então esse ano minha visão começou a piorar, olhos sempre secos e inflamados, tive aumento da escavação papilar, dirigir em alguns dias se tornou impossível, varrer a casa então.

Tive a cloroquina suspensa, fiquei 3 meses sem nenhuma medicação, um dia sim e outro também em PS. Perdi 6 quilos, perdi muitos fios de cabelo, perdi a vontade até de viver. Mas graças a Deus minha filha e meu marido tem me dado forças que nem eu sabia que teria. Não sentir se inútil as vezes é impossível. Sinto vontade de fazer coisas que nem gostava de fazer antes. Escuto muito de pessoas bem próximas que falam que tenho que parar de ficar indo para o hospital, que isso é meu psicológico. Dói muito. Porque não gosto de ser furada varias vezes num só dia, vários dias na semana. Poderia estar com minha família, passeando.

Comecei a frequentar palestras, tem ajudado bastante, os grupos no facebook também ajudam muito, porque consigo ver que as vezes meu problema é bem menor que o do meu colega. Eu não pedi a AR, e ela terá que partir. Estou dando um passo de cada vez e sei que entrará em remissão. Cada tarefa realizada é uma vitoria para mim, faço questão de compartilhar até os pratos que consigo lavar com minha família, porque sei que alguns dias não o faço. Estou conseguindo e todos conseguirão também. Eu creio.

Me chamo Hannimy Vasconcelos, tenho 30 anos, convivo com a artrite reumatoide há 7 anos, moro em Viana – ES.

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