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Estudo: Imunossupressão e Covid-19

Covid-19 é a síndrome infecciosa causada pelo novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2. Alguns estudos apontam que um dos fatores de risco para doença grave é a presença de neoplasia. Pacientes com câncer costumam apresentar imunossupressão, seja pela própria doença, seja pelo seu tratamento, o que os torna mais suscetíveis a infecções como a Covid-19.

Covid-19 é a síndrome infecciosa causada pelo novo coronavírus, denominado SARS-CoV-2. Alguns estudos apontam que um dos fatores de risco para doença grave é a presença de neoplasia. Pacientes com câncer costumam apresentar imunossupressão, seja pela própria doença, seja pelo seu tratamento, o que os torna mais suscetíveis a infecções como a Covid-19.

Imunossupressão e Covid-19

O papel da imunossupressão tanto no risco quanto na recuperação dos pacientes com Covid-19 ainda é muito debatido. A doença parece apresentar dois estágios:

  • Replicação viral, no qual há sintomas leves iniciais;
  • Imunidade adaptativa, no qual a resposta imunológica resulta na queda dos títulos virais e pode causar aumento da produção de citocinas inflamatórias (a chamada “tempestade de citocinas”) com consequentes danos teciduais e deterioração clínica.

Pode-se questionar, então, se a imunossupressão não seria um fator protetor, uma vez que não haveria intensa resposta inflamatória sistêmica que culmina em disfunção orgânica. No entanto, se olhar por outra perspectiva, a imunossupressão resultaria em atraso no clearance viral, o que aumenta o risco de complicações durante o curso da infecção.

Estudo

Autores italianos avaliaram a incidência e gravidade de Covid-19 em crianças em tratamento imunossupressor para doenças hepáticas autoimunes, em quimioterapia para hepatoblastoma ou pós-transplante hepático. No estudo, não foi observada relação entre imunossupressão e Covid-19 grave. As crianças que tiveram infecção confirmada apresentaram quadros leves. Não foram avaliados, contudo, indivíduos adultos/ idosos ou com outras comorbidades, como obesidade, pneumopatia e diabetes.

O rituximabe, um anticorpo monoclonal anti-CD20, é usado no tratamento de algumas doenças hematológicas e causa depleção de células B com consequente imunossupressão. Recente artigo alemão relatou dois casos fatais de Covid-19 após terapia com rituximabe. Eram dois homens com mais de 60 anos (65 e 66 anos):

  • Paciente 1 tinha diagnóstico de linfoma difuso de grandes células B com recaída em sistema nervoso central, além de hipertensão arterial sistêmica, e foi tratado com rituximabe associado a dexametasona, etoposídeo, ifosfamida e carboplatina. A infecção pelo coronavírus ocorreu duas semanas após o último ciclo de quimioterapia;
  • Paciente 2 era portador de doença renal crônica e encontrava-se na fase de manutenção com rituximabe e ibrutinibe para tratamento de linfoma de células do manto. A infecção também ocorreu duas semanas após a última dose do rituximabe.

Exames laboratoriais evidenciaram aumento progressivo da viremia durante o quadro de Covid-19, e os dois pacientes foram a óbito em menos de 30 dias de hospitalização, apesar do suporte clínico adequado.

Obviamente, não é possível atribuir o desfecho exclusivamente ao uso do anticorpo monoclonal. Os dois pacientes eram idosos e tinham outras comorbidades; idade avançada e doenças crônicas são sabidamente fatores de mau prognóstico na Covid-19. Além disso, eles não recebiam rituximabe em monoterapia; o tratamento deles era composto por outra(s) medicação(ões), que também afeta(m) a imunidade celular e/ou humoral.

Dados disponíveis

Por outro lado, antes mesmo da atual pandemia, dados da literatura médica mostravam maior risco de infecções virais em indivíduos tratados com rituximabe, visto que a depleção de células B causada pela medicação resulta em hipogamaglobulinemia. Então, pode-se pensar que os linfócitos B sejam peças importantes no controle da infecção pelo SARS-CoV-2, apesar de haver relato de sobreviventes de Covid-19 com agamaglobulinemia ligada ao cromossomo X.

Conclusão

Como ainda faltam dados mais robustos para definir a melhor conduta, deve-se pesar individualmente risco x benefício de iniciar/seguir o tratamento oncológico durante a pandemia, considerando-se o risco de morte relacionada tanto à neoplasia como à Covid-19. Um aspecto importante é a saúde mental dos pacientes. Muitos indivíduos relatam ansiedade, depressão, insônia, medo e estresse por conta da pandemia; pacientes oncológicos estão sob maior risco de desenvolver problemas psicológicos por conta da doença de base (ex.: medo de progressão).

Fonte: PebMed

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