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Doenças reumatológicas autoimunes atingem mais as mulheres, alerta SBR

Aos primeiros sinais de dores nas juntas, com diagnóstico precoce e tratamento adequados, as chances são muitas para o controle e até remissão de doenças reumatológicas e para a sobrevida maior das mulheres. O alerta, nesta semana de conscientização do Dia Internacional da Mulher, com data lembrada em 8 de março, é da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que atua com todos os especialistas do país para o esclarecimento e a conscientização sobre as mais de 120 doenças da reumatologia, que atingem em sua grande maioria o público feminino.

Entre as doenças mais freqüentes estão listadas Artrite Reumatoide, que afeta três vezes mais mulheres do que em homens e Lúpus Eritematoso Sistêmico, na proporção de dez mulheres para cada homem, que são doenças imunológicas, também chamadas de doenças autoimunes. O surgimento dessas patologias nas mulheres está ligado a uma tendência maior de produção de auto-anticorpos, comparado com os homens.

A Artrite Reumatoide, mais comum em pessoas com idade acima de 40 anos e após a menopausa, é uma doença crônica inflamatória, cuja principal característica é a inflamação das articulações (juntas), embora outros órgãos também possam ser comprometidos. É uma doença autoimune, ou seja, é uma condição em que o sistema imunológico, que normalmente defende o corpo de infecções (vírus e bactérias), passa a atacar o próprio organismo (no caso, o tecido que envolve as articulações, conhecido como sinóvia).

A inflamação persistente das articulações, se não tratada de forma adequada, pode levar à destruição das juntas, o que ocasiona deformidades e limitações para o trabalho e para as atividades da vida diária. Acomete cerca de 1% da população e atinge qualquer pessoa, desde crianças até idosos podem desenvolver a doença. Pessoas com histórico familiar da doença têm mais risco de desenvolvê-la.

Já o Lúpus Eritematoso Sistêmico, também uma doença imunológica, frequentemente se manifesta em mulheres jovens, com idade entre 20 e 30 anos, podendo comprometer também adolescentes.  É uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, cujos sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão. São reconhecidos dois tipos principais de lúpus: cutâneo, que tem como sintomas manchas na pele (geralmente avermelhadas ou eritematosas), principalmente nas áreas que ficam expostas à luz solar (rosto, orelhas, colo e braços) e o sistêmico, no qual um ou mais órgãos internos são acometidos. Alguns sintomas são gerais como febre, emagrecimento, perda de apetite, fraqueza e desânimo. Outros, específicos de cada órgão como dor nas juntas, manchas na pele, inflamação na pleura, hipertensão e/ou problemas nos rins.

No Brasil, não há números exatos de pacientes com Lúpus. Estima-se entre 120 mil a 250 mil casos no Brasil ou 1 a cada 1.000 mulheres. Em São Paulo, os especialistas apontam a existência de 12 a 18 mil portadoras de LES. O tratamento depende do tipo de manifestação apresentada e deve ser individualizado.

Chama atenção também entre as doenças autoimunes com mais frequência em mulheres a esclerose sistêmica e a polimiosite, doença caracterizada pela inflamação dos músculos, afetando duas mulheres para cada homem. A fibromialgia, caracterizada por dores difusas pelo corpo, também é mais freqüente.

As doenças reumatológicas que mais afligem as mulheres são as doenças autoimunes (exemplo – lúpus), doenças degenerativas (exemplo – osteoartrite) e as doenças osteometabólicas (exemplo – osteoporose), explica a reumatologista Rosa Maria Rodrigues Pereira, membro das Comissões de Doenças Osteometabólicas e Osteoporose e da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Fator importante também é o histórico familiar.

De acordo com a especialista, doenças como a osteoartrite são degenerativas, tem componente hereditário e, em geral, se manifestam em mulheres com mais de 50 anos, com o comprometimento de mãos e joelhos. Nas mãos afetam as articulações dos dedos. “Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequados é possível diminuir a sua progressão”, alerta a professora Titular de Reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

A doença osteoporose é uma doença osteometabólica também mais comum na mulher do que no homem. Com a chegada da menopausa e a perda do hormônio estrogênio fundamental para a manutenção dos ossos do corpo existem mais chances de fraturas. “Cerca de 30% das mulheres, após os 50 anos, vão ter diagnóstico de osteoporose, enquanto 15% entre os homens com mais de 70 anos, devido à perda de testosterona com o passar do tempo. O exame de densiometria óssea é imprescindível para o diagnóstico.

A reumatologista alerta que as campanhas de esclarecimento sobre as doenças reumáticas são de extrema importância para mudar o quadro da saúde da mulher no Brasil. “Sem informação, o diagnóstico acaba sendo tardio e há um comprometimento muito sério da qualidade de vida. Como exemplos ela cita que para a doença Artrite Reumatoide, hoje, já existem medicamentos que impedem que a doença chegue à deformidade. É preciso tratar no início. Na osteoporose, a suplementação  de vitamina D, com uma ingesta adequada de alimentos ricos em cálcio e atividade física, proporcionam mais chances de impedir a evolução da doença”, destaca Rosa Maria.

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Cesar Emile Baaklini, as doenças reumáticas apresentam índices elevados de morbidade e mortalidade, se não tratadas precocemente e adequadamente. “Tanto a SBR quanto os serviços públicos, as secretarias de saúde dos governos devem desenvolver ações de conscientização à população com mais frequencia”, diz ele. “Inclusive, os serviços das universidades têm condições de auxiliar e de ajudar os gestores em um trabalho amplo de conscientização e devem ser acionados”, completa.

Tratamento

O tratamento das doenças reumatológicas é garantido no Sistema Único de Saúde (SUS). A assistência aos pacientes com doenças reumáticas inclui desde o fornecimento de medicamentos até a realização de terapias integrativas, associadas à realização de exercícios que devem ter indicação do médico.

A recomendação à população é que percebidos os primeiros sintomas das doenças (dor, inchaço e rigidez nas juntas), o paciente procure o serviço médico mais próximo da sua residência. As doenças reumáticas são crônicas, não têm cura, mas podem ser tratadas.

Fonte: Jornal de Brasilia

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