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Consórcio científico buscará medicamentos para doenças esquecidas

Diversos pesquisadores brasileiros e internacionais se uniram para apoiar a busca por novos medicamentos contra doença de Chagas, leishmaniose visceral e malária – também conhecidas como doenças esquecidas ou negligenciadas justamente pela falta de interesse da indústria farmacêutica no desenvolvimento de medicamentos para elas.

O consórcio é liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade de São Paulo (USP) e será financiado pela Fapesp e pelas organizações sem fins lucrativos Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi) e Medicines for Malaria Venture (MMV), no âmbito do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

Ao todo, a iniciativa terá duração de cinco anos e receberá, nesse período, investimentos de R$ 43,5 milhões. À Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da fundação, disse que o projeto será colaborativo e envolverá pesquisa básica, aplicada e também testes dos resultados na prática.

Os pesquisadores desenvolverão estudos na área de química para desenvolver e aprimorar moléculas. O projeto realizará, também, diferentes testes biológicos, como farmacocinética e toxicidade. O objetivo é gerar novos medicamentos com ação efetiva e de baixo custo.

De acordo com Paul Willis, diretor sênior na MMV, parceria usará o conhecimento dos cientistas brasileiros em biologia e em química sintética em sinergia com o de especialistas associados às organizações ao redor do mundo, em centros de excelência. “Eles poderão realizar testes adicionais e trazer novos conhecimentos. Estamos focados no Brasil, mas a parceria é para beneficiar pessoas do mundo todo”, disse Willis à Fapesp.

O objetivo é que os candidatos a fármacos sejam efetivos com apenas uma dose. Alguns medicamentos presentes no mercado possuem efeito contra as doenças, mas as várias doses necessárias dificultam o tratamento e geram variedades de parasitas resistentes.

Segundo os pesquisadores, O que ocorre hoje é que o paciente melhora depois da primeira dose e para de tomar o medicamento. Isso faz com que a doença não só volte, mas se torne ainda mais agressiva. Por isso, para ser realmente efetivo, é preciso que o medicamento mate totalmente o parasita com uma dose única. A expectativa é que os pesquisadores possam contar com moléculas prontas para testes clínicos dentro de cinco anos.

Os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS) dão conta de que, em 2017, houve 219 milhões de casos de malária – 2 milhões a mais do que no ano anterior. A doença foi responsável por 435 mil mortes no mundo todo, 93% delas na África. Ainda segundo a OMS, 8 milhões de pessoas são infectadas anualmente pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, a maior parte na América Latina. A organização estima ainda em cerca de 2 milhões de novos casos ao ano das diferentes formas de leishmaniose.

“Malária, doença de Chagas e leishmaniose estão associadas a uma considerável morbidade e mortalidade. São doenças epidêmicas, sobretudo em países de baixa renda, com um grande peso clínico e econômico e importantes consequências tanto para os pacientes individualmente – em muitos casos, crianças e mulheres grávidas – quanto para a saúde pública em geral”, disse Luiz Carlos Dias, professor do Instituto de Química (IQ) da Unicamp e coordenador do projeto. (Com informações da Fapesp)

Fonte: Jornal Metrópoles

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