Artrite reumatoide: existe doença além da articulação?

A doença pode acometer outros órgãos, além de aumentar os riscos cardiovasculares; por isso é importante ser aderente ao tratamento

As manifestações decorrentes da doença artrite reumatoide foram abordadas pelo reumatologista Francisco Theógenes Macedo, do Hospital São Carlos e professor do Centro Universitário Unichristus durante o Encontro Nacional de Pacientes Reumáticos*, realizado em Fortaleza, no Ceará. O médico esclareceu que a artrite reumatoide não é só uma doença articular, mas uma enfermidade que pode acometer todos os sistemas, incluindo coração, pulmão e olhos.

A artrite reumatoide atinge mais mulheres

Dentre as doenças autoimunes, crônicas e reumatológicas, a artrite reumatoide é muito comum e tem acometimento predominantemente articular. “Em termos mundiais, a prevalência é de 0,4 a 1%. Portanto de cada 100 pessoas, 1 tem a doença”, revelou o reumatologista. “Ela é mais frequente em mulheres e uma importante causa de deformidade articular, de limitação funcional”.

O especialista explicou também que é uma patologia que pode sair cara para o país, não só pelo tratamento, mas também pelas consequências da doença. O objetivo do tratamento é evitar complicações. Para isso, o diagnóstico precoce é de suma importância. “Não precisa ser médico, nem da área de saúde para perceber que há um edema de algumas articulações. Uma artrite reumatoide na sua fase inicial é onde idealmente o reumatologista e o profissional de saúde desejam encontrar para que dê tempo de começar um tratamento”, alertou o médico.

Sintomas clássicos da artrite reumatoide

Na artrite reumatoide há geralmente uma articulação com com dor associada a algum outro sinal como calor, inchaço ou vermelhidão no local. Outras doenças também podem causar artrite como o caso da chicungunha e do lúpus, e outras podem piorar o quadro como o caso de doença articular, fibromialgia, entre outros. “O lúpus pode causar artrite reumatoide e a espondilite anquilosante também. Até doenças que vocês nem imaginam, como hipotiroidismo, pode dar artrite, infecção por Hepatite B, Hepatite C, entre outras”, destaca doutor Francisco.

Por essas razões, o diagnóstico de artrite não é uma coisa simples e envolve critérios classificatórios, além da análise clínica. Os critérios da artrite reumatoide foram validados em 2010 pelo Colégio Americano de Reumatologia e pelo grupo europeu EULAR. “Geralmente o paciente que tem acometimento em várias articulações é aquele que os estudos mostram que tem maiores chances de ter manifestação extra-articular. O indivíduo pode ter uma articulação acometida pela artrose, por exemplo, e ter duas acometidas pela artrite reumatoide”, explica o reumatologia.

Predisposição genética tem influência nas manifestações extra-articulares

Há também uma predisposição genética por meio do gene HNADRB1, que tem uma associação maior com manifestações extra-articulares. Ainda assim, o fator ambiental, como o tabagismo, por exemplo, é muito relevante e decisivo no desenvolvimento de manifestações extra-articulares. “A doença pode acarretar em outras complicações no corpo. Por ordem de frequência os órgãos são pele, olho, pulmões, coração e outras manifestações, como a anemia e o acometimento neurológico. Essas manifestações, como todas as outras, são associadas a doença de longa duração que não tenha o controle adequado”.

Exercício físico deve fazer parte do tratamento

Por isso, o médico defende a importância de tratar adequadamente a artrite reumatoide. “Não é só pela questão de prevenir deformidades, mas também diminuir o risco de se ter um AVC, um infarto agudo do miocárdio, os riscos cardiovasculares”. Para que esse controle aconteça é importante a prática de atividade física, que deve ser feita três vezes por semana, no mínimo 40 minutos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. É importante buscar orientação médica antes de iniciar o exercício físico, mas em linhas gerais não são recomendadas atividades de alto impacto, boas opções são: caminhada, natação, musculação, dança, entre outros.

O controle da doença diminui muito o risco de manifestações extra-articulares, por isso é necessário o acompanhamento. “Além do seguimento clínico, a mudança no estilo de vida é importante e ajuda a controlar os fatores de risco cardiovasculares, como alimentação, atividade física, controlar hipertensão e diabetes e não fumar”, finalizou.

*Encontro Nacional de Pacientes Reumáticos aconteceu no dia 3 de setembro de 2019, em Fortaleza-CE, durante o 36º Congresso Brasileiro de Reumatologia.

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