8 coisas que você precisa saber sobre a Espondilite Anquilosante

Saiba mais sobre causas, sintomas, evolução da doença e novidades em relação ao tratamento

Como toda doença, há muitos mitos sobre a espondilite anquilosante. Além do preconceito, há um estigma de que não é possível ter um bom convívio com a doença e de que a pessoa que a tem não é capaz de realizar atividades. Em parceria com a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), Dr. Washington Bianchi, chefe do serviço de Reumatologia da Santa Casa do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Espondilite Anquilosante da SBR, esclarece as principais dúvidas sobre a doença. Confira abaixo 8 coisas que você precisa saber sobre a Espondilite Anquilosante.

1 – O que é a Espondilite Anquilosante?
A espondilite anquilosante (EA) é uma doença reumatológica crônica que afeta a coluna vertebral e outras articulações e, se não tratada de forma correta, pode causar dores e levar a perda de movimentos. “A Espondilite Anquilosante (EA) compõe o grupo das Espondiloartrites (EpAs) juntamente com a Artrite Psoriásica (AP) e outras quatro doenças. São doenças autoimunes de etiologia desconhecida, ou seja, sem causa claramente definida”, explica Dr. Washington Bianchi. Além disso, a doença é mais frequente em homens com menos de 40 anos.

2- Quais são os sintomas?
A Espondilite Anquilosante causa dor no esqueleto axial, que é composto por coluna vertebral, com dores lombares e articulações sacroilíacas, com dores nas nádegas. Geralmente, o caráter inflamatório é mais intenso e duradouro no período da manhã, podendo, também, a acordar o paciente durante a madrugada. “Ela vem acompanhada de artrites periféricas, principalmente em membros inferiores como joelhos e tornozelos e entesites que são inflamações em pontos de inserção de tendões como, frequentemente, encontrado nos calcanhares e faces plantares (fasciitis)”, esclarece o reumatologista. Também são frequentes queixas de cansaço em quem tem a doença.

3 – Como é feito o diagnóstico?
Com a presença dos sintomas acima, alguns exames podem ser solicitados para confirmação do diagnóstico. “A presença do marcador HLA-B27 por meio de exame de sangue e alterações encontradas em radiografias e ressonâncias magnéticas das articulações sacroilíacas e coluna lombar podem confirmar a Espondilite Anquilosante”, destaca o especialista.

4 – Exercício físico pode piorar a doença?
De acordo com o médico, ao contrário do que se pode pensar à primeira vista, não. Este quadro não tem relação com atividades físicas, pelo contrário. A Espondilite Anquilosante melhora com os movimentos e piora com o repouso.

5 – O que é anquilose e qual a relação com a EA?
Anquilose significa a fusão de uma articulação. Ela indica o estágio final na evolução de uma lesão articular, seja ela de que origem for. No contexto da Espondilite Anquilosante é frequentemente encontrada na região lombar ou nas articulações sacroilíacas, podendo causar a chamada posição ou postura de esquiador. “Quando observamos um paciente com esta postura praticamente não temos mais dúvida no diagnóstico, tratando-se geralmente de paciente que retardou seu tratamento ou que, mesmo da conduta empregada, não obteve sucesso no controle da evolução da doença”, explica especialista.

6 – Quais são os fatores de risco para desenvolvimento da Espondilite Anquilosante?
Assim como a causa ainda não é claramente conhecida, os fatores de risco ainda não são bem definidos. No entanto, alguns merecem atenção. “Tabagismo e quadros inflamatórios intestinais por alguns germes podem ser responsabilizados pela eclosão dos sintomas, principalmente, em pacientes que apresentem um padrão imunológico peculiar com a presença do HLA-B27 que pode ser pesquisado em exame de sangue”, conta o reumatologista.

7 – Como é feito o tratamento?
O tratamento é multidisciplinar, envolvendo diversos especialistas como o reumatologista, fisiatra, nutricionista, educador físico e acompanhamento psicológico. Medicamentos tradicionais, desde os antiinflamatórios não hormonais, analgésicos, imunossupressores não biológicos (em alguns casos) e, principalmente, os biológicos, além da realização de atividades físicas, mudanças em hábitos de vida a fim de evitar a obesidade e o tabagismo tornam-se fundamentais em todo o conjunto de condutas indicadas para estes pacientes.

8 – De que forma a terapia biológica pode ajudar no tratamento da EA?
Considerado um dos grandes avanços da medicina, a terapia biológica consiste na utilização de um medicamento biológico, que provém de organismos vivos, como células vivas. Um bom exemplo são os chamados anticorpos monoclonais utilizados no tratamento de doenças autoimunes, como a Espondilite Anquilosante e Artrite Reumatoide. “Nesta linha de tratamento, anticorpos direcionados a bloquear ou inibir citocinas como TNF alfa, Il-17, IL-23 e modular suas ações vêm sendo desenvolvidos o que tornam o futuro destes pacientes promissor”, destaca Dr. Bianchi.

O tratamento pode ser realizado no SUS*

O tratamento da Espondilite Anquilosante pode ser realizado no sistema público de saúde, que por meio do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, estabelece a diretriz de tratamento no SUS, fornecendo através das farmácias de alto custo o elenco composto por 11 medicamentos, sendo 6 deles do tipo imunobiológicos, confira a lista completa:

  1. Ibuprofeno
  2. Naproxeno
  3. Sulfassalazina.
  4. Metilprednisolona
  5. Metotrexato
  6. Adalimumabe
  7. Etanercepte
  8. Infliximabe
  9. Golimumabe
  10. Certolizumabe pegol
  11. Secuquinumabe

É possível ainda obter tratamento medicamentoso por meio do plano de saúde, onde o rol de coberturas mínimas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar, prevê o fornecimento de 6 tipos de medicamentos biológicos, sendo eles: Adalimumabe, Etanercepte, Infliximabe, Golimumabe, Certolizumabe pegol e Secuquinumabe.

Converse com o seu reumatologista, esclareça as suas dúvidas e entenda de que forma é possível controle o avanço radiográfico e inflamatório da espondilite anquilosante.

Confira na íntegra o protocolo de tratamento da Espondilite Anquilosante no SUS:

Portaria-Conjunta-n25-PCDT-EA-FEV.2019

*Informações do blog Artrite Reumatoide.

 

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