Depoimentos

Nunca deixei que as minhas limitações me definissem como pessoa

Olá, me chamo Liziane. Minha história com a artrite começou aos 9 anos de idade. De repente tudo mudou, minha infância e adolescência foram resumidas em dores, choros , noites mal dormidas e o tempo todo o questionamento do “por que comigo?”.

Descobri cedo o meu diagnóstico e comecei o tratamento o mais rápido possível. De primeiro melhorei, mas logo vieram as consequências dos remédios como o metotrexato que me deixava sensível, mal humorada, enjoada. A prednisona que me deixava “deformada”. Quando criança não ligava tanto, veio a fase da adolescência e começou a me incomodar devido a aparência, parei de tomar do nada e por consequência disso quase infartei. Na época eu gostava muito do meu médico que me acompanhava há anos, e foi quando eu fiquei em cadeira de rodas sem poder andar que veio o baque maior, ao chegar no consultório ele simplesmente disse: você precisa vim morar na capital ou vai continuar ficando cada vez mais torta (pra mim foi um choque a maneira dele falar, eu já estava abatida…

Triste, e ao ouvir isso foi péssimo. Fiquei com trauma e passei 3 anos sem tratamento e lembro que eu me aguentava tomando leflunomida , na época receitada por um clínico geral amigo da minha família. Eu não tinha condições de morar na capital ainda e mesmo sabendo que ele poderia me tratar mesmo eu estando no interior, ele não fez. Quando eu vi que precisava recomeçar o tratamento eu voltei e recomecei com outra médica, e foi quando ela me passou o etanercepte, biológico. Tive que ficar quase um ano morando sozinha na capital, em meio a crises , porém com o medicamento Melhorei muito e pude voltar para o interior.

A AR foi sendo aos poucos controladas, porém devido a tanto tempo sem tratamento eu já estava com consequências como os joelhos “genovalgo” e os dedinhos “cabeça de cisne” . Sofri muitos preconceitos, mas desde nova eu sempre enfrentei tudo com a cabeça erguida, sempre batalhei para terminar meus estudos, passei em uma faculdade federal. Mesmo muitos dizendo que eu não conseguiria chegar nem na metade do curso devido às minhas limitações.

Eu sempre me vi como uma pessoa completamente normal, nunca deixei as minhas limitações me definissem como pessoa, sempre busquei com todas as minhas forças evoluir , onde eu vou eu sempre socializo, converso, brinco, como uma pessoa igual a todas as outras. Recebo olhares , as vezes curiosos, as vezes preconceituosos, mas aprendi a não ligar, pois ninguém pode controlar as atitudes dos outros, mas sim como a gente se sente em relação a isso e hoje eu me sinto bem comigo mesma, apesar de todas as limitações eu estou de pé, andando, com a doença controlada e com uma médica maravilhosa me acompanhando.

Agradeço primeiramente a Deus, a minha família, a minha médica e a todos que acreditaram e acreditam em mim. AR doi, cansa, as vezes limita, mas você pode vencer e vai vencer.

Lutei muito pra me sentir bem comigo mesma, principalmente com a aparência, deixei de vestir roupas porque não me sentia bem em mostrar os joelhos, deixei de ir pra algum lugar porque naquele dia não conseguia andar tão bem e ficava com vergonha de sair. Apesar de sempre lutar para não me sentir assim, as vezes é inevitável. Mas, depois que eu me aceitei, que comecei a praticar o amor próprio , nunca mais tive problema com isso, nós portadores de AR somos guerreiros, só nós sabemos o que passamos diariamente e a força que temos pra vencer e que toda dor seja transformada em força de viver, força para conquistar nossos sonhos .

Desejo forças pra quem passa por isso, luz pra quem olha com olhar maldoso, gratidão a quem entende e fica do nosso lado nas adversidades, nas crises. ✨❤️

Dor Compartilhada é Dor Diminuída”, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

É simples, preencha o formulário no link https://www.surveymonkey.com/r/depoimentoBlogAR

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