Psicoterapia em pacientes com doença autoimune

A maior parte das doenças autoimunes é crônica. Ou seja, sua solução não ocorre em curto prazo ou em um período usual de seis meses. Sendo assim, durante a vida, a pessoa experimenta episódios agudos, em que os sintomas se manifestam prejudicando a qualidade de vida e bem-estar.

Quando um paciente recebe o diagnóstico de uma doença autoimune, surgem diversos temores acerca seu futuro. A fase aguda da doença, a qual já está experimentando e que foi o motivo para sua ida ao médico, ocorrerá durante a vida e a forma de encarar essa realidade é singular. “Como vou trabalhar?”, “como irei cuidar dos meus filhos?”. Funções básicas do dia a dia passam a ser um desafio, em que apenas a adaptação física não é o bastante.

A doença crônica deve ser muito bem compreendida pelo fato de que a pessoa vivia sua vida normalmente e que, de forma repentina, passa a ver sua rotina mudar. As dores, limitações físicas, uso contínuo de medicamentos e vivencia em hospitais e consultórios médicos passam a ser frequentes. Mesmo recebendo o diagnóstico na infância e adolescência, o desejo de não ter os sintomas como as outras pessoas é uma indagação constante.

Nesse momento, o tratamento e acolhimento emocional é muito importante para que se crie recursos e se fortaleça psicologicamente a fim de ter a conclusão que a vida não precisa perder o sentido. Além disso, a saúde mental é determinante no tratamento e vivencia, seja nas doenças autoimunes ou não e em qualquer fase da vida.

Portanto, em psicoterapia deve-se trabalhar primordialmente o acolhimento e escuta terapêutica, de forma que o paciente se sinta seguro para tratar se seus sentimentos de forma plena. É muito difícil desabafar ou ter a sensação de que é compreendido por amigos e familiares, isso porque as dores são contínuas e incompreendidas por quem não presenciou tais sintomas. Não é incomum pacientes queixarem-se de que seus parentes se expressam como “De novo reclamando de dor?” ou não dão devida importância.

Também buscar soluções e recursos para que a adaptação emocional acompanhe a adaptação física. A maior conquista de um paciente com essa demanda é a autonomia. Durante o tratamento, serão discutidos as situações em que muitas vezes a frustração e impotência estão presentes no cotidiano e como isso pode mudar.

Por fim, ressignificar o ideal de futuro. Conciliar o autoconhecimento de seu quadro clínico com as possibilidades de uma realização pessoal, que deve ser discutida e alinhada com seus próprios interesses em busca de sentido e determinação para alcançar esses objetivos.

Ter o diagnóstico de doença autoimune não impede que se tenha uma saúde emocional satisfatória. Por isso, é importante que se compreenda a necessidade de dar o primeiro passo e reconhecer que a vida pode ser preenchida por sonhos e desejos que vão muito além da dor.

Nos próximos artigos serão discutidos os quadros de depressão e ansiedade em doenças autoimunes.

Psicóloga
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Psicóloga formada pelo Mackenzie, atualmente se especializando em Neuropsicologia pelo CEPSIC. Possui experiência em atendimento com adultos e idosos e interesse no trabalho e estudo de doenças autoimunes. CRP:06/128794
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Psicóloga
Psicóloga formada pelo Mackenzie, atualmente se especializando em Neuropsicologia pelo CEPSIC. Possui experiência em atendimento com adultos e idosos e interesse no trabalho e estudo de doenças autoimunes. CRP:06/128794
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