“Você tem artrite reumatoide soro negativa”, enfim uma “certeza”, não muito agradável, mas pelo menos pude “saber” com o que estava lidando

Desde criança sentia dores nos ossos, mas me diziam que era normal, “É dor do crescimento”. Porém, a partir da adolescência eu já não tinha mais o quê crescer, sou uma “pessoinha” de 1,53m! Neste ínterim, fiz 13 anos de ballet, depois arte circense. Sempre gostei de emprestar meu corpo à arte.

Morava em uma cidade do interior, sem muitas especialidades médicas. Ao fazer os exames para reumatismo: o resultado foi negativo. As dores continuavam, aos 20, os punhos já “gritavam”, mas atribuía às atividades físicas, por vezes intensas.

Já adulta, após passar por reumatologista na capital, surgiu a possibilidade do diagnóstico de AR, mas nada certo: “Vamos acompanhar”, enquanto isso, corticoide e antiinflamatório e sulfato de hidroxicloroquina. Aos 28 comecei a tomar o inesquecível metotrexato, mas até aí, até eu duvidava que tinha artrite.

Aos 29, a reumatologista me disse: “Você tem artrite reumatoide soro negativa”, enfim uma “certeza”, não muito agradável, mas pelo menos pude “saber” com o que estava lidando, já que o desconhecido soava um tanto quanto insuportável. Após o diagnóstico, tive uma certa tranquilidade em saber o que eu tinha, mas também uma tristeza ao saber que ainda não existe a cura. Confio em minha médica, assim como nos tratamentos propostos por ela, e sei que cada corpo é UM corpo, uns regem melhor às medicações, outros não, enquanto isso, vamos tentando.

Neste momento eu já praticava uma outra arte, a “arte suave” (jiu jitsu), me ausentando ou poupando o meu corpo nos momentos de dor. Estou sem treinar há mais de 1 mês, e como sinto falta.

Meus primeiros sintomas foram: Dor nas articulações, principalmente punhos e dedos, acompanhadas de inchaços, vermelhidão, calor (no local), rigidez, fraqueza ao segurar objetos. Hoje, os joelhos, pés, ombros, por vezes acompanham as mãos. Cistos nos joelhos e mãos.

O primeiro médico que me atendeu: Foi um endocrinologista, pois aos 18 também tive um CA de tireoíde (um outro capítulo da vida). Quem fechou o diagnóstico foi um reumatologista, através de um diagnóstico significativamente clínico, mais PCR elevado e ressonâncias magnéticas.

Sobre o meu tratamento inicial e atual: Comecei com Prednisona e Nimesulida, hoje estou usando Leflunomida e antiinflamatório (quando em “crise”) e atualmente aguardando a chegada do Adalimumabe. Sofri com o inesquecível MTX, e as náuseas e desconforto estomacal. Atualmente tolero bem a medicação.

O que mudou após a artrite reumatoide: A Artrite Reumatoide mudou sem dúvida, a minha vida. Me trouxe a dor, com a qual preciso conviver. Acho que sou até bem tolerante, mas sei os momentos de recuar, me recolher. Mas além da dor, uma esperança depositada na ciência, e também na possibilidade do corpo em se adaptar a novas condições, e por quê não se reinventar?

O que fazia antes e não faço mais: Como disse, fiz ballet, arte circense, e hoje pratico o jiu jitsu. Nem sempre consigo ir aos treinos, nem sempre consigo limpar a minha casa, lavar as minhas roupas íntimas à mão, segurar uma xícara mais pesada, ou uma jarra de suco, dirigir, abotoar um sutiã, ou apertar o desodorante, ou levantar sozinha após agachar, usar um belo salto alto… Disse “Nem sempre”, e espero que nunca “Nunca”.

Minha dica de qualidade de vida: Atividade física! Para o corpo e para a alma. Reconhecer que o corpo tem seus limites e dar o tempo que ele precisa, mas retornar assim que possível!
Amor da família e das pessoas que te querem bem. Muitas vezes, calamos a dor, mas só eles sabem, respeitam e acolhem.

Se eu pudesse melhorar alguma coisa no tratamento da AR no Brasil, eu mudaria:

Investiria mais em pesquisas, até encontrar a cura. Além de tornar a especialidade médica, o diagnóstico, assim como o tratamento acessíveis à toda a população.

Frase de incentivo: “ApesAR de você, amanhã há de ser outro dia” (Chico Buarque)

6-Leticia-RosaSempre fui bastante reservada, mas escrever, e publicar este depoimento é uma tentativa de tocar alguém, em algum lugar, para que de alguma forma esse alguém busque tratamento, busque a cura, ou até mesmo busque apenas aproveitar a vida.

Viver com artrite é suportAR e reinventAR o próprio corpo.

Sou a Leticia Rosa, tenho 31 anos e desde os 29 convivo com Artrite Reumatoide, moro em Campo Grande/MS, sou psicóloga e atualmente estou trabalhando.

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