Colunas da Pri Notícias ReumatoNews

Uveítes não Infecciosas podem ter graves consequências se não tratadas adequadamente

As uveítes, doenças oculares frequentemente confundidas com conjuntivite devido a vermelhidão e dor que causam, podem ser infecciosas e não infecciosas. Elas ocorrem quando há uma inflamação da úvea, camada vascular média dos olhos que inclui a íris (parte colorida dos olhos), o corpo ciliar (músculos que controlam os olhos) e a coróide (membrana que abastece a região com sangue). As uveítes também podem afetar a retina e o nervo óptico. 

As uveítes não infecciosas podem ser divididas em duas classes: secundárias a doenças imunomediadas e uveíte NIPP não Infecciosa (intermediária, posterior e panuveíte) Podem estar relacionadas a outras doenças secundárias sistêmicas como outras vasculites e doença de Behçet. Sendo rara em pacientes com espondiloartrites.  Essa segunda classe representa um percentual pequeno entre todas as uveítes: a cada 100 mil pessoas, são registrados entre 39 a 115 casos desse tipo de uveíte. 

A uveíte NIPP é mais frequente em adultos entre 20 e 65 anos e é a terceira causa de cegueira evitável no mundo, decorrente de complicações oculares causadas pela doença, como catarata, glaucoma e edema macular. Além da possibilidade da perda da visão, as uveítes podem causar distúrbios visuais como visão turva, imagem borrada, dificuldade para enxergar, descolamento da retina, distúrbio retiniana e baixa visão.  

Por isso, é extremamente importante que o diagnóstico seja feito o quanto antes. Para diagnosticar a uveíte é necessário que o paciente faça um teste ocular completo, o que incluir a medida da acuidade visual, avaliação dos reflexos pupilares, biomicroscopia de segmento anterior, tonometria e fundoscopia direta e indireta. Também poderão ser solicitados exames complementares de sangue e imagem. 

Tratamento das uveítes 

O tratamento adequado varia de acordo com a causa e o histórico médico de cada paciente, mas em geral costuma ser iniciado com a prescrição de medicamentos da classe dos glicocorticoides (prednisona). Porém, existem efeitos adversos locais associados ao uso desse medicamento, como aumento da pressão intraocular e catarata. Além de efeitos adversos sistêmicos, como osteoporose, síndrome de Cushing, diabetes, hipertensão arterial sistêmica, necrose asséptica de cabeça de fêmur e outros. 

Nos casos em que a monoterapia com glicocorticóides não é eficaz ou em que se deseja reduzir a dose deste medicamento, são prescritos imunossupressores. Eles servem como redutores da dose ou poupadores de glicocorticóides e adjuvantes no controle inflamatório. Outra classe de medicamentos que também se mostra eficaz no tratamento das uveítes não infecciosas é a dos antimetabólitos.

Também existe a alternativa de utilização do medicamento adalimumabe, da classe dos biológicos, único desse tipo a ser aprovado até então para uveítes. Ele só costuma ser prescrito após tentativas sem resposta com as demais medicações, pois trata-se de um medicamento de uso crônico e de alto custo. 

O tratamento das uveítes não infecciosas pode ser feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas que estabelece o elenco de medicamentos fornecidos por meio da farmácia de alto custo. Essa lista é composta por 5 medicamentos sintéticos: Azatioprina, Ciclosporina, Prednisona, Metilprednisolona e o biológico adalimumabe, que é o tratamento mais moderno disponível no Brasil para o tratamento da uveítes não infecciosa ativa, configurando uma grande oportunidade para os pacientes acometidos por este tipo de uveíte. 

Visando a incorporação do medicamento adalimumabe nos planos de saúde,  nesta quarta-feira, dia 18 de dezembro, a Sociedade Brasileira de Uveítes apresenta para a Agência Nacional de Saúde Suplementar o pedido de inclusão no Rol de cobertura no plano de saúde da terapia imunobiológica com adalimumabe para o tratamento de uveítes não infecciosa intermediaria posterior ou panuveítes com doença ativa devido à resposta inadequada aos corticosteroides ou em adultos com doença inativa que necessitem de redução/retirada de corticosteroides. 

O tema faz parte da pauta da 8° Reuniões Técnicas de Análise das Propostas de Atualização do Rol Ciclo 2019-2020, que acontece nesta quarta-feira, dia 18 de dezembro de 2019, no período da manhã e pode ser acompanhada ao vivo por meio do Periscope da ANS (https://www.pscp.tv/ANS_reguladora).

Fontes:

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/setembro/16/Portaria-Conjunta-PCDT-Uve–tes-SET.pdf

http://www.uveitesbrasil.com.br/noticias/view/olho-vermelho-cuidado-pode-ser-uveite.html

https://artritereumatoide.blog.br/uveite-a-doenca-pouco-conhecida-que-po

Related posts

PORTARIA Nº 24, DE 10 DE SETEMBRO DE 2012

Priscila Torres

Metotrexato previne eventos cardiovasculares?

Priscila Torres

Estudante cria acessório que acelera cura de ossos fraturados

Priscila Torres
Loading...