Se vou sentir dor e tomar remédio, pelo menos que seja de forma divertida

Não desanime quando falarem que você não tem nada, que é psicológico ou "coisa do mal" como ouvi uma vez. Procure um médico de sua confiança e siga o tratamento .

 

Não desanime quando falarem que você não tem nada, que é psicológico ou “coisa do mal” como ouvi uma vez. Procure um médico de sua confiança e siga o tratamento . Não deixe a dor mandar em você, mas tome todos os remédios receitados para combatê-la. Procure se ocupar e fazer coisas que você goste e busque apoio em que estiver disposto a oferecê-lo.

Era um dia ensolarado em Novembro de 1992, convidativo para uma caminhada na zona rural da escola onde eu era diretora. Na volta, comecei a sentir dores lombares e nas pernas e praticamente nunca mais a dor me abandonou, a não ser em curtos períodos de recuperação pós-cirurgia, por ficar deitada vários dias .

Comecei a peregrinação por médicos e exames, todos inconclusivos e caros, porque na época não tinha plano médico. Foram 4 anos até que, em 1996, encontrei o reumatologista que me acompanha até hoje e ouvi o diagnóstico de fibromialgia, sabendo que se tratava de uma síndrome classificada pela Organização Mundial da Saúde/OMS apenas em 1991, o que me conferiu um certo “pioneirismo” na doença.

Nesta época, tinha 44 anos e estava em plena atividade profissional, como diretora de escola e, graças a Deus, consegui manter minha carreira, sendo aprovada em mais um concurso público e trabalhando em período integral, sob pressão como sempre ocorre no serviço público.

Consegui me aposentar aos 57 anos, após 34 anos de serviços prestados. Nunca tirei uma licença de saúde pela fibromialgia, tomava remédio para dor todos os dias e procurava descansar bem à noite, poupando-me dos serviços domésticos pesados. O que eu ganhava me permitia pagar uma empregada 3 vezes por semana.

Meus filhos já eram adultos, o mais velho com 18 anos quando começaram as dores e foram criados com bastante independência, o que me ajudou muito nessa etapa. Além do trabalho, atuei voluntariamente como professora de Escola Dominical e regente do coral da igreja por cerca de 30 anos.

Foi uma época bastante produtiva. Era sócia de um clube de águas quentes que havia na minha cidade e ia nadar no meu horário de almoço, o que me fazia muito bem. Em 2008, comecei a tomar pregabalina que na época era ainda de patente exclusiva e muito cara, o Lyrica, lembram? Foi bom, mas não eliminou as dores, continuando a precisar dos analgésicos diários.

Pensei que depois da aposentadoria, as dores melhorariam, mas não foi assim, ao contrário. Além da fibromialgia, desenvolvi uma artrite “inespecífica” como diagnosticou meu médico, porque o teste anti-PPD dá negativo, mas o VHS e o PCR sempre estão elevados. Mesmo assim, sinto que a fibro está mais controlada, menos dores, mas continuo dependendo da Pregabalina e sinto piorar quando não tomo.

Há alguns anos, descobri que a síndrome atinge outras funções do corpo, como o intestino e a bexiga, os dois classificados como irritáveis; também tenho dores perto da orelha, maxilar e pescoço, como se tivesse gânglios inflamados e dores na cabeça. Um médico de cabeça e pescoço que consultei, disse que é tudo da fibromialgia.

Mas o que está me judiando é a artrite, nos tornozelos e nas mãos. Faço 2 aulas de hidroginástica por semana e agora pretendo acrescentar o pilates; não consigo caminhar porque estou há 3 meses com o calcanhar inflamado devido a um esporão. Atualmente, procuro viver num ritmo mais tranquilo, me guardando para as atividades que me dão prazer, como brincar com minha neta, por exemplo.

Consigo cuidar um pouco da casa em parceria com meu marido; lavo toda nossa roupa e uso um serviço de passar para as que precisam disso; não é caro e é super eficiente, vale a pena. Descanso bastante e além da pregabalina, tomo uma fórmula com codeína, dipirona e paracetamol; também tomo duloxetina, ciclobenzaprina, além do Arava e remédios para hipertensão e asma crônica.

Sou tipo acionista da farmácia (risos). Mas agradeço sempre porque posso comprá-los e posso manter essa vida mais tranquila. Viajo sempre que posso, dentro e fora do Brasil, mesmo que esteja com dores, afinal, se vou sentir dor e tomar remédio, pelo menos que seja de forma divertida.

Leio bastante e gosto de seriados no netiflix. Continuo trabalhando na igreja, cantando sempre que posso no coral de mulheres e na Ação Social, arrecadando e distribuindo enxovais de bebê. Moro com meu marido e minha mãe de 93 anos, na mesma casa desde que casei há 48 anos.

Cuido de minhas plantas, que são poucas, mas me dão muito prazer. Considero-me privilegiada pelo conforto e condições de vida que tenho, conquistados, é claro, com muito trabalho meu e do meu marido. Meus filhos estão todos com mais de 40 anos, encaminhados na vida, o mais velho, inclusive, casou-se no último sábado, numa cerimônia muito linda.

Atualmente, estou pensando em criar um grupo de apoio para pacientes com dores crônicas na minha cidade. Sei que, pela medicina, minhas doenças não tem cura, mas continuo pedindo essa graça a Deus. Enquanto Ele não me atende, aprendo a viver na sua dependência e Ele tem cuidado de mim.

Meu nome é Léia Leite, moro em Taubaté – SP.

“Dor Compartilhada é Dor Diminuída”, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

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