De 3 de agosto a 1º de setembro, São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo deverão vacinar as pessoas de 6 meses a 59 anos contra o sarampo de forma indiscriminada, ou seja, independentemente de terem sido vacinadas antes. Não será necessário comprovar histórico vacinal anterior.
A recomendação do Ministério da Saúde é que todas essas pessoas recebam o imunizante, mesmo se o esquema de duas doses da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) estiver completo. A orientação também se estende a pessoas que trabalham nas três cidades.
A pasta aproveitará o período da Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias para reforçar a proteção contra o sarampo. A estratégia foi definida após a identificação de uma cadeia de transmissão relacionada à importação do vírus nessas localidades.
Após uma nova confirmação nesta terça-feira (28), chega a 14 o número de casos de sarampo no estado de São Paulo em 2026. Durante todo o ano passado foram registrados dois casos em território paulista.
A recomendação de dose zero para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias permanece nos três municípios.
O sarampo é uma doença viral contagiosa, transmitida pelo ar, especialmente em ambientes fechados e com grande circulação de pessoas. Os principais sintomas incluem febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas avermelhadas na pele, que geralmente surgem entre 7 e 14 dias após a exposição.
Em entrevista à Folha, Eder Gatti, diretor do PNI (Programa Nacional de Imunizações), afirma que Guarulhos, São Bernardo do Campo e São Paulo possuem perfis únicos de vulnerabilidade ao sarampo devido à alta densidade populacional, intensa circulação diária entre cidades e conexões internacionais que aumentam o risco de entrada do vírus.
“Nessas cidades, a rede de contato de cada pessoa é maior do que em outros municípios brasileiros, porque são locais densamente povoados”, diz Gatti.
“Na região metropolitana, as pessoas residem num lugar e trabalham em outro. É também um grande hub de circulação de estrangeiros a trabalho ou a passeio. E temos um cenário de alta pressão de internalização do sarampo. Na América do Norte —Estados Unidos, México e Canadá—, na Guatemala, no Peru e na Bolívia, na América do Sul, há elevado número de casos”, completa.
Para conter o avanço do sarampo na Grande São Paulo, a capital, Guarulhos e São Bernardo do Campo também intensificaram ações de vigilância com busca ativa de casos em comunidades, hospitais e laboratórios.
Eder Gatti explica que a estratégia inclui a retestagem de exames de pacientes diagnosticados com doenças de sintomas semelhantes, assegurando que nenhuma infecção por sarampo passe despercebida.
A ampliação da cobertura vacinal é a única barreira definitiva contra o vírus, considerado um dos mais contagiosos do mundo. A vacinação indiscriminada focará na população adulta, que apresenta menor adesão às campanhas de imunização em comparação às crianças.
“Os três municípios também se comprometeram a fazer atividades de vacinação extramuros, ou seja, sair das unidades de saúde para levar vacina a locais públicos. As ações ocorrerão nas estações de trem, metrô e em ambientes de alta circulação de pessoas. Esses esforços de vacinação extramuros serão concentrados em áreas de maior risco, que concentrem muita gente, inclusive estrangeira”, explica.
Segundo o diretor do PNI, o estado de São Paulo investiga outros 18 casos de sarampo (o número é provisório, considerando a dinâmica das notificações).
Quem deve se vacinar contra o sarampo
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Dose zero: crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias.
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Vacinação indiscriminada: qualquer pessoa de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal (a partir de 3 de agosto).
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Rotina – demais municípios brasileiros: O esquema vacinal recomendado pelo Ministério da Saúde prevê duas doses: a primeira aos 12 meses, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral (que inclui varicela). Pessoas de 1 a 29 anos devem ter duas doses da tríplice viral, enquanto adultos de 30 a 59 anos devem ter pelo menos uma. Profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.
Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 7,2 milhões de doses da vacina tríplice viral aos estados e municípios. Do total, cerca de 2,9 milhões de doses já foram aplicadas em todo o país.
Campanha Nacional de Multivacinação
Em 2026, a ação ocorrerá de 3 de agosto a 1º de setembro, em todo o país. O Dia D de mobilização está marcado para 22 de agosto, um sábado, quando postos de saúde estarão abertos.
Em 2025, a campanha aconteceu em outubro. Neste ano, a antecipação se deve ao período eleitoral.
Durante a mobilização —direcionada a crianças e adolescentes de até 14 anos, 11 meses e 29 dias— serão oferecidas as vacinas BCG, DTP, pentavalente, tríplice viral, poliomielite inativada, pneumocócica 20, meningocócica C, meningocócica ACWY, além daquelas que protegem contra hepatite A, hepatite B, rotavírus, influenza, Covid, febre-amarela, varicela e HPV.
Fonte: Folha.
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