Pesquisadores testam no Estado novos remédios contra 15 doenças

Medicamentos para insuficiência cardíaca, câncer de mama, de pulmão, e outros estão sendo estudados para comprovar sua eficácia

Novos medicamentos para insuficiência cardíaca, asma, insônia, câncer de mama, de pulmão, e diabetes têm sido pesquisados por profissionais do Espírito Santo para demonstrar sua eficácia. Levantamento feito por A Tribuna com médicos e instituições verificou que há, ao menos, 15 novos remédios em teste, e alguns desses estudos estão recrutando pacientes para as pesquisas.

Segundo o cardiologista e pesquisador do Instituto de Pesquisas Científicas Cardioped, em Colatina, João Miguel Dantas, uma nova medicação tem sido estudada para tratar insuficiência cardíaca.

“A droga já é usada para o tratamento de diabetes tipo 2, mas agora está sendo pesquisada para pacientes com insuficiência cardíaca. A medicação tem efeito protetor para o coração. Essa doença mata mais que câncer e estamos buscando recursos para tratá-la”.

No Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam), em Vitória, pacientes com Hepatite C, que são renais crônicos, pré ou pós transplantados e como cirrose descompensada estão testando uma nova medicação.

“É uma doença fácil de tratar, e esse medicamento consegue atingir todas as populações (com os problemas citados). É um tratamento de oito a 12 semanas”, afirmou a infectologista Tania Reuter. O cirurgião vascular Brenno Seabra está envolvido em uma pesquisa que avalia os efeitos da substância Pycnogenol na prevenção de manchas escuras após a aplicação de varizes ou cirurgia.

“Esse estudo mostra que essa substância é eficaz para a prevenção. Nosso próximo passo é mostrar, por meio de pesquisa, que ela serve para o tratamento de quem já tem as manchas”, esclareceu.

A reumatologista Laiza Hombre Dias, que ajuda a coordenar uma pesquisa de artrose, no Centro de Pesquisa e Diagnóstico (Cedoes), em Vitória, explicou que a maioria dos medicamentos para a doença atua na dor sem modificar a progressão da doença. “Na artrose, ocorre um desgaste da cartilagem, gerando desequilíbrio na articulação. Essa nova medicação atuaria na formação de cartilagem, levando melhora da dor e do movimento.”

Hospital recruta pacientes

Sabina Aleixo, diretora de Centro de Pesquisa em Cachoeiro, diz que há recrutamento de pacientes com câncer (Foto: Alessandro de Paula/AT)

Sabina Aleixo, diretora de Centro de Pesquisa em Cachoeiro, diz que há recrutamento de pacientes com câncer (Foto: Alessandro de Paula/AT)

Surge uma nova esperança para quem tem câncer de mama metastático, que se espalha para outros órgãos, ou triplo negativo avançado (ausência de receptores HER2, estrogênio e progesterona): a imunoterapia, que combate a doença utilizando o próprio sistema de defesa do corpo para atacar as células do câncer.

O Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim está recrutando pacientes para participarem do estudo, que foi aprovado em março pela agência norte-americana Food and Drug Administration (FDA), que é o departamento dos EUA que regulamenta e licencia o uso de fármacos e outros produtos de prescrição médica.

Por ser um estudo competitivo, a pesquisa será feita com 495 pessoas do mundo inteiro. Para os pacientes, será oferecido o tratamento com a medicação imunoterápica chamada atezolizumabe, associada à quimioterapia.

De acordo com a diretora-médica do HECI-CPCO, Sabina Aleixo, esse tipo de câncer de mama é agressivo e com poucos tratamentos eficazes disponíveis.

“De maneira clássica, esse subtipo é associado a um prognóstico desfavorável, sobretudo na doença avançada, com desfechos de sobrevida muito aquém do desejado, sendo a sobrevida global em torno de 12 a 15 meses”, explicou.

Com o novo tratamento, segundo a médica, há mais chances de sobrevida. Segundo o Instituto Oncoguia, o câncer de mama triplo negativo é mais frequente em mulheres jovens, que representam 15% de todos os casos de câncer de mama no mundo.

Quem está muito feliz com a notícia é uma agente administrativo, de 31 anos, que mora em Cachoeiro de Itapemirim, e que por causa do sigilo do estudo, precisa manter sua identidade preservada.

“Descobri o câncer de mama no final de 2017 e tratei com quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Com a descoberta da metástase, estou nesta pesquisa para ter um melhor tratamento e mais qualidade de vida”, contou. A imunoterapia já é usada para o tratamento de cânceres de pulmão, rim, bexiga e melanoma.
O Centro também está recrutando pacientes com câncer de pulmão de pequenas células em estágios II e III.

“Estamos muito felizes em participar de estudos internacionais, mas principalmente em poder oferecer aos pacientes o melhor na área da oncologia”, afirmou Sabina.

Saiba quais são as pesquisas:

Diabetes

  • Estudo no Cedoes, em Vitória, avalia medicamento que tem o benefício de eliminar a glicose pela urina. Podem participar do estudo maiores de 18 anos com Diabetes Mellitus tipo II.

Colesterol alto

  • Também no Cedoes, uma medicação, para pressão alta, colesterol alto e diabetes, que pode reduzir as taxas de colesterol está sendo investigada. Pacientes entre 18 e 70 anos poderão participar da pesquisa.
  • Um novo medicamento também está sendo avaliado para a redução do colesterol ruim em pacientes de 10 a 17 anos, com dislipidemia.

Artrose

  • Um remédio que atua na formação de cartilagem é avaliado no Cedoes. Pacientes entre 40 a 75 anos com artrose no joelho, que estejam com dor podem se beneficiar com a medicação.

Insuficiência cardíaca

  • Medicamento que já foi avaliado para diabetes tipo 2 agora está sendo avaliado em pacientes com insuficiência cardíaca, no Cedoes, onde a faixa etária deve ser consultada.
  • O mesmo estudo é feito no Instituto de Pesquisas Científicas Cardioped, em Colatina, para pacientes selecionados.

Dermatite atópica

  • A nova medicação em teste no Cedoes está sendo avaliada em pacientes adultos com dermatite atópica grave e que fizeram uso de ciclosporina. A faixa etária deve ser consultada no Cedoes.

Anemia em paciente renal crônico

  • O novo medicamento oral auxilia no controle da anemia. O estudo feito no Cedoes seleciona pacientes acima de 18 anos que têm problemas renais e sofrem com anemia crônica.

Asma grave

  • O estudo é feito no Cedoes, para pacientes acima de 12 anos que possuem asma grave e estejam utilizando corticoides.

Doença de Crohn e colite ulcerativa

  • Um estudo está sendo realizado no Cedoes. Pacientes que não estão respondendo bem aos tratamentos convencionais poderão participar. A faixa etária deve ser consultada no Cedoes.

Insônia

  • A melatonina, está sendo avaliada para ser comercializada no País, já que não é autorizada pela Anvisa como medicamento. O estudo feito no Cedoes é para pacientes acima de 18 anos que têm transtornos do sono, ou perdem o sono fácil.

Dor neuropática

  • O remédio de uso tópico está sendo avaliado no Cedoes em pacientes que sentem dores nas mãos e pés, formigamento, adormecimento e possuem algumas outras doenças associadas. A faixa etária deve ser consultada no Cedoes.

Miopatia

  • O estudo feito no Cedoes é para pacientes com miopatia (dermatomiosite ou polimiosite) que sentem dores pelo corpo e têm difícil diagnóstico da doença. A faixa etária deve ser consultada no Cedoes.

Hepatite C

  • O Hospital das Clínicas, Hucam, está testando uma nova medicação para pacientes, atendidos no hospital, que tenham a doença e sejam renais crônicos, pré ou pós transplantados e cirróticos descompensados.

13 Manchas

  • O cirurgião vascular Brenno Seabra testou em pacientes a substância Pycnogenol na prevenção de manchas escuras após aplicação de varizes e cirurgia.

Câncer de mama

  • O Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim testa a imunoterapia atezolizumabe em pacientes com câncer de mama triplo negativo ou metastático.

Câncer de pulmão

  • O Centro de Pesquisa Clínica em Oncologia do Hospital Evangélico de Cachoeiro testa medicamentos para pacientes com câncer de pulmão em estágios II e III, para uso de imunoterapia e seleciona pacientes com câncer de pulmão pequenas células, para uso de medicamento chamado Rova-T.

Fonte: Instituições consultadas.

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