Paciente com lúpus reclama que remédio para controle da doença está em falta em hospital de Salvador

Secretaria Estadual de Saúde informou que o processo de licitação para compra do medicamento foi concluído e que o prazo para a distribuição é de 30 dias.

Paciente com lúpus reclama que remédio para controle da doença está em falta em hospital de Salvador
Secretaria Estadual de Saúde informou que o processo de licitação para compra do medicamento foi concluído e que o prazo para a distribuição é de 30 dias.

Um dos remédios importantes no controle do lúpus está em falta no Hospital Ernesto Simões, no bairro do Pau Miúdo, em Salvador. A unidade de saúde é a responsável pela distribuição do medicamento sulfato de hidroxicloroquina na capital baiana.

Um dos pacientes que estão preocupados com a falta do remédio é a manicure Marcela Nascimento. Ela conta que só tem medicamento suficiente para até o fim deste mês de setembro. Marcela entrou em contato com a farmácia do Ernesto Simões, que informou que não tem o remédio e que não há previsão para a chegada.

Segundo a manicure, a doença provoca dores intensas, e o remédio ajuda a diminuir essas dores. “Já cheguei ao ponto de dar entrada em emergência e ter que tomar morfina mais de uma vez, para poder tentar controlar a dor, porque são dores que migram para o corpo todo”, explica.

Marcela diz que está preocupada com a falta do medicamento — Foto: Reprodução/TV Bahia Marcela diz que está preocupada com a falta do medicamento.

A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde, que informou que o processo de licitação para compra do remédio foi concluído e que o prazo para a distribuição é de 30 dias. A secretaria ainda informou que, até o momento, eles não têm registro de paciente que esteja sem o uso da medicação.

Marcela descobriu há quatro anos que tem a doença. Por conta da suspensão na distribuição do remédio, desde agosto ela está tomando o medicamento graças a outras pacientes que fizeram a doação. A Caixa do sulfato de hidroxicloroquina, que dura um mês, custa em média R$ 90.

“Minha preocupação é: minha medicação vai acabar, então eu sei que vou sofrer as consequências pela falta do uso da medicação, que é justamente para controlar os sintomas causados pela doença”, diz Marcela.

O médico reumatologista Dr. Mittermayer Santiago diz que a interrupção do medicamento pode trazer riscos aos pacientes. “O tratamento de lúpus implica em uso de medicações por tempo indeterminado. A suspensão abrupta, por uma razão ou por outra, pode culminar na reativação da doença, seja quadro articular, seja quadro de pele ou até ativação renal. Então, a diminuição ou suspensão do remédio tem que ser muito bem indicada pelo médico, no momento certo, de franca inatividade. A suspensão abrupta é problemática e pode trazer riscos para a sáude do paciente”, afirma.

Médico reumatologista diz que suspensão abrupta do remédio pode trazer consequências à saúde do paciente — Foto: Reprodução/TV Bahia Médico reumatologista diz que suspensão abrupta do remédio pode trazer consequências à saúde do paciente — Foto: Reprodução/TV Bahia

O advogado Gabriel Bonfim destaca que os pacientes que se sentirem prejudicados podem acionar a Justiça.

“Primeiro o paciente deve procurar provas que de fato o medicamento, que é autorizado, que é dado por lei, não tem sido efetuado da maneira correta. Realizando provas, ele deve pegar os protocolos, fazer os registros corretos e entrar nos órgãos competentes. Lembrando que ele pode ir, tanto através do advogado particular, ou ele pode ir na Defensoria Pública, bem como ele pode procurar os núcleos das faculdades de Direito, que possuem advogados professores em treinamento de alunos, que são especializados”, diz Bonfim

O lúpus é uma doença autoimune que não tem cura, não se pega e não se transmite. O lúpus é um distúrbio crônico que leva à produção de anticorpos em excesso, e com essa alta concentração, os anticorpos passam a atacar o próprio organismo, provocando lesões e inflamações em vários órgão. Rins, pulmões e pele são os mais afetados. Noventa por cento dos pacientes é do sexo feminino. Em quase dois anos, 86 pessoas morreram na Bahia com a doença.

Fonte: G1

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