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O judô como terapia: uma arte marcial com poderes curativos

O judô é conhecido por seus ataques relâmpagos e técnicas de agarrar para derrubar o oponente, mas no Japão ele tem outra aplicação menos conhecida: o poder de cura da chamada ‘terapia de judô’.

Ao longo de sua história, o judô se ramificou em duas áreas: o ‘sappo’ ou ‘método de matar’, que se tornou o esporte olímpico atual, e o ‘kappo’ ou ‘método de reanimação’, que derivou para a arte da ‘terapia de judô’.

Os judocas usam seus conhecimentos de como as articulações, membros e músculos se movem para derrotar seus rivais, mas no ‘kappo’, os terapeutas tentam acelerar o mecanismo de cura natural do corpo para tratar lesões que não requerem cirurgia e nem tratamento hospitalar.

“Resumindo, somos especialistas em coisas como ossos quebrados, luxações, contusões e entorses”, explica Hiroyuki Mitsuhashi, diretor da Associação Japonesa de Terapeutas de Judô.

“Em vez de operar como na ortopedia, usamos as mãos para curar”, acrescenta ele à AFP.

Mais de 73.000 graduados em ‘kappo’ trabalham em mais de 50.000 hospitais em todo o Japão. De todos eles é exigida uma experiência no judô antes de se tornarem profissionais da saúde certificados.

Eles são especialmente populares entre estudantes-atletas e aqueles que sofrem com dores crônicas causadas por lesões que a medicina convencional considerou já curadas.

Uso eficiente do corpo

Yoshie Takahashi, uma agente de viagens de 59 anos, quebrou o pulso direito em janeiro passado. Ele foi ao hospital, mas mais tarde radiografias mostraram que seus ossos não estavam alinhados corretamente.

Ela deixou o médico e visitou Mitsuhashi, que conseguiu soldar os ossos usando técnicas de judô.

“Sinto menos dor”, diz Takahashi depois de visitar a clínica Mitsuhashi, onde recebe vários tratamentos. Um deles é colocar a mão na água quente com ondas de ultrassom, o que acelera a recuperação.

“Acho que (os terapeutas de judô) são mais conscientes do paciente. Eles receberam uma boa educação e explicam as coisas até você entender”, acrescenta.

Além de tratar lesões, esses terapeutas encontraram outra função em suas técnicas: manter a população idosa em forma em um país envelhecido, onde 28% têm mais de 65 anos.

Muitos desses terapeutas oferecem aulas de exercícios baseadas na arte marcial, que mantém os idosos vigorosos e mais resistentes a quedas.

Durante uma de suas aulas no início deste ano, o terapeuta Taisuke Kasuya testou cinco de seus alunos, colocando-os em uma sala com tatames de palha em um centro comunitário de Tóquio.

Por três décadas, Kasuya ensinou versões modificadas de um exercício de baixa intensidade com movimentos lentos, usando uma técnica de respiração semelhante à praticada no Tai Chi chinês.

Mas o exercício original foi desenvolvido por Jigoro Kano, considerado o pai do judô moderno.

“Use seu corpo com eficiência. Isso estimula seu metabolismo e estabiliza seu estado mental”, diz Kasuya, faixa preta de judô que recita os ensinamentos de Kano.

“Ao contrário de outros exercícios, usamos uma filosofia que funciona tanto no corpo quanto na mente”, acrescenta.

Melhorar o equilíbrio

Essas técnicas aliviaram a dor crônica que Yasue Ikezumi, farmacêutica aposentada e estudante de Kasuya, sofria havia 15 anos.

“É diferente de outros exercícios. Minhas articulações se tornaram mais flexíveis”, diz ela.

“Sentia muitas dores aos 60 anos. Agora, com quase 80, sou capaz de me manter em forma. É como se eu pudesse restaurar meu corpo”, diz ela.

Os exercícios baseados no judô podem melhorar o equilíbrio e prevenir quedas nas pessoas mais velhas, diz Koichi Haramaki, professor de artes marciais que ensina judô na região ocidental de Wakayama.

Ele ensina os mais velhos a cair, em seu ‘dojo’ (centro de treinamento de artes marciais).

“Rolando nos tatames e praticando os movimentos, eles usam os canais semicirculares (a parte do ouvido que ajuda a manter o equilíbrio) e estimulam o cerebelo”, explica à AFP.

“Se você treina como cair, no final, não cai mais. Seu equilíbrio melhora”, conclui.

Fonte: Jornal Estado de Minas.

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