Novo medicamento oral: Olumiant® (baricitinibe) melhora os sintomas refratários da artrite reumatoide

Baracitinibe é um novo medicamento composto por pequenas moléculas (de uso oral, em comprimido) registrado no Brasil em outubro de 2018, poderá fazer parte da lista de medicamentos do SUS. 

Biológico OralBaricitinib diário, um inibidor da Janus quinase JAK1 e JAK2, de uso oral, produz melhora rápida dos sinais e sintomas da artrite reumatoide em pacientes com doença ativa que não obtiveram resposta a pelo menos um inibidor do fator de necrose tumoral (TNF), como indica o estudo RA-BEACON, apresentado no congresso da The European League Against Rheumatism (EULAR Rome 2015).

Este estudo envolveu 527 pacientes, a duração média da doença no grupo avaliado era de 14 anos e cerca de 30% dos pacientes já tinham usado mais de três fármacos biológicos antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs), sendo uma coorte altamente refratária ao tratamento. No entanto, na 12ª e 24ª semanas, uma melhoria de 20% nos sintomas foi atingida em cerca de 55% dos pacientes que receberam baricitinib. Na verdade, a diferença entre os grupos usando placebo ou baricitinib já era estatisticamente significativa na primeira semana.

No momento da inscrição no estudo, os pacientes estavam estáveis com a terapia com um DMARD convencional, mas ainda tinham doença ativa, definida como mais de seis articulações inchadas e mais seis articulações sensíveis, em 68 articulações contadas, e um nível elevado de proteínas de fase aguda.

O resultado primário do estudo foi uma melhoria de 20% nos critérios do American College of Rheumatology na 12ª e 24ª semanas do estudo.

Todos os DMARDs biológicos foram interrompidos pelo menos 28 dias antes de o regime de medicamentos incluído no estudo ter sido iniciado. Os pacientes foram randomizados para receber baricitinib (4 mg/dia ou 2 mg/dia), além da terapia convencional com DMARD convencional ou com placebo. E os doentes tinham de ter tido uma resposta inadequada a pelo menos um inibidor de TNF.

Em pacientes previamente expostos a um DMARD biológico, uma melhoria de 20% foi atingida na 12ª semana por mais pacientes no grupo baricitinib 4 mg do que no grupo placebo (64% vs 32%). O mesmo padrão foi observado para pacientes previamente expostos a pelo menos três DMARDs biológicos (53% vs 13%; p<0,001).

Uma melhoria de 50% foi conseguida por mais pacientes em ambos os grupos baricitinib do que no grupo placebo na 12ª semana (34% vs 13%) e na 24ª semana (40% vs 22%; p<0,001).

O índice Disease activity score (DAS-CRP), que avalia a proteína C-reativa ao invés da taxa de sedimentação de eritrócitos, diminuiu de um modo linear ao longo do tempo nos dois grupos baricitinib, embora em maior medida com a dose de 4 mg, em relação ao grupo placebo (p<0,001). Reduções nos escores do índice Reductions in Clinical Disease Activity Index espelharam as do DAS-CRP. Mais uma vez, os resultados foram significativamente maiores nos dois grupos baricitinib, embora mais evidentes com a dose de 4 mg, do que no grupo de placebo (p<0,001).

Havia eventos adversos mais graves no grupo da dose de 4 mg do que no grupo de 2 mg na 12ª e 24ª semanas.

A taxa de infecções graves manteve-se relativamente constante em todos os grupos (2% e 3%) e não houve diferença significativa nas taxas entre quaisquer dos grupos. Em contraste, houve mais casos de herpes zóster no grupo de 4 mg do que no grupo de 2 mg ou no grupo placebo (7 vs 2 vs 2). No entanto, esses casos tenderam a ocorrer em pacientes que tiveram várias exposições a biológicos anteriormente. Este poderia ser um indicador de idade avançada, doença mais refratária ou simplesmente maior exposição a agentes imunomoduladores. Houve também uma diminuição ligeira na contagem de hemoglobina e de neutrófilos, mas nenhuma elevação de enzimas hepáticas grau 3 ou 4 ou raras interrupções do tratamento devido a alterações laboratoriais.

Outros estudos com o baricitinib em pacientes que nunca usaram DMARD e em doentes que não alcançaram uma resposta adequada ao metotrexato estão em andamento.

O baricitinib é uma opção de tratamento que pode ser usado por via oral. No entanto, no estudo RA-BEACON, o risco de herpes zóster aumentou e os níveis de hemoglobina diminuíram, o que mostra que os efeitos colaterais deste medicamento precisam ser atentamente avaliados antes de estabelecer esta terapia.

O estudo foi financiado pela Eli Lily e Incyte Corporation.

27/10/2018: Atualizações sobre o Registro na Anvisa do Baracitinibe

Novo medicamento oral pode diminuir inflamações e deformidades nas articulações, devolvendo a qualidade de vida aos pacientes

A Anvisa aprovou o registro de Olumiant® (baricitinibe), da Eli Lilly, medicamento indicado para o tratamento de artrite reumatoide em pacientes adultos com resposta inadequada ou intolerância às terapias padrão. Estudos clínicos com mais de 3.000 pacientes com AR em atividade moderada a grave foram realizados para comprovar a eficácia e a segurança do produto e esses dados embasam a sua aprovação. Os resultados dos estudos demonstraram uma melhora significativa na inflamação das articulações, retardo na progressão das deformidades e melhora rápida nos sintomas clássicos da doença, tais como a dor articular, a fadiga e a rigidez matinal.

A artrite reumatoide, pela sua natureza progressiva e incapacitante, requer o diagnóstico precoce e o início rápido de um tratamento eficaz com medicamentos capazes de controlar os sintomas e evitar deformidades. Baricitinibe é um medicamento sintético, de uso oral e diário, que tem a função de inibir as proteínas JAK 1 e 2. A inibição das proteínas JAK reduz a produção de substâncias inflamatórias responsáveis pela evolução da AR.

Fruto de um acordo mundial entre a Eli Lilly e Incyte, baricitinibe já foi aprovado em mais de 40 países, entre eles EUA, União Europeia, Kuwait, Suíça, Austrália e Japão.

Sobre Olumiant

OLUMIANT em monoterapia ou em combinação com metotrexato (MTX) é indicado para o tratamento de pacientes adultos com artrite reumatoide ativa moderada a grave com resposta inadequada ou intolerância a um ou mais antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs não biológicos e biológicos).

Fonte: EULAR Rome 2015

NEWS.MED.BR, 2015. Novo medicamento biológico melhora os sintomas refratários da artrite reumatoide. Disponível em: <http://www.news.med.br/p/pharma-news/794234/novo-medicamento-biologico-melhora-os-sintomas-refratarios-da-artrite-reumatoide.htm>. Acesso em: 14 jul. 2015

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