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Mude de médico quantas vezes for preciso

Tudo começou no fatídico dia dos pais do ano passado (2019). Ofereci um almoço na minha casa ao meu irmão e minha mãe, que sempre foi além de mãe, meu pai também.Preparei uma lasanha e a hora que estava pronta fui retirar do forno com a mão direita, daí surgiram as primeiras dores. Senti uma dor tão forte no punho que necessitei utilizar a mão esquerda para não deixar a forma cair.

A princípio imaginei que o punho tinha aberto. Coisa que ouvimos ao longo da vida. Passou-se alguns dias e as dores não melhoravam. Fui até a farmácia e pedi orientação a farmacêutica que me indicou um anti-inflamatório, pomada e o uso de uma munhequeira. Dei continuidade na minha rotina, imaginando que tudo iria ficar bem.

Depois de quase uma semana não conseguia mais mover meu braço com destreza, quando mexia o polegar parecia que alguma coisa estava descolada dentro de mim, o som era quase a de um rangido. Procurei ajuda médica, ortopedia na Santa Casa, o médico pediu um raio-x, não acusou nada, fez pouco caso me mandando pra casa com mais do mesmo que já tinha encontrado na farmácia.

Em dois dias as dores pioraram, minha garganta fechou e perdi a voz, além do braço doendo. Procurei o Hospital do Servidor Municipal de São Paulo, novamente emergência ortopédica. Esse ainda tentou ser mais cauteloso, chutou em tendinite e me passou medicação intravenosa e receituário para casa.

Até que melhorei um pouco, tentei retornar para o trabalho, mas depois de um tempo as dores retornaram. Procurei uma consulta ortopédica a nível ambulatorial. Mais uma vez o descaso, contei meu relato e o médico zombou de mim, dizendo que estava mais preocupado com o meu piercing no nariz do que com o meu punho. Me passou uma guia de ultrassom e mais remédio.

Ao passar dos dias, além do pulso o meu estômago não aguentava de tanta dor por causa da medicação. Chegou o dia da ultrassom, dia 2 de setembro de 2019. A hora que o médico responsável pelo exame começou já disse o que eu tinha “Tenossinovite do primeiro compartimento extensor” disse que pelo tamanho da inflamação da bainha, deveria fazer fisioterapia.

Ignorei o retorno ao médico grosseiro e procurei uma clínica geral na minha cidade. Atenciosa e respeitosa, olhou o meu exame e iniciou um tratamento baseado em compressas de gelo, repouso, injeção e anti-inflamatório. Me afastou do trabalho por 10 dias e pediu que retornasse antes de vencer a licença para ela avaliar a situação.

Foram 40 dias nesse movimento onde além das medicações foram indicados como tratamento alternativo a fisioterapia e acupuntura, por volta de 20 dias minha mão direita estava ganhando volume de inchaço e dores insuportáveis.

Procurei um reumatologista, me passou um exame chamado eletroneuromiografia dos membros superiores. Não consegui realizar até hoje esse exame porque nunca há vagas e como é um exame caro não consegui pagar. O médico ignorou todos os meus sintomas e disse que era para voltar só quando tivesse o exame em mãos.

Procurei um ortopedista no Hospital do Servidor Estadual, esse médico até foi mais atencioso. Olhou os exames que tinha na época e o solicitado. Para facilitar me indicou uma ressonância da mão direita e mandou imobilizar com gesso por 10 dias a região do punho e depois que tirasse deveria utilizar uma órtese para descansar o tendão inflamado. O mesmo me encaminhou para um grupo de mão, que semanas depois consegui encaixe para dezembro, não dava para esperar, ou seja, precisei retornar com a clinica geral que estava me ajudando inclusive para mostrar o resultado da ressonância.

Não dava para esperar dezembro, as dores já estavam subindo pro ombro. Quando ela me recebeu em sua sala após ler os exames a primeira coisa que me perguntou foi se em algum momento da vida fui diagnosticada com artrite. Desabei na sala, porque já tinha conhecimento de como essa doença é incapacitante, temos uma amiga muito próxima da família que está acamada por essa doença.

A médica me acalmou e me encaminhou para a reumatologia. A minha primeira experiência não foi boa e a segunda também não foi. Consegui uma consulta ambulatorial com a reumatologia do hospital do servidor. Levei tudo o que tinha até ali. Chegando lá, os médicos me ouviram, viram os exames e receituários. Eram dois residentes e a professora. Ela ignorou o resultado da minha ressonância magnética que já dava indicações de artropatias inflamatórias e apostou na tendinite.

Me tirou as medicações que a essa altura já estavam me fazendo mal e me passou dipirona. Foi a pior semana da minha vida, sem os corticoides que estavam de certa forma aliviando tudo isso, até a água do banho me doía. A dor estava difusa, no corpo inteiro, eram dias e noites em cima de uma cama chorando de desespero sem saber o que fazer.

Para piorar minha última licença estava vencendo e ela não renovou alegando que precisava fechar o meu diagnóstico. Cheguei num ponto tão crítico que a minha mãe queria me internar porque não aguentava me ver naquele estado. Fui fazer a perícia dos meus últimos dias de licença e por sorte encontrei uma colega de trabalho que também estava afastada.

Contei a minha história e diante dos fatos ela me indicou a reumatologista que a trata há anos. Não citei nome dos médicos que passaram por mim por uma questão de ética, mas essa médica eu preciso dizer quem é, Dra. Deise, uma senhora que me tratou com um respeito tão grande, que me deu uma atenção que nenhum outro médico me deu, que fez questão de me tocar para examinar, que secou minhas lágrimas enquanto chorava no exame clínico. Eu estava desesperada e ela pronta a me ajudar. Olhou meus exames, receituários e disse “Tem cara de artrite só precisamos saber qual é, aonde mais está e se tem alguma outra doença correlacionada.”

Me passou diversos exames, ultrassons, exames de raio-x e laboratoriais. Perguntou se estava trabalhando, expliquei minha situação e na hora respondeu que não poderia voltar desse jeito, me afastou por 30 dias. Utilizei esse tempo para fazer todos os exames que me pediu. Nossa primeira consulta foi dia 15 de outubro, retornei dia 14 de novembro. Cheguei na consulta e passei quase duas horas sob seus cuidados.

Ela analisou com cuidado cada dado dos exames de laboratório, cada ultrassom, me perguntou se o tratamento que ela havia iniciado com a prednisona e o metotrexato tinham melhorado. Ao final perguntei se ela ainda achava que era artrite reumatoide e sem titubiar respondeu que sim, era artrite reumatoide soro negativa, pois nos exames de sangue, apenas o PCR estava alterado, mas todas as ultrassons indicavam inflamações, tendinopatias e Tenossinovites nos ombros, cotovelos e punhos, sem contar os joelhos e tornozelos que já apresentavam dores, indícios de inflamações.

Minha medicação foi mudada para os biológicos que ainda vou dar início. Agora com mais esperança de melhorar efetivamente. Foi uma caminhada árdua, talvez não tão longa como a maioria dos pacientes de AR, mas tão difícil quanto.

Tenho 26 anos e ser ignorada pela maioria dos médicos por seus preconceitos baseados na minha idade foi doloroso demais. Paguei um preço alto demais pelo despreparo dos médicos que antecederam a minha atual reumatologista. Por isso digo a você que está num momento parecido com o que passei de incerteza e descrédito. Não se contente. Nós portadores de AR merecemos o melhor atendimento, o melhor tratamento e respeito nas nossas individualidades.

Não desistam, para um fechar o diagnóstico além dos exames certos precisamos de um bom reumatologista. Troque de médico quantas vezes for preciso, principalmente se ele não demonstrar interesse sobre o seu caso.

A artrite reumatoide não é doença somente da terceira idade, ela simplesmente surge e nós temos o direito de obter qualidade de vida com o tratamento adequado. Mude de médico quantas vezes for preciso, só não aceite viver com as dores insuportáveis e a incapacidade. A gente nasceu para brilhar, não para sofrer em cima de uma cama sem perspectiva!

Meu nome é Thais, tenho 26 anos, convivo com o diagnóstico de artrite reumatoide a 3 meses, sou professora e moro em São Paulo-SP

“Dor Compartilhada é Dor Diminuída”, conte a sua história e entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

É simples, preencha o formulário no link http://ow.ly/gGra50nFGJp

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