Lúpus: prevenção, diagnóstico e tratamentos

Dra. Marta Maria das Chagas explica sobre como funciona a doença e destaca que é possível sim, alcançar a remissão

O lúpus também foi tema do Encontro Nacional de Pacientes Reumáticos, realizado em Fortaleza, no Ceará.  Prevenção, diagnóstico e tratamentos disponíveis foram pauta da palestra proferida pela médica Marta Maria das Chagas. O lúpus é uma doença autoimune, não contagiosa, sem cura, mas que possui controle por meio da remissão.

Apesar de atingir em sua maioria mulheres em idade reprodutiva – cerca de 9 a 10 mulheres para cada homem são acometidos da doença – a médica afirmou que qualquer pessoa pode desenvolver lúpus. “Qualquer raça, idade ou nível socioeconômico, de qualquer lugar. Não existe uma predileção para a doença afetar”, disse. No Brasil, cerca de 100 mil pessoas têm o diagnóstico. Destas, uma em cada mil mulheres. Mesmo com números expressivos é considerada uma doença rara.

Lúpus pode atingir qualquer órgão 

O lúpus é uma doença crônica e pode afetar qualquer órgão. “Contudo, isso não quer dizer que o paciente vai ter todos os órgãos afetados. Isso é o que a torna uma doença bem desafiadora, porque ela pode afetar qualquer órgão numa combinação única. Uns podem apresentar na pele, outros nas articulações, nos rins, etc.”, revela a médica. 

A doença também é caracterizada por período de atividade e remissão, ou seja, ora a doença está em atividade, o que requer uma mudança de plano de tratamento, ora está em remissão, quando o paciente está bem e toma a medicação continuamente em doses mais baixas.

Como se desenvolve o lúpus 

Para o desenvolvimento da doença existe uma combinação entre fator genético e ambiental. O paciente que tem lúpus tem uma predisposição genética, mas em geral é o conjunto desses fatores ambientais como o cigarro, a luz do sol, estresse, infecções por micro-organismos, hormônios femininos, entre outros, que podem desencadear a doença. “Hoje já está comprovado que o cigarro não é só fator de risco para o lúpus, mas é fator de risco para outras doenças reumáticas como artrite reumatoide, além do risco de diminuir o efeito dos medicamentos. Há também os anticoncepcionais com estrógeno. Por isso, orientamos as nossas pacientes jovens a falar com o seu ginecologista para ver um outro método anticoncepcional que não o oral a base de estrógeno”, explica doutora Marta.

Além disso, o sol é um vilão. “O sol é irradiação. Quando esse comprimento de onda penetra na pele, ele é absorvido pelas células e a pele que absorve acaba morrendo, porque a irradiação mata aquela célula. Essa morte estimula a produção dos anticorpos. O sol faz mal para pele, mas o sol também tem efeito sistêmico, porque esse anticorpo que é formado se junta com a proteína considerada estranha, o antígeno, e circula no sangue, depositando-se em qualquer órgão. Então, o sol pode piorar sim, uma dor articular”, destaca a especialista. 

Sintomas do lúpus 

Os sintomas gerais da doença são cansaço, desânimo, febrícula – uma febre baixa -, perda de apetite, dor nas juntas, quedas de cabelos, inflamação na pleura, pressão alta, problema nos rins, inchaço nas pernas, sangramentos, alteração no humor, depressão, mudança de comportamento e perda de peso. “Se a pessoa tem esses sintomas é importante procurar um médico, pois esse pode ser o início da fase de atividade da doença”, alerta a médica. Outros sintomas podem ser manchas na pele que aparecem com o sol, feridas na boca e no nariz, que são indolores. “Diferente das aftas que doem muito, a do lúpus não doem. É preciso abrir a boca e procurar para ver se tem ferida”. 

Ainda assim, as manifestações são muito distintas de uma pessoa para a outra, por isso é importante ficar atento a qualquer sintoma e procurar tratamento médico. O diagnóstico é feito baseado na presença de sintomas característicos e exames complementares. “Não existe, absolutamente, nenhum exame isolado que diga que o paciente tem lúpus”, destaca doutora Marta.

Fatores de risco 

Além de evitar os fatores de risco, o paciente terá que tomar remédios, que vão depender do tipo de manifestação. “O mais comum é o difosfato de cloroquina, que deve ser usada em qualquer tipo de lúpus. É um medicamento excelente, ajuda os outros medicamentos e poupa o uso de corticoide. Assim o paciente tem uma sobrevida maior, menos reativação da doença e quando tem é muito mais leve do que os pacientes que não tomam”, destaca a reumatologista. O objetivo do tratamento é alcançar e manter a remissão da doença, que é o controle da atividade do lúpus.

Por isso, a médica faz um alerta sobre a importância de ter um acompanhamento médico. “É preciso realizar exames periodicamente, juntamente com o tratamento adequado para cada paciente. É importante fazer atividade física, não fumar, prevenir osteoporose com cálcio e vitamina D”, exemplifica. Os principais problemas enfrentados pela doença a longo prazo são infecções nos 10 primeiros anos e doenças cardiovasculares nos outros 15 a 20 anos. “Por isso, a gente tem que ficar bem amiguinho da doença, saber que ela tá ali do lado, não descuidar, mas também não deixar ser dominado por ela”, encerrou.

 

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