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Lúpus: entenda a doença e a função da alimentação no tratamento

Alterar alguns hábitos alimentares é uma excelente maneira de conviver com a doença

A Lúpus é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, ou seja, o sistema imunológico do paciente ataca o seu próprio organismo. É uma das doenças incuráveis incluídas na campanha de conscientização e prevenção

De acordo com a médica reumatologista Mariana Piccoli, que atende em Dourados, as causas da Lupus são desconhecidas, mas há participação fatores ambientais, genéticos e hormonais no desencadeamento da doença, que se não for tratada a tempo pode levar o paciente a óbito. “Ocorre principalmente um desequilíbrio na produção de anticorpos que reagem com proteínas do organismo e causam inflamação nos órgãos”, explicou a especialista.

A médica destaca que as manifestações da doença podem ser classificadas em dois tipos:

Lúpus cutâneo: se manifesta com manchas de pele principalmente em áreas de exposição solar, como exemplo a lesão conhecida em “asa de borboleta”, na qual surgem manchas avermelhadas na região nasal e nas maçãs do rosto.

Lúpus Eritematoso Sistêmico: afeta órgãos como rins, nervos, cérebro, pleura (membrana que recobre pulmão), pericárdio (do coração).

“Sintomas gerais como fraqueza, febre baixa, emagrecimento, perda de apetite, artralgia ou queda de cabelo também podem ocorrer”, alertou Mariana.

Os pacientes diagnosticados com lúpus enfrentam dores intensas e constantes. Eliane Regina Das Neves Lima Ferreira, de 35 anos, moradora em Dourados, descobriu a doença há pouco tempo e enfrenta dificuldades na gestação de 20 semanas. “Descobri há 6 meses, após notar manchas na pele”, afirmou.

“Sinto dores todos os dias, com variações de intensidade. Comecei um tratamento a base de corticoide, porque várias crises aconteceram até o organismo se adaptar a medicação. Ainda assim enfrento crises, a sensação é de uma gripe muito forte, com febre, inchaço e muita dor”, relatou Eliana, que tem que ficar em constante repouso para conciliar a gravidez com a doença.

Uma das formas eficazes para garantir os chamados períodos de remissões (ausência de dores) e melhorar a qualidade de vida do paciente é a alimentação. A nutricionista Bianca Karolayne Lopes Gonçalves, que atende em Dourados, destaca que certos alimentos podem ser melhores que outros para gerenciar os sintomas da doença. “Alterar alguns hábitos alimentares é uma excelente maneira de conviver com o Lúpus”, pontuou.

A nutricionista explicou que a autoimunidade e o processo inflamatório do LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) estão diretamente relacionados a alterações do perfil lipídico e ao metabolismo de lipoproteínas na doença, por isso alguns alimentos devem ser evitados.

“Os alimentos que se deve evitar no tratamento são os embutidos (calabresa, salame, mortadela, presunto, salsicha), os enlatados (peixes, azeitonas, picles) os temperos prontos (concentrados em cubos, ketchup, maionese, molho inglês, shoyu), sopas desidratadas, margarina, frituras, alimentos pré-prontos e congelados, as bebidas alcoólicas, os doces, bolos industrializados, tortas, sorvetes, farinha branca (pães e massas), sobremesas açucaradas em geral”, listou a especialista.

“Esses alimentos podem causar a hiperinsulinemia, assim aumentando o estresse oxidativo, que é considerado um importante mecanismo fisiopatológico para o desenvolvimento da aterosclerose, além de serem inflamatórios”, explicou Bianca.

Alguns estudos revelam que o Diabetes Melitus é significativamente mais comum em pacientes com LES (Lúpus Eritematoso Sistêmico) que na população em geral, devido à redução da sensibilidade à insulina, e que aproximadamente 18%-38% dos pacientes apresentam síndrome metabólica.

“É importante notar que mais da metade dos pacientes com LES apresentam três ou mais fatores de risco para doença cardiovascular, particularmente obesidade, hipertensão arterial sistêmica e dislipidemias, sugerindo que são realmente mais suscetíveis à Síndrome Metabólica”, salientou a nutricionista.

Em relação aos alimentos benéficos a profissional disse que a dieta deve ser adaptada às necessidades individual de cada paciente, porém ressaltou que uma promissora forma de abordagem do Lúpus é a dietoterapia, com indicação de alimentação rica em vitaminas, minerais (principalmente os antioxidantes: vitamina A, E, C, D, complexo B, minerais selênio, cálcio, ferro), probióticos, ácidos graxos mono/poli-insaturados e moderado consumo energético, visando à redução dos marcadores inflamatórios e ao auxílio no tratamento dessas comorbidades e das reações adversas aos medicamentos.

Fonte: Dourados agora

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