Tudo o que você precisa saber sobre doenças reumáticas

A médica Maria João Salvador do Hospital Universidade de Coimbra em Portugal, Assistente Hospitalar Graduada de Reumatologia, falou em detalhes com a Revista Lifestyle ao Minuto sobre as doenças reumáticas, que afetam mais de metade da população portuguesa, apesar de uma em cada dez pessoas não ter conhecimento da doença e de apenas cerca de 22% estarem oficialmente diagnosticadas.

“São doenças muito frequentes. O Estudo Epidemiológico de Doenças Reumáticas em Portugal – EpiReumaPt – mostrou que cerca da metade dos portugueses sofre de, pelo menos, uma doença reumática. Como são, muitas vezes, doenças crônicas, acabam por ser a causa de grande incapacidade para o trabalho (e também a vida pessoal), absentismo, reformas antecipadas e invalidez. Muitas vezes, estas limitações levam a dificuldades econômicas, além do gasto acrescido com medicamentos, consultas e exames complementares de diagnóstico. Sabemos que estas doenças ocupam o segundo ou terceiro lugar dos encargos decorrentes com consumo de medicamentos e constituem a primeira causa de incapacidade temporária”, refere Maria João Salvador.

Sabia que a ocorrência de artrite reumatoide é quatro vezes maior nas mulheres (75%) ? E que a espondiliartrite afeta, sobretudo, os homens?

“Em Portugal, mais de metade da população adulta sofre de doenças reumáticas (56%), mas três em cada 10 pessoas nem sequer sabem e apenas cerca de 22% estão diagnosticadas. As doenças reumáticas são doenças que afetam o sistema musculoesquelético, isto é, músculos, ossos, articulações, cartilagem, e/ou estruturas peri-articulares (como tendões, ligamentos, fáscias, etc)”, explica a médica.

As doenças reumáticas representam um conjunto de patologias que afetam os ossos, articulações, cartilagens, músculos, tendões e ligamentos. Dividindo-se em dois grandes grupos: doenças reumáticas crônicas imunomediadas (como por exemplo a Artrite Reumatoide e Espondiliartrites) e doenças reumáticas não imunomediadas (como é o caso da Osteoporose).

Em entrevista ao Lifestyle ao Minuto, Maria João Salvador destacou a importância de conhecer os sintomas iniciais e de um diagnóstico precoce como forma de prevenção: “As doenças reumáticas causam dor intensa e persistente, limitação de mobilidade, mas também podem levar a alterações articulares, com erosões e destruição da articulação. É, por isso, muito importante fazer um diagnóstico precoce, para se evitar o sofrimento e incapacidade dos doentes, bem como prevenir as deformidades articulares”.

O que são as doenças reumáticas?

Em Portugal, mais de metade da população adulta sofre de doenças reumáticas (56%), mas três em cada 10 pessoas nem sequer sabem e apenas cerca de 22% estão diagnosticadas. As doenças reumáticas são doenças que afetam o sistema musculoesquelético, isto é, músculos, ossos, articulações, cartilagem, e/ou estruturas peri-articulares (como tendões, ligamentos, fáscias, etc).

Dividem-se em quantos grupos? 

Existem mais de uma centena de doenças reumáticas, a maior parte das vezes crônicas, que podem afetar pessoas de ambos os sexos e de todas as idades.

De forma geral, as doenças reumáticas podem subdividir-se em: doenças reumáticas crônicas imunomediadas, como a Artrite Reumatoide, as Espondilartrites, o lúpus eritematoso sistêmico, etc; e doenças reumáticas não imunomediadas, como por exemplo a fibromialgia, a osteoporose e a osteoartrose.

Qual é o impacto deste tipo de doenças no dia a dia das pessoas afetadas?

São doenças muito frequentes. O Estudo Epidemiológico de Doenças Reumáticas em Portugal – EpiReumaPt – mostrou que cerca de metade dos portugueses sofre de, pelo menos, uma doença reumática. Como são, muitas vezes, doenças crônicas, acabam por ser a causa de grande incapacidade para o trabalho (e também a vida pessoal), absentismo, reformas antecipadas e invalidez. Muitas vezes, estas limitações levam a dificuldades econômicas, além do gasto acrescido com medicamentos, consultas e exames complementares de diagnóstico. Sabemos que estas doenças ocupam o segundo ou terceiro lugar dos encargos decorrentes com consumo de medicamentos e constituem a primeira causa de incapacidade temporária.

Qual é a importância de um diagnóstico precoce?

As doenças reumáticas causam dor intensa e persistente, limitação de mobilidade, mas também podem levar a alterações articulares, com erosões e destruição da articulação. É, por isso, muito importante fazer um diagnóstico precoce, para se evitar o sofrimento e incapacidade dos doentes, bem como prevenir as deformidades articulares. Hoje em dia existem medicamentos muito eficazes para estas doenças, que podem impedir estas alterações, desde que sejam usados o mais cedo possível por médicos reumatologistas.

Fale-nos mais sobre a Artrite Reumatoide (AR). O que causa o aparecimento desta doença?

Não se sabe bem o que pode causar a AR, mas pensa-se que resulta de uma combinação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Sabe-se que em determinadas pessoas com suscetibilidade genética, que têm determinados anticorpos em circulação, há maior risco de vir a desenvolver a doença. Este risco aumenta se forem fumadoras. Por este e muitos outros motivos, é boa ideia não fumar!

Nestes doentes, o sistema imunitário reage contra o próprio organismo do doente (doença auto-imune), causando inflamação das articulações, entre outras manifestações.

Quais são os sintomas?

O sintoma principal é a artrite, ou seja, inflamação das articulações, que ficam inchadas, dolorosas, quentes e com limitação de movimentos. Qualquer articulação pode ser afetada, mas atinge preferencialmente as mãos e pés. Pode também estar associada a cansaço, dores musculares, perda de peso, febre, secura ocular e oral, bem como muitas alterações de órgãos internos e pele.

Qual é o nível de prevalência entre os sexos feminino e masculino?

A AR é duas a quatro vezes mais prevalente em mulheres (75%) do que nos homens.

Em média a partir de que idade se manifesta?

Esta doença pode ser desenvolvida por pessoas de todas as idades, incluindo adolescentes. No entanto, aparece mais entre os 30 e 40 anos, e depois da menopausa.

Quais os tratamentos disponíveis?

Existe uma grande variedade de medicamentos disponíveis para o tratamento da AR. Todos eles devem ser prescritos por médicos experientes no tratamento desta doença, pois devem ser adaptados a cada doente em particular. É possível usar analgésicos, anti-inflamatórios não esteroides, corticosteroides, bem como os chamados DMARDs (medicamentos modificadores da doença) clássicos ou biológicos. Em adição, todos os doentes devem ser aconselhados a não fumar e a manter um estilo de vida saudável, realizando exercício físico regularmente. É possível, com um tratamento bem orientado, evitar as deformações e incapacidade que a AR pode provocar.

Tem cura?

Alguns doentes entram em remissão da doença, isto é, deixam de ter sinais e sintomas da mesma. Em alguns casos, podemos mesmo ir reduzindo até parar toda a medicação do doente. Infelizmente, não conseguimos prever quais os doentes em que isto é possível, pois muitos outros doentes necessitam de continuar sob tratamento durante anos.

Qual é a incidência da Artrite Reumatoide em Portugal? E no mundo?

Em Portugal, estima-se que afete 0,8 a 1,5% da população. Nos países industrializados, a percentagem é cerca de 0,5-1,5% da população, com a incidência a variar entre dois a quatro casos por cada 10 mil pessoas / ano.

E quanto às Espondilartrites, o que causa o aparecimento desta doença?

Não sabemos com certeza qual a causa destas doenças, mas resultam de uma desregulação do sistema imunológico. Para tal, contribuem fatores genéticos (ex. presença do HLA-B27) mas que não são suficientes para se confirmar o diagnóstico, pelo que se pensa haver outros fatores intervenientes, nomeadamente os fatores ambientais.

Fazem parte deste grupo a espondilite anquilosante, a artrite psoriásica, a artrite associada às doenças inflamatórias do intestino (doença de Crohn ou colite ulcerosa) e a artrite reativa, entre outras formas.

Quais são os sintomas?

O sintoma dominante é a dor inflamatória da coluna lombar e sacroilíacas (podendo atingir toda a coluna). Esta dor surge durante o repouso, acordando muitas vezes o doente durante a noite, acompanha-se de rigidez (doente sente-se ‘perro’) e melhora com o movimento. Com o evoluir da doença, vai perdendo mobilidade da coluna em todas as direções. Pode também ter dor e inflamação de outras articulações, bem como enteses (ex. da inserção do tendão de Aquiles). Estes doentes apresentam frequentemente cansaço e podem ter alterações de órgãos internos, da pele e do olho.

Qual é o nível de prevalência entre os sexos feminino e masculino?

O sexo masculino é o mais afetado, numa relação de três homens para uma mulher.

Em média a partir de que idade se manifestam?

As Espondilartrites surgem, geralmente, entre os 20 e 30 anos.

Quais os tratamentos disponíveis?

Todos estes doentes devem praticar atividade física de forma regular, como por exemplo natação ou hidroginástica, para manter a mobilidade e posição da coluna. Para o alivio da dor e controlo da doença, os anti-inflamatórios não esteroides são bastante eficazes. Porém, alguns doentes necessitam de outro tipo de medicação, os chamados DMARDs (medicamentos modificadores da doença), quer por terem envolvimento de articulações periféricas, quer por persistência das queixas da coluna. Estes podem ser clássicos ou biológicos.

Tem cura?

Podemos controlar muito bem os sintomas e evitar a perda de mobilidade da coluna e outras complicações, permitindo ao doente uma vida perfeitamente normal.

Qual é a incidência das Espondilartrites em Portugal? E no mundo?

A sua prevalência na população portuguesa pode ir até 1,6%, sendo muito variável no mundo, podendo ficar entre os 0,5 e 1%.

Fonte: LyfeStyle – Ao Minuto

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