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Esquizofrenia pode ser semelhante a distúrbios imunológicos

Condições inflamatórias e autoimunes são mais comuns em pacientes com esquizofrenia, indicando que há uma possível causa subjacente compartilhada por essas doenças

Um estudo realizado por cientistas clínicos da Universidade de Manchester (Reino Unido) mostrou que a esquizofrenia pode – em parte – ser causada pelo funcionamento desordenado do sistema imunológico. As descobertas foram publicadas no “Journal of Translational Psychiatry”.

O primeiro teste de esquizofrenia com o poderoso medicamento imunossupressor Metotrexato produziu o que a equipe descreveu como efeitos “promissores” no que é conhecido como sintomas positivos, como ouvir vozes.

Embora a equipe enfatize que o tamanho da amostra era muito pequeno para mostrar se o metotrexato poderia funcionar como um complemento no tratamento da esquizofrenia, os pesquisadores encontraram um efeito terapêutico “intrigante” nos sintomas da esquizofrenia inicial. E isso, eles argumentam, justifica uma investigação mais aprofundada.

As descobertas lançaram uma nova luz sobre essa condição devastadora e difícil de tratar, que causa sofrimento e incapacidade em todo o mundo.

Sintomas positivos e negativos

A esquizofrenia é categorizada pelos chamados “sintomas positivos”, como ouvir vozes (alucinações), e “sintomas negativos” (pensamento desordenado, falta de motivação, função social deficiente). Os sintomas negativos, que contribuem significativamente para a deficiência associada à esquizofrenia, são difíceis de tratar com os medicamentos disponíveis atualmente.

O estudo foi financiado pelo Stanley Medical Research Institute nos Estados Unidos em colaboração com o Instituto de Vida e Aprendizagem do Paquistão.

O teste ocorreu no Paquistão, liderado pelo professor Imran Chaudhry, da Universidade de Manchester. Após anos de serviço no Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), Chaudhry mudou-se para o Paquistão para continuar a praticar psiquiatria.

A falta de tratamentos disponíveis para esses sintomas encorajou a equipe do professor Chaudhry a investigar novas opções de tratamento para a esquizofrenia.

O metotrexato é frequentemente usado para tratar doenças inflamatórias, como artrite reumatoide e doença de Crohn.

As condições inflamatórias e autoimunes são mais comuns em pacientes com esquizofrenia, possivelmente indicando que há uma causa subjacente compartilhada para essas doenças.

Dose baixa

“Acredita-se que o metotrexato ajude a tratar doenças autoimunes, redefinindo a forma como as células T – uma parte importante do sistema imunológico – funcionam”, disse Chaudhry. “Essa ação no sistema nervoso central pode ser responsável pela melhora dos sintomas que encontramos em nosso estudo”, acrescentou.

Eles usaram uma dose baixa de 10 mg da droga. Ela foi administrada junto com a medicação psiquiátrica de rotina dos pacientes. Nenhum efeito colateral significativo foi relatado pelos pacientes que tomaram metotrexato, sugerindo que o medicamento foi relativamente bem tolerado.

Nusrat Husain, professor de psiquiatria e diretor de pesquisa em saúde mental global da Universidade de Manchester, afirmou: “Usamos a menor dose clinicamente eficaz em doenças autoimunes que muitas vezes precisam ser aumentadas para que doses mais altas possam produzir um efeito mais poderoso na esquizofrenia. No entanto, os riscos para a saúde do metotrexato são substanciais e requerem monitoramento cuidadoso, razão pela qual excluiríamos grandes estudos não focados”.

O psiquiatra dr. Omair Husain, pesquisador honorário da Universidade de Manchester e professor assistente baseado na Universidade de Toronto (Canadá), disse: “Os sistemas imunológicos podem estar envolvidos na esquizofrenia e isso levanta questões fascinantes. Talvez um dia possamos identificar subconjuntos de pessoas com esquizofrenia que possam responder a tratamentos que atuam no sistema imunológico”.

“O pequeno e inesperado efeito que encontramos em nosso estudo justifica uma investigação mais aprofundada que agora acreditamos ser viável”, acrescentou ele. “O trabalho futuro precisa se concentrar na identificação desses subgrupos, possivelmente por meio de estudos que usam técnicas avançadas de imagem cerebral e técnicas de perfil imunológico de ponta.”

Fonte: Revista Planeta.

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