Diferença entre psoríase e artrite psoriásica #encEA2018

Em palestra, dermatologista explica causas, tratamentos e dicas de como evitar as crises

Comemorando a terceira edição este ano, o Encontro de Espondiloartrites realizado em 5 de maio, em São Paulo, reuniu mais de 100 pessoas, entre pacientes e médicos, para muita troca de informação e aprendizado mútuo. O evento, que é uma realização das ONGs EncontrAR, Grupar RP, GRUPASP e da Associação Brasileira Superando o Lúpus, contou com palestras com diversos especialistas, entre eles médicos reumatologistas, dermatologista e advogado, além de muita diversão e troca de experiências entre os pacientes.

Na abertura do evento, o Dr. Cid Sabbag, médico dermatologista e representante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, abordou em sua palestra “Além da pele – acometimento dermatológico psoríase” questões gerais sobre a doença, de forma didática e simples. Confira!

Psoríase não é uma doença emocional
Caracterizada por descamações avermelhadas na pele, Dr. Cid destacou que ao contrário do que muitos pensam a psoríase não é uma doença de pele ou emocional, ainda que o estresse possa piorá-la. “A psoríase é multifatorial e complexa, ou seja, é sistêmica e atinge o corpo todo. As causas envolvem predisposição genética com fatores ambientais, que podem variar, tais como, infecções, medicamentos, estresse, entre outros”, explicou.

O que é a artrite psoriásica?
O médico abordou a relação entre a psoríase cutânea e as doenças reumáticas. De acordo com estudos internacionais, cerca de 2% da população do mundo tem psoríase e deste montante, 30% desenvolvem alguma artrite. “Pacientes que possuem psoríase nas unhas têm maior tendência a desenvolverem a artrite, que geralmente aparece após o diagnóstico da psoríase”, explicou Dr. Cid.

Porém, nem toda dor ou inflamação nas juntas de um paciente pode significar o diagnóstico de artrite psoriásica. O paciente com psoríase pode ter a dor articular por diversas causas, como gota ou artrite reumatoide. Os sintomas e sinais da psoríase artropática ou artropatia psoriática incluem rigidez nas mãos, crise de tendinite, bursite, dor na coluna cervical ou lombar, dor na bacia, inchaços nos joelhos, cotovelos, dedos, mãos, pés e tornozelos e casos na família de psoríase ou artrite. O diagnóstico é clínico, levando em consideração a manifestação de, por exemplo, dactilite (inflamação nas articulações dos dedos), entesite (inflamação nos tendões e articulações dos pés), artrite periférica e lesões nas unhas.

Consequências para a saúde
A psoríase por ser uma doença inflamatória pode levar as substâncias que causam a inflamação para a corrente sanguínea, afetando o metabolismo como um todo. Desta forma, podem acontecer consequências em diversas partes do corpo, tais como: dores musculares, gordura no fígado, obesidade, diabetes, problemas oculares, digestivos, doenças cardiovasculares, aumenta a chance de AVC e trombose, além de afetar o psicológico, podendo desencadear depressão. “É muito importante saber controlar a psoríase da pele durante toda a vida. Quanto mais cedo e corretamente tratar, menor chance de afetar os órgãos”, alertou o dermatologista.

O que fazer para não ter tantas crises?
“Entender os fatores que desencadeiam a psoríase e a artrite psoriásica e evitá-los é um bom começo”, apontou Dr. Cid. O especialista informou que os principais fatores que atuam como faíscas para manifestação clínica da psoríase são:

*Traumas e infecções
Os traumas na pele, como coceiras, cortes e atritos; e nas articulações, além de infecções em qualquer órgão ou por qualquer agente, como bactérias, fungos e vírus. “É de suma importância tratar precocemente qualquer sinusite e infecções urinárias, que podem evoluir para a psoríase ou artrite”, alertou o médico que recomendou a vacinação em dia principalmente para as hepatites, gripes e pneumococo.
Mas atenção: se o paciente estiver usando medicações orais ou injetáveis para tratamento da psoríase, devem-se evitar vacinas com vírus vivos ou atenuados, como a de tétano e febre amarela. Neste caso, deverá avaliar junto ao médico que o acompanha a necessidade.

*Medicamentos
Muita atenção aos corticoides sejam em comprimidos, injetáveis, cremes, e xampus, pois podem causar efeito rebote ou alastramento da psoríase por até 100%. Outros medicamentos merecem atenção: betabloqueadores, lítios, fluoxetina e venlafaxina para depressão, cloroquina, prescrito para dor reumática e interferon, para hepatite C.

*Estilo de vida
Nicotina, álcool, sedentarismo e má alimentação devem ser evitados ao máximo, pois pioram o quadro inflamatório. “A psoríase pode levar a aumento de peso e obesidade, por isso, emagrecer ajuda no controle da doença”, destacou o médico. Para tratamento da psoríase e da artrite psoriásica é importante o acompanhamento multidisciplinar e mudança de estilo de vida. O tratamento pode envolver acompanhamento com médicos dermatologista, reumatologista, endocrinologista, cardiologista, nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, entre outros.

Recomendações para melhor convívio com a doença
*Sol. Com moderação é fundamental para ativar a vitamina D, que é de suma importância para o corpo melhorando o sistema imunológico.

*Persistência. “Qualquer tratamento irá levar meses para controle absoluto”, conta Dr. Cid.

Tipos de tratamento
O tratamento da psoríase dependerá da sua classificação. Nos casos leves, nos quais a doença não afeta a qualidade de vida do paciente, o tratamento provavelmente será tópico com uso de cremes, loções e xampus. Já nos casos moderados, graves e na psoríase artropática, podem ser utilizados tratamentos tópicos combinados à fototerapia (banho de luz) e/ou medicamentos orais ou injetáveis.

O tratamento com os medicamentos biológicos é feito apenas quando os tratamentos clássicos falham como os medicamentos orais metotrexato, ciclosporina e acitretina. O tratamento é de alto custo e tem o acesso mais difícil pelo SUS, no entanto, a vantagem do uso dos biológicos é que eles podem ser usados por longos períodos, sem perder a eficácia.

Assista a palestra:

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