Comunidade do Cavalão encampa ideia de carnavalesco e levará para a avenida história de superação de paciente com lúpus

Mocidade Independente de Icaraí aceita desafio de cantar enredo fora do lugar-comum

NITERÓI — “O que aconteceu com o carnavalesco?”, reagiu a comunidade da Mocidade Independente de Icaraí ao conhecer o enredo que a sua escola levaria este ano para a Rua da Conceição. O carnavalesco em questão é Flávio Nunes e a história que será defendida segunda-feira na avenida aborda o lúpus, doença autoimune que atinge cerca de 200 mil brasileiros.

Mas para falar desse assunto, que num primeiro momento soa estranho e espinhoso, Nunes escolheu como fio condutor a vida da ativista Karla Barcellos, portadora da doença que deu a volta por cima e criou um projeto social que luta pelos diretos de pacientes lúpicos.

O enredo, longe do lugar-comum quando se fala em folia, garante o carnavalesco, é inédito no carnaval brasileiro:

— Eu estava acostumado a falar de temas de fácil entendimento: música, culturas, religião. De repente, surgi com esse enredo, causou estranheza. Porém, aos poucos, Karla foi levando a ideia dela, tanto da luta em relação ao lúpus quanto da sua consciência social, para dentro da comunidade do Cavalão. A reação foi maravilhosa.

Mesmo sem entender muito bem como a escola contaria essa história aliando respeito e alegria, os integrantes da agremiação compraram a ideia, e o resultado é o enredo “A Mocidade canta e encanta a Karla guerreira”.

— A percepção de todos mudou. Eles entenderam que não estávamos apenas falando de uma doença, mas de uma linda história de vida que serve como exemplo — conclui Nunes.

Karla Barcellos é de São Gonçalo e foi diagnosticada com lúpus há nove anos. Desde então, ela criou o projeto Anjos da Rua, que presta atendimento a pacientes como ela e os encaminha, além de dar palestras de conscientização sobre o tema. Outro viés de seu trabalho social é a transformação de camisas doadas em roupas para crianças.

— É de extrema importância que a doença seja levada para uma festa popular, já que muita gente não a conhece. Será um manifesto na luta pelos nossos direitos, uma luz para todos nós — aponta a homenageada, que estará no carro alegórico da agremiação ao lado de outros pacientes.

Fonte: O Globo

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