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Com alta de internações por Covid, governo de SP congela agendamento de novas cirurgias eletivas

Secretaria de Estado da Saúde também vai determinar que leitos destinados ao tratamento de coronavírus não sejam desmobilizados

O governo de Sâo Paulo vai editar decreto impedindo que os hospitais marquem novas cirurgias eletivas e que desmobilizem leitos de UTI e enfermaria destinados a pacientes de Covid-19.

O anúncio foi feito em coletiva na tarde desta quinta-feira (19), por integrantes do comitê de combate ao coronavírus. A medida, que será publicada no Diário Oficial nesta sexta (20), vale para hospitais públicos, privados e filantrópicos.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, a medida foi tomada diante da sinalização de alta das internações por Covid-19 no estado.

Na semana anterior, o centro de contingência do coronavírus havia identificado um aumento de 18% nas internações pela doença em São Paulo. Nesta semana, segundo o secretário, foi registrado mais um acréscimo de 8% nas hospitalizações no estado.

Segundo Gorinchteyn, os hospitais particulares têm registrado mais internações do que os públicos. Em todo o estado, a taxa de ocupação dos leitos de Covid-19 é de 43,5%. Na Grande São Paulo, esse índice sobe para 49,7%.

Levantamento do SindHosp (sindicato paulista dos hospitais privados, clínicas e laboratórios) mostra que 44,74% dos hospitais entrevistados detectaram aumento de internações de pacientes com Covid-19 nos últimos 15 dias.

A sondagem também detectou que 46% dos hospitais entrevistados registraram também alta de diagnósticos de casos de Covid-19.

A pesquisa envolveu 76 hospitais no estado com um total de 7.516 leitos.

Segundo o médico Francisco Balestrin, presidente do SindHosp, está havendo uma tendência de aumento de internações e casos Covid-19.

“Ao mesmo tempo, detectamos que hoje os hospitais estão muito mais bem preparados do que em março, no início da pandemia. Não há motivo para que os atendimentos eletivos não aconteçam.”

Balestrin diz que 71% dos hospitais se dizem preparados para a ocorrência de uma eventual segunda onda.

Segundo ele, é importante que pacientes não interrompam os seus tratamentos, mantendo cirurgias marcadas e demais procedimentos médico-hospitalares.

Mesmo com o incremento de internações, a gestão João Doria (PSDB) descarta neste momento a reativação de hospitais de campanha. Segundo o secretário, 80% do total de leitos destinados ao tratamento do coronavírus no estado durante o pico da pandemia ainda seguem em funcionamento. Não havendo, dessa forma, chance de falta de vagas.

O centro de contigenciamento também anunciou que a reclassificação do Plano São Paulo passará a ser feita a cada 14 dias. Atualmente, ela vinha sendo feita a cada 28 dias. Segundo Patrícia Ellen, secretária de Desenvolvimento, a diminuição do tempo de reavaliação dos dados vai permitir um acompanhamento mais preciso da movimentação da doença.

Ellen ainda destacou que o governo do estado tem agido com transparência na condução das medidas de combate ao coronavírus, rebatendo críticas de que dados pudessem estar sendo omitidos.

A secretária também reforçou que o adiamento da reclassificação do Plano São Paulo foi uma medida de cautela e prudência, pois com a instabilidade no sistema do Ministério da Saúde da semana passada, os dados que o governo têm disponíveis podem conter alguma distorção.

Se fossem levadas em conta as informações atuais, segundo Ellen, oito regiões poderiam progredir para a fase verde, o equivalente a 90% da população do estado. Atualmente, 76% da população de São Paulo está neste faseamento.

As autoridades de saúde, além do governador João Doria, também fizeram um alerta para que a população jovem evite festas, aglomerações e situações em que as medidas de distanciamento social e o uso de máscara não possam ser feitos.

Fonte: Folha de S. Paulo.

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