Autoestima e doenças crônicas reumatológicas

A reumatologista Cláudia Costa explica como o médico pode ajudar no resgate da autoestima dos pacientes de doenças crônicas

A autoestima é a percepção que o indivíduo tem de si mesmo. A psicologia estuda esta questão de formas variadas, buscando explicações e soluções que ajudem as pessoas a viver bem. As doenças crônicas, que são maioria na Reumatologia. cursam com fadiga, indisposição, dor e deformidades nas articulações principalmente se não tratadas adequadamente.

Isto se reflete na qualidade de vida do paciente e também dos seus cuidadores, aumentam suas demandas pessoais, emocionais e sociais e modificam a visão do paciente dentro do seu contexto familiar e social.

As doenças reumatológicas, de modo geral, acometem mais mulheres jovens e muitas sofrem com a percepção da sua autoimagem. Alguns estudos mostram que nas doenças crônicas existe um sofrimento psíquico mesmo em períodos de controle da doença.

Na Reumatologia, chamamos remissão quando há um controle da atividade da doença com medicação ou não. Estar em remissão significa que os danos causados pela doença autoimune ou inflamação podem ser controlados ou no mínimo amenizados. Os pacientes que alcançam esta fase devem continuar seu acompanhamento médico. Quanto mais controlados, maiores os intervalos para serem reavaliados em consultas médicas.

De algumas décadas para cá, o desenvolvimento de medicamentos como os imunobiológicos usados em artrite reumatoide, espondilite anquilosante, artrite psoriásica entre outras doenças autoimunes mudaram o curso da história natural delas e assim conseguimos evitar sequelas que antes eram irreversíveis, reduziram também as faltas ao trabalho (absenteísmo), internações hospitalares e idas à emergência.

Mas não são apenas as medicações que fizeram a diferença, consensos (opinião em comum) foram exaustivamente discutidos por especialistas da área, a informação sobre o que é o Reumatologista e o que fazemos está muito mais difundido, diminuindo o atraso na procura por este médico.

O culto a imagem e a determinados padrões de beleza varia com as questões culturais de cada país. No Brasil, os padrões de beleza e idolatria pelo corpo perfeito vem se modificando, com o crescente acesso à internet, visibilidade de personalidades famosas nas mídias sociais que influenciam muitas vezes de forma negativa esta busca incessante, nem sempre baseados em conceitos saudáveis.

Pacientes com doenças reumatológicas devem estar atentos à promoção de saúde e controle da doença crônica. Muitas vezes se torna cansativo. E se considerarmos que muitos apresentam sintomas de depressão associado, torna-se uma tarefa importante o suporte médico físico e mental.

A depressão tem causas multifatoriais e nunca deve ser subestimada. O auxilio de profissionais como psicólogos e ou psiquiatras devem ser solicitados a qualquer momento da avaliação e em muitos casos o acompanhamento conjunto.

Desta forma, o tratamento requer uma abordagem ampla, observar os detalhes que podem fazer a diferença, estimular a aderência ao tratamento e a melhorar a qualidade de vida do paciente. Orientação sobre a doença e programação terapêutica deve ser exaustivamente repetida.

Associar atividade física, alimentação adequada de acordo com a individualidade metabólica de cada um. Evitar vícios como tabagismo, etilismo, uso de drogas ilícitas contribuem para um melhor funcionamento do organismo e podem reduzir sintomas, reduzindo assim a necessidade de várias medicações.

Na Reumatologia o que o médico assistente pode fazer para melhorar a autoestima e autoimagem do paciente?

  • Educação: orientar sobre a doença, repercussões irreversíveis em caso de não aderência ao tratamento
  • Estimular o autocuidado
  • Estimular hábitos de vida saudáveis alimentares, atividade física
  • Orientar sobre evitar vícios: tabagismo, etilismo
  • Orientar acompanhamento conjunto com outras especialidades se necessário
  • Estimular acompanhamento conjunto com profissionais não médicos: nutricionistas, psicólogos, educadores físicos
  • Orientar que a necessidade terapêutica e de tratamentos complementares devem ser individualizados
  • Evitar afastamentos do trabalho, se possível, incentivando a capacitação e inserção no mercado de trabalho
  • Trabalhar em conjunto com paciente em busca da independência e qualidade de vida

No final, percebe-se que cada um terá necessidades diferentes, as orientações e o tratamento deverão ser analisados dentro do contexto. Uma relação médico-paciente bem estabelecida e de confiança ajudará a conduzir estas questões, mas o resultado dependerá muito do esforço e compreensão do paciente.

Fonte: A Tarde Uol

if (d.getElementById(id)) {return;} js = d.createElement(s); js.id = id; js.src = "https://connect.facebook.net/en_US/sdk.js"; fjs.parentNode.insertBefore(js, fjs); }(document, 'script', 'facebook-jssdk'));
%d blogueiros gostam disto: