Aveia, feijão, frutas, castanhas e azeite podem fazer parte de uma alimentação que ajuda a controlar o colesterol. Mas nenhum alimento, sozinho, resolve o problema: o que faz diferença é o conjunto das escolhas ao longo do tempo, associado ao acompanhamento de saúde e, quando necessário, ao uso de medicamentos.
O colesterol alto também não é resultado apenas da alimentação. Fatores genéticos, algumas doenças e determinados medicamentos podem influenciar seus níveis. Por isso, mesmo quem mantém hábitos saudáveis pode precisar de tratamento.
O que são o colesterol “bom” e o “ruim”?
LDL e HDL são partículas que transportam colesterol pelo sangue. O LDL, conhecido como “colesterol ruim”, quando elevado, favorece o acúmulo de colesterol nas paredes das artérias. Isso contribui para a formação de placas e aumenta o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O HDL, chamado de “colesterol bom”, participa do transporte do colesterol de volta ao fígado, onde ele pode ser processado e eliminado. Sua função não é “expulsar toxinas” do organismo.
Quais alimentos podem ajudar?
1. Aveia e outros alimentos ricos em fibras
A aveia é uma fonte de fibras solúveis, que ajudam a reduzir a absorção de colesterol no intestino. Essas fibras também estão presentes em frutas e leguminosas, como feijão e lentilha.
Uma forma simples de incluí-la na rotina é acrescentar aveia à fruta ou ao iogurte natural, ou utilizá-la no preparo de mingau.
2. Feijão, lentilha, grão-de-bico e soja
Esses alimentos fornecem fibras e proteínas vegetais. Podem compor refeições variadas e substituir parte das carnes, especialmente as mais gordurosas e os embutidos.
A soja pode aparecer em preparações com o grão ou na forma de tofu. Já produtos industrializados à base de soja têm composições diferentes: vale observar a quantidade de gordura saturada, sódio e açúcar no rótulo.
3. Castanhas, nozes e amêndoas
As oleaginosas fornecem fibras e gorduras insaturadas, que podem contribuir para o controle do LDL quando substituem fontes de gordura saturada.
Prefira versões sem excesso de sal e sem coberturas açucaradas. A porção pode ser ajustada às suas necessidades, sem uma regra única de “duas ou três unidades” para todos os tipos de castanha.
4. Azeite e abacate
O azeite e o abacate são fontes de gorduras insaturadas. O benefício está principalmente em utilizá-los no lugar de alimentos ricos em gordura saturada, como manteiga e banha.
Você pode usar azeite para temperar saladas e incluir abacate em pastas, sanduíches ou outras preparações. Apenas acrescentar esses alimentos, sem rever o restante da alimentação, não garante a redução do colesterol.
5. Frutas, verduras e legumes
Esses alimentos ajudam a aumentar a variedade e a quantidade de fibras da alimentação. Laranja, maçã, pera e outras frutas podem fazer parte da rotina, sem que uma delas precise ser tratada como uma solução especial para o colesterol.
Priorize a fruta inteira com mais frequência do que o suco, aproveitando melhor suas fibras.
6. Sementes, como linhaça e chia
Sementes fornecem fibras e gorduras insaturadas e podem complementar refeições com frutas, iogurte, aveia ou saladas. Elas fazem parte de uma alimentação variada, mas não precisam ser consumidas “puras” nem substituem o tratamento indicado.
Quais escolhas merecem atenção?
Para ajudar a reduzir o LDL, uma medida importante é diminuir o consumo de gordura saturada e substituí-la por gorduras insaturadas. Manteiga, banha, carnes gordurosas, queijos mais gordurosos e óleo de coco são fontes de gordura saturada. O óleo de coco não deve ser apresentado como uma opção para baixar o colesterol.
Também vale reduzir a frequência de embutidos, biscoitos recheados, doces e outras opções com excesso de gordura saturada, açúcar ou sódio. Não é necessário excluir todo alimento industrializado: a composição e o lugar que ele ocupa na rotina importam.
E a canela, o chocolate e o vinho?
Canela: pode ser usada como tempero, mas as evidências não sustentam sua indicação como tratamento para colesterol alto.
Chocolate: pode fazer parte da alimentação, conforme a quantidade e a composição do produto. Porém, não deve ser apresentado como um dos principais recursos para reduzir o LDL. Observe especialmente os teores de açúcar e gordura saturada.
Vinho: não é recomendado começar a beber para controlar o colesterol ou proteger o coração. A presença de compostos da uva não transforma a bebida alcoólica em tratamento, e a Associação Americana do Coração não recomenda vinho ou outras bebidas alcoólicas para obter benefícios à saúde.
Alimentação e tratamento caminham juntos
Cuidar da alimentação, praticar atividade física e evitar o tabaco são medidas importantes para a saúde cardiovascular. Ainda assim, algumas pessoas precisam de medicamentos para alcançar o controle adequado do colesterol. Essa necessidade não significa que os cuidados com a rotina “falharam”.
O acompanhamento médico ajuda a definir a meta de colesterol e o tratamento conforme o risco de cada pessoa. Um nutricionista também pode ajudar a transformar as orientações em escolhas possíveis para seus hábitos, preferências e orçamento.
Cuidar do colesterol não depende de um alimento milagroso, mas de um plano que você consiga manter e que faça sentido para a sua saúde.
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Tenho alto nível de colesterol ruim