Depoimentos

Eu sou grata a AR, pois ela me ajuda todo santo dia, a julgar menos as pessoas, a olhar pro outro com um olhar mais leve.

Estava eu, no auge dos meus 20 anos, na universidade dos sonhos. Segundo ano de Fisioterapia, UEL.

Universidade é difícil, estar em um curso integral, na área da saúde, meu amigo.. bem difícil. Agora, pior que isso, é estar em um curso integral, na área da saúde, pressão psicológica dos docentes, crise de ansiedade/pânico e para completar , uma doença autoimune.

Hoje com 22 anos, essa é a minha história com a Artrite Reumatoide (AR).

Comecei a sentir dor. Especificadamente no indicador da mão esquerda. A docente alertou do que poderia ser e.. Bingo!

Diagnóstico feito. AR no auge dos meus 20 anos, no auge de uma faculdade e no auge da fase mais depressiva da minha vida.

Acabava eu de perder meu tio. Um luto mal curado, no meio de uma loucura psicologia e física. Estudava a semana toda integral e trabalhava de fim de semana, virada. Não queria ter tempo pra pensar nas coisas que estavam acontecendo.

Inicie o tratamento com corticoides muito fortes, e para a minha sorte, todos os efeitos colaterais possíveis de um corticoide eu tive.

Tratamento difícil. Muitos exames, muitos remédios com reação, noites sem dormir, provas no curso, pressão de todos os lados, medo de uma doença autoimune degenerativa, sem contar a piadinha que eu virei, por ter uma “doença de velho”.
Bom, não aguentei!

Você aguentaria?

Eu não cansava de me perguntar, porque isso, porque comigo? De onde veio isso?

Hoje, a conclusão é que foi devido ao trauma psicólogo de um luto mal curado, e coisas que o curso me proporcionou: depressão, ansiedade e uma alimentação péssima.

Não exaltem, nem vangloriem a UEL. Muito menos um curso da saúde, que as práticas são no HU. Vocês não fazem ideia do inferno que é. Saúde mental pra eles é mimimi.

Parei meu curso um ano depois. Parei porque a doença me proporcionava muita dor, principalmente nas mãos, e oras, fisioterapia nada mais é, na sua grande maioria, contato com as mãos.

A AR é silenciosa. Dói, arde, lateja. De manhã posso ouvir minhas articulações gritarem.
Até hoje me julgam, questionam: “Mas poxa, Dani, faltava só um ano, continuasse.” “Mas Dani, isso daí nem dói, para de besteira.”

Hoje eu lido bem melhor com esses questionamentos, quase sempre, mando a pessoa para a puta que pariu 🙂

Hoje, a AR está controlada. Uso duas ampolas/mês de um biológico, subcutâneo e sou muito feliz.
Feliz porque o biológico não dá nem 1% das reações que os outros medicamentos davam.

É uma luta diária para ser forte ao aplicar as ampolas. Dói, dói pra caramba. Mas alivia.

Escrevo isso, pra você, que só julga as pessoas, que me julgou e julga até hoje. Pra você que pensa que a doença autoimune nem dói. Pra você que olha pra mim e questiona “Uma moça tão linda, como pode ser tão doente”.

Eu sou grata a AR, pois ela me ajuda todo santo dia, a julgar menos as pessoas, a olhar pro outro com um olhar mais leve.

Hoje eu olho pro espelho e constato: sou FODA! Vou lutar todo santo dia para ser uma pessoa melhor e ajudar pessoas que sofrem o mesmo que eu. Porque eu sei o quanto é difícil.

Cada uma com sua luta. Essa é a minha!

Obrigada.

“Dor Compartilhada é Dor Diminuída”, entenda que ao escrever praticamos uma autoterapia e sua história pode ajudar alguém a viver melhor com a doença!

É simples, preencha o formulário no link http://ow.ly/gGra50nFGJp

Doe a sua história!

#depoimento

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