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Cosaúde mantém análise desfavorável a quatro tecnologias e inicia discussão de outras duas em sua Reunião Técnica

"A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) realizou, em setembro, a 55ª Reunião Técnica da Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

por Priscila Torres
28/10/2026
em Notícias
Cosaúde mantém análise desfavorável a quatro tecnologias e inicia discussão de outras duas em sua Reunião Técnica

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) participou de quatro dos seis itens da pauta, com posicionamento favorável à incorporação do ivosidenibe para colangiocarcinoma, do painel de sequenciamento de nova geração para câncer de pulmão, da combinação de lenvatinibe com pembrolizumabe para câncer renal e do teste de 21 genes para câncer de mama. A Biored Brasil, como membro da comissão, registrou manifestação em todos os itens, levou o Instituto Oncoguia como convidado na discussão do tepotinibe e integrou o bloco favorável às duas tecnologias apreciadas nesta quarta-feira.

Nas quatro discussões finais, a ANS manteve sem alteração a recomendação preliminar desfavorável após a análise das contribuições da participação social, incluindo o teste de 21 genes para câncer de mama, que recebeu 757 contribuições, 98% delas favoráveis, e o tepotinibe, com 653 contribuições e 96,23% de apoio.

O elemento que efetivamente alterou as avaliações econômicas nas discussões finais foi a apresentação de desconto comercial pelos proponentes, de 36,4% no caso do ivosidenibe e de 20% no caso do tepotinibe. Na combinação para câncer renal, única tecnologia da pauta cuja análise econômica apontou economia líquida para o setor, a comissão dividiu-se, com seis entidades favoráveis e oito desfavoráveis. A comissão também abriu discussão sobre a criação de regramento próprio para ressubmissões de tecnologias, tema remetido à reunião administrativa do início de 2027.

UAT 219, ivosidenibe para colangiocarcinoma localmente avançado ou metastático com mutação no gene IDH1 R132, em segunda linha ou mais

Discussão preliminar. Trata-se de ressubmissão da UAT 148, que teve recomendação final desfavorável em 2025.

Laboratórios Servier do Brasil

O oncologista Mauro Daniel apresentou a evidência clínica pelo proponente, destacando que a condição é classificada como ultrarrara, com diagnóstico predominantemente em estágio avançado e sobrevida de 2% a 3% em cinco anos. Informou que o estudo CLARIDHY teve a sobrevida livre de progressão como desfecho primário e que o crossover ocorreu em mais de 70% dos participantes, com correção pré-planejada. Juliana Festa apresentou a avaliação econômica, com proposta de desconto comercial de 36,4%, razão de custo-efetividade de R$ 739 mil por ano de vida ajustado pela qualidade no cenário de ensaio clínico e de R$ 665 mil no cenário de evidência de mundo real, e impacto orçamentário incremental de R$ 29,8 milhões em cinco anos para 172 pacientes elegíveis.

Unimed do Brasil

Ricardo Simões apresentou revisão sistemática que identificou os mesmos dois registros avaliados no início de 2025, classificando como de alta certeza a evidência para sobrevida livre de progressão e sobrevida global e como de baixa certeza a de qualidade de vida. Na parte econômica, a entidade apontou ausência de transparência na extrapolação das curvas de sobrevida, utilidades não ajustadas à população brasileira e perda de 40% no preenchimento dos questionários de qualidade de vida, concluindo pelo posicionamento desfavorável à incorporação.

ANS

Mara e Cláudia apresentaram o relatório de análise crítica. A sobrevida livre de progressão foi avaliada com alta certeza da evidência, com redução de 63% no risco de progressão ou morte e medianas de 2,7 contra 1,4 meses. A sobrevida global foi avaliada com baixa certeza, com medianas de 10,13 contra 7,5 meses e, na análise ajustada pelo método RPSFT, redução de 51% no risco de morte. Qualidade de vida e eventos adversos graves também foram avaliados com baixa certeza. A razão de custo-efetividade variou de R$ 1,259 milhão a R$ 665 mil por ano de vida ajustado pela qualidade, conforme a referência utilizada, e o impacto orçamentário estimado pelos pareceristas foi de R$ 37,5 milhões em cinco anos com o desconto, média anual de R$ 7 milhões, e de R$ 64,5 milhões sem o desconto, para população elegível média de 35 pessoas ao ano.

Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)

A oncologista Luísa Dibe informou que as diretrizes da entidade publicadas neste ano classificam o ivosidenibe com nível de evidência alto e força de recomendação forte para pacientes com a mutação IDH1, em linha com a diretriz da Sociedade Europeia de Oncologia Médica. Destacou que o teste de sequenciamento necessário para identificar a alteração genômica não é de cobertura obrigatória na saúde suplementar e que apenas 40% dos pacientes no Brasil chegam a receber terapia de segunda linha.

CONASS

Henrique Vogado questionou o que havia de novo na proposta para justificar a reanálise pela comissão, uma vez que o encaminhamento anterior havia sido pela não incorporação. A ANS informou que a alteração objetiva principal foi o oferecimento do desconto comercial, acrescido da apresentação de evidência de mundo real e da análise ajustada da sobrevida global, sem mudança na avaliação da certeza da evidência clínica. A partir do questionamento, a área técnica comprometeu-se a explicitar nas próximas apresentações os pontos de diferença entre submissões, e a discussão sobre regramento específico para ressubmissões foi remetida à reunião administrativa do início do ano que vem.

UAT 205, implante de dispositivo para modulação da contratilidade cardíaca em insuficiência cardíaca crônica sintomática com fração de ejeção entre 25% e 45%, QRS estreito e sem indicação de ressincronização

Discussão final, com retorno da participação social.

ANS

Patrícia e Cláudia apresentaram o relatório de participação social. A recomendação preliminar desfavorável, constante da nota técnica 36 de 2026, fundamentou-se em evidência oriunda de um único ensaio clínico randomizado, com seguimento de 24 semanas, que sugere benefício em classe funcional e qualidade de vida, mas mantém limitada a evidência para mortalidade por todas as causas, desfecho composto cardiovascular, hospitalização por insuficiência cardíaca, eventos adversos graves e complicações relacionadas ao dispositivo. A tecnologia passou pela consulta pública 177 e pela audiência pública 69. O impacto orçamentário incremental foi estimado em R$ 362 milhões em cinco anos, com média anual de R$ 72 milhões e população elegível de 17 mil pessoas ao ano.

A proposta de diretriz de utilização apresentada na participação social, que acrescentava corte etário e exigência de pelo menos uma hospitalização por razão cardiovascular nos últimos 12 meses, não foi acolhida. A ANS registrou que o próprio proponente reconheceu que o recorte etário decorre da modelagem epidemiológica e econômica, e não de efeito diferencial comprovado da tecnologia, e que a hospitalização por qualquer razão cardiovascular não equivale à hospitalização por insuficiência cardíaca. O modelo econômico atualizado enviado pelo proponente reproduziu os mesmos resultados da análise anterior, e a análise do relatório de análise crítica foi mantida sem alteração.

Instituto do Coração (InCor)

O cardiologista Martino Martinelli, do Instituto do Coração e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, reconheceu as limitações das evidências quanto a mortalidade e hospitalização, mas defendeu a existência de espaço terapêutico para pacientes que permanecem sintomáticos apesar do tratamento máximo tolerado. Propôs incorporação restrita, com critérios rigorosos, acompanhamento em centro especializado e registro nacional, citando a decisão do Medicare norte-americano de vincular a cobertura à participação em estudo.

Especialista convidado

Ricardo Ferreira, cardiologista com atuação em estimulação cardíaca e eletrofisiologia, sustentou que a principal objeção das operadoras foi o custo e não a efetividade, e defendeu previsibilidade de implante por meio de critérios clínicos estritos e registro em banco de dados de dispositivos, nos moldes dos registros já existentes para marca-passos e desfibriladores.

Departamento de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Flávio Henrique registrou que a diretriz brasileira de insuficiência cardíaca publicada em outubro, assim como as diretrizes europeia e norte-americana, reconhece o benefício em qualidade de vida e classe funcional, mas aponta a ausência de dados consistentes sobre hospitalização e mortalidade, e defendeu estudos direcionados à população proposta.

Unimed do Brasil

Maria da Glória reforçou esse ponto a partir da atualização da diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que, segundo ela, trata explicitamente da modulação da contratilidade cardíaca e registra a falta de estudos robustos sobre impacto consistente em hospitalizações e mortalidade.

UAT 200, painel de sequenciamento de nova geração para identificação de alterações genômicas em câncer de pulmão de células não pequenas, não escamoso, avançado ou metastático

Discussão final, com retorno da participação social. É a terceira avaliação da tecnologia, agora com escopo ampliado, abrangendo amostra tecidual e plasmática e nove genes, dos quais cinco já têm cobertura prevista no Rol para identificação da alteração genômica.

ANS

Patrícia e Filipe apresentaram o relatório de participação social. A recomendação preliminar desfavorável apoiou-se na identificação de apenas uma revisão sistemática que atendeu aos critérios de elegibilidade, com achados restritos à pesquisa de EGFR e ALK em amostra tecidual, complementada por cinco estudos de acurácia apresentados pelo proponente, com resultados heterogêneos e certeza da evidência muito baixa para todas as estimativas. A tecnologia passou pela consulta pública 175 e pela audiência pública 68, com 108 contribuições, mais de 80% favoráveis. A ANS esclareceu, em resposta a crítica recebida, que a avaliação de testes diagnósticos contempla por padrão tanto acurácia quanto eficácia.

Na parte econômica, o proponente refez os cálculos a partir dos dados da Troca de Informações da Saúde Suplementar e apresentou dominância de R$ 3.009 por paciente testado no cenário de cinco genes e de R$ 6.752 no cenário de nove genes, com economia estimada de cerca de R$ 40 milhões e R$ 88 milhões em cinco anos, respectivamente. A ANS ressalvou que quatro dos nove genes considerados não possuem terapia-alvo correspondente incorporada ao Rol nem preço de testagem cadastrado, o que limita a aplicabilidade do cenário alternativo, e que a inclusão de custos de logística, falhas e novas biópsias se apoia em premissas não validadas. A análise foi mantida sem alteração.

Associação Médica Brasileira (AMB) e SBOC

A oncologista Samira Mascarenhas solicitou reconsideração da recomendação. Argumentou que a identificação dos biomarcadores altera a estratégia terapêutica e o prognóstico do paciente, que a testagem sequencial consome tempo e material de biópsias obtidas por agulha, frequentemente insuficientes para retestes, e que todas as diretrizes internacionais para câncer de pulmão recomendam o sequenciamento de nova geração.

UAT 206, cloridrato de tepotinibe para tratamento em primeira linha de câncer de pulmão de células não pequenas avançado com mutação do tipo skipping no éxon 14 do gene MET

Discussão final, com retorno da participação social. É a segunda submissão da tecnologia.

ANS

Mara e Suriete apresentaram o relatório de participação social. A recomendação preliminar desfavorável, constante da nota técnica 34 de 2026, apoiou-se no fato de a evidência disponível ser baseada em um único ensaio clínico não randomizado, o estudo VISION, de fase 2, sem grupo comparador, com alto risco de viés e certeza da evidência muito baixa para todos os desfechos. A tecnologia passou pela consulta pública 175 e pela audiência pública 68, com 653 contribuições, das quais 629 favoráveis à incorporação, correspondentes a 96,23% do total, sendo metade de profissionais de saúde.

Entre as contribuições, a empresa detentora do registro informou que o tepotinibe alcançou taxa de resposta objetiva de 57,9%, sobrevida livre de progressão mediana de 12,6 meses e sobrevida global mediana de 21,1 meses em primeira linha, e apresentou evidência comparativa indireta para desfechos de segurança. Entidade representativa de operadoras sustentou que a base de evidências permanece inalterada e que a limitação principal impede determinar se os resultados são superiores aos tratamentos atualmente utilizados. A ANS manteve a análise clínica, registrando potencial viés de seleção prognóstica no recrutamento da coorte confirmatória, limitações das comparações indiretas e que a administração por via oral, isoladamente, não é suficiente para estabelecer superioridade de benefício clínico.

Na parte econômica, o proponente apresentou durante a participação social proposta de desconto comercial de 20% e onze novos cenários. Com o desconto, a economia estimada subiu de R$ 212 milhões para R$ 253,5 milhões em cinco anos, média anual de R$ 50,7 milhões, já considerados R$ 22,7 milhões de custo de testagem genética para 3.218 pacientes elegíveis, ao custo unitário de R$ 1.410. Os pareceristas trabalharam com difusão de 30% a 70% e população média de 205 pacientes ao ano, contra 40% a 80% e 181 pacientes adotados pelo proponente.

Instituto Oncoguia

Helena Esteves, que participou como convidada da Biored Brasil, trouxe os relatos de pacientes apresentados na audiência pública, destacando que cerca de 90% dos pacientes com câncer de pulmão recebem o diagnóstico em estágio avançado e a dificuldade de acesso ao tratamento relatada nas contribuições.

UAT 216, lenvatinibe associado a pembrolizumabe para tratamento de primeira linha de carcinoma de células claras de rim avançado ou metastático, independentemente do risco IMDC

Discussão preliminar.

MSD Brasil

O oncologista clínico Adriano Gonçalves Silva destacou que cerca de um quarto dos pacientes recebe o diagnóstico já em estágio metastático e que o estudo CLEAR demonstrou benefícios em sobrevida global, com redução de 21% no risco de morte, além de ganhos em sobrevida livre de progressão e resposta tumoral, tratamento já recomendado por diretrizes nacionais e internacionais. Reconheceu a maior toxicidade da combinação, mas afirmou que os eventos adversos são manejáveis com ajustes de dose e interrupções temporárias. Defendeu a imunoterapia como estratégia de primeira linha, argumentando que seu uso após progressão com outra imunoterapia não apresenta benefícios, enquanto o sequenciamento de terapias-alvo pode ser vantajoso, e destacou que muitos pacientes não chegam à segunda linha e que a redução dos custos deve considerar todo o cuidado oncológico.

Haliton Júnior apresentou a síntese das evidências clínicas e econômicas. A revisão sistemática, atualizada em novembro de 2025, comparou indiretamente a combinação com nivolumabe associado a cabozantinibe, com eficácia semelhante em sobrevida global e tendências favoráveis ao pembrolizumabe com lenvatinibe em sobrevida livre de progressão e taxa de resposta tumoral, com estimativas de redução de 19% no risco de progressão e aumento de 29% na taxa de resposta, sem significância estatística, e frequência semelhante de eventos adversos imunorrelacionados. Na avaliação econômica, sob a perspectiva da saúde suplementar, a empresa apontou 100% das simulações abaixo do limiar adotado e 19% indicando maior benefício em saúde a menor custo, e estimou economia acumulada entre R$ 209 milhões e R$ 829 milhões em cinco anos, com projeção de R$ 442 milhões no cenário-base. Defendeu a adequação do comparador utilizado e reconheceu limitações nos parâmetros de utilidade por não estarem ajustados à população brasileira, ponderando que elas afetam igualmente os tratamentos comparados.

Unimed do Brasil

Silvana Kelles questionou a proposta de incorporação para pacientes de todos os grupos de risco, apontando a ausência de comparações clínicas diretas com outras combinações disponíveis e a ocorrência frequente de eventos adversos, informando que quase todos os pacientes tiveram eventos de grau 3 ou superior, que 90% precisaram de modificações de dose e que 82% tiveram interrupções do tratamento. Observou que os resultados variaram conforme o grupo de risco, com benefícios mais evidentes nos pacientes de risco intermediário e desfavorável, e que apenas 45% dos pacientes dos grupos de controle dos estudos utilizaram imunoterapia após a progressão da doença.

Mariana Michel questionou a qualidade das evidências clínicas, destacando as incertezas das comparações indiretas, a ausência de circuitos fechados nas metanálises em rede e as limitações metodológicas dos estudos. Criticou a escolha do nivolumabe associado a cabozantinibe como comparador exclusivo na avaliação econômica, por considerar que existem outras alternativas no Rol e que a escolha de uma terapia de custo mais elevado pode ter influenciado os resultados de economia apresentados, e apontou que o modelo econômico não foi estratificado por risco IMDC. Questionou as estimativas de impacto orçamentário, argumentando que a ausência de calibração dos dados epidemiológicos para a população da saúde suplementar pode superestimar o número de pacientes elegíveis e a economia projetada, e ressaltou que avaliações de agências internacionais restringiram ou condicionaram a incorporação mediante negociações de preço. Defendeu a estratificação por IMDC, observando que o subgrupo de risco desfavorável, apesar da menor amostra, foi o único a demonstrar significância estatística, razão pela qual uma diretriz de utilização abrangente pode não ser a abordagem mais adequada, e manifestou-se desfavoravelmente à incorporação.

ANS

Patrícia Nascimento Góes apresentou o relatório de análise crítica. Com base em revisão sistemática com metanálise em rede, destacou benefícios da combinação principalmente na sobrevida livre de progressão e na taxa de resposta tumoral, sem diferenças estatisticamente significativas em sobrevida global nas comparações avaliadas. Apontou aumento de eventos adversos em comparação com algumas terapias disponíveis e registrou que a certeza das evidências variou de moderada a muito baixa, em razão de limitações metodológicas, indireção e imprecisão. Informou que algumas agências internacionais recomendaram a incorporação mediante condições, como restrição a determinados grupos de risco, critérios de elegibilidade clínica e acordos comerciais, e que a revisão sistemática não avaliou qualidade de vida.

Suriette Apolinário dos Santos, especialista em avaliação econômica, apresentou as análises de custo-efetividade e custo-utilidade, que estimaram custos de aproximadamente R$ 1,77 milhão por ano de vida ajustado pela qualidade e R$ 1,4 milhão por ano de vida ganho, com limitações relacionadas à extrapolação das curvas de sobrevida para 40 anos, à estimativa indireta dos resultados dos comparadores e à rastreabilidade dos custos de tratamentos subsequentes e do manejo de eventos adversos. Na análise de impacto orçamentário, recalculada pela parecerista e dividida conforme o risco dos pacientes, a incorporação foi estimada como capaz de gerar economia média anual de R$ 17 milhões para pacientes de risco favorável e de R$ 14,7 milhões para os de risco intermediário e desfavorável, considerando difusão progressiva de 30% no primeiro ano a 50% no quinto, com média anual de 44 pacientes tratados no primeiro grupo e 124 no segundo.

SBOC

Nildevande Firmino destacou que a combinação obteve pontuação entre 11 e 12 no índice de priorização da entidade, sendo classificada no nível 1, que prevê atuação estratégica e engajamento ativo em razão do impacto clínico e da relevância sanitária. Ressaltou a importância da terapia para pacientes com alto volume de doença, considerando a taxa de resposta de aproximadamente 70%, e citou dados de mundo real segundo os quais 44% dos pacientes chegam à segunda linha e 22% à terceira. Afirmou que a entidade considera a combinação uma opção também para pacientes de risco favorável e citou revisão sistemática e metanálise apresentadas em congresso internacional segundo as quais os inibidores de tirosina quinase podem proporcionar benefícios em sobrevida global e sobrevida livre de progressão após imunoterapia.

Instituto Oncoguia

Perla Kindi destacou os benefícios clínicos da combinação e citou a recomendação da autoridade francesa de avaliação de tecnologias em saúde, que reconhece benefícios apesar das incertezas e recomenda a incorporação com escolha individualizada do tratamento, questionando ao final se a combinação é relevante para pacientes dos três grupos de risco.

Posicionamento dos membros

Manifestaram-se favoravelmente à incorporação a AMB, a SBOC, o CNS, o Cofen, a Biored Brasil e a Abrasco. Manifestaram-se desfavoravelmente a CNI, a Unimed do Brasil, o CONASS, a CMB, a Abramge, a FenaSaúde, o SINOG e a Unidas.

UAT 209, teste de 21 genes para perfil de expressão genômica de tumores de mama em estágio inicial, I, II e IIIA, com receptores hormonais positivos e HER2 negativo

Discussão final, com retorno da participação social.

ANS

Flávia Cristina Cordeiro apresentou os resultados da participação social ampliada. A recomendação preliminar foi desfavorável, em razão da baixa certeza das evidências clínicas e das limitações metodológicas da avaliação econômica, que não permitiram confirmar o benefício adicional da tecnologia nem a estimativa de economia apresentada pelo proponente. O impacto orçamentário incremental foi estimado em R$ 450 milhões em cinco anos, com média anual de R$ 90 milhões, podendo chegar a cerca de R$ 400 milhões em um cenário alternativo. Na consulta pública 177 e na audiência pública 69 foram recebidas 757 contribuições, das quais 98% favoráveis à incorporação, com predominância de pacientes, familiares e cuidadores. Os argumentos favoráveis destacaram a capacidade do teste de identificar pacientes que poderiam evitar a quimioterapia sem comprometer os resultados oncológicos. Foram apontadas incertezas quanto aos benefícios em determinados subgrupos, especialmente mulheres na pré-menopausa com comprometimento de um a três linfonodos, além de possíveis atrasos decorrentes da dependência de laboratórios internacionais. Segundo Flávia, as contribuições não apresentaram evidências capazes de alterar os resultados do relatório de avaliação clínica.

Cláudia Soares Zouaim apresentou as contribuições sobre os aspectos econômicos e financeiros. O proponente informou ter atualizado os custos dos medicamentos e os parâmetros da análise, afirmando que as simulações indicaram dominância da tecnologia. As contribuições favoráveis destacaram o potencial de evitar quimioterapias desnecessárias, reduzir complicações e diminuir os gastos das operadoras, enquanto entidades representativas das operadoras apontaram limitações metodológicas, heterogeneidade das fontes de dados e incertezas nas estimativas de custo-efetividade e impacto orçamentário, além da ausência de evidências de longo prazo aplicáveis à saúde suplementar brasileira. A análise das contribuições não alterou a avaliação econômica do relatório de análise crítica.

Marly esclareceu que a avaliação considera a proposta de incorporação originalmente apresentada, embora sugestões de novas diretrizes de utilização sejam comuns durante a consulta pública, e ressaltou que a incorporação pode estabelecer critérios mais restritivos do que os inicialmente propostos, conforme precedentes na atualização do Rol, a depender de cada caso e da necessidade de novas evidências.

Sociedade Brasileira de Mastologia

André Mattar manifestou-se favoravelmente à incorporação para pacientes que atendam a critérios específicos, destacando que o exame permite avaliar o risco de recorrência e o benefício da quimioterapia, contribuindo para decisões terapêuticas individualizadas, e apontou que o preço do exame limita o acesso na saúde suplementar brasileira. Defendeu a incorporação direcionada às pacientes com indicação clínica, especialmente nos casos em que há dúvidas sobre os benefícios da quimioterapia.

SBOC

Renata Rodrigues da Cunha manifestou-se favoravelmente à incorporação para mulheres na pré-menopausa sem comprometimento linfonodal e na pós-menopausa com até três linfonodos comprometidos. Destacou que o exame permite identificar com maior segurança as pacientes que se beneficiam da quimioterapia adjuvante e que estudos brasileiros indicam potencial de redução dos custos com quimioterapia, além de minimizar os impactos sociais e financeiros para as pacientes e suas famílias.

Instituto Oncoguia

Perla destacou os impactos físicos, emocionais, sociais e financeiros da quimioterapia e defendeu que a avaliação econômica considere, além dos custos da quimioterapia, o manejo de efeitos adversos e o afastamento do trabalho. Apontou que, quando a paciente paga pelo exame na rede privada e deixa de realizar a quimioterapia, a operadora também se beneficia da redução de custos, e defendeu que experiências bem-sucedidas de cobertura do teste sejam consideradas para ampliar o acesso.

Abbott

Sergio Oliveira destacou que a utilização é direcionada a uma população delimitada e permite maior precisão na decisão sobre a indicação de quimioterapia. Ressaltou que operadoras e instituições de saúde brasileiras já incorporaram o exame após estudos-piloto que demonstraram custo-efetividade, e mencionou estudo retrospectivo com mais de 55 mil pacientes que identificou melhora da sobrevida global associada à decisão terapêutica baseada em critérios genômicos.

FenaSaúde

Luiza Leal questionou a ausência, na apresentação, de nova proposta de diretriz de utilização apresentada pelo proponente durante a consulta pública, ressaltando que a alteração exige nova submissão, com análise das evidências e recálculo do impacto orçamentário, procedimentos para os quais não haveria tempo hábil no processo atual. Destacou que a operadora que já incorporou o teste utiliza critérios mais restritivos do que os inicialmente propostos.

CONASS

Henrique Vogado destacou que a proposta original é ampla e que, embora os especialistas defendam sua utilização em uma população mais restrita, especialmente mulheres na pós-menopausa, não foi apresentada análise do impacto orçamentário para esse recorte. Ressaltou que a avaliação da Cosaúde se refere à recomendação de incorporação, e não à decisão final, e que uma eventual restrição da população elegível pode exigir mais tempo para análise.

Posicionamento dos membros

Manifestaram-se favoravelmente à incorporação a AMB, a SBPC, a SBOC, a CNI, o CNS, a FBH, a Biored Brasil, o Coffito, o CFF e o Cofen. Manifestaram-se desfavoravelmente a FenaSaúde, o CONASS, a Unimed do Brasil, a Abramge, a Unidas, o SINOG e a CMB.

Encaminhamentos por tecnologia

A UAT 219, ivosidenibe para colangiocarcinoma com mutação IDH1, concluiu a discussão preliminar e segue para a elaboração da recomendação preliminar e deliberação da Diretoria Colegiada, com posterior abertura de consulta e audiência públicas. Por se tratar de ressubmissão, a recomendação preliminar terá de endereçar os dois elementos novos apresentados nesta submissão, o desconto comercial de 36,4% e a evidência de mundo real, uma vez que a avaliação da certeza da evidência clínica permaneceu inalterada em relação à UAT 148.

A UAT 205, modulação da contratilidade cardíaca, concluiu a discussão final e segue para a recomendação final, a ser deliberada pela Diretoria Colegiada. As análises clínica e econômica foram mantidas sem alteração após a participação social, e a proposta de diretriz de utilização apresentada na consulta pública, com corte etário e exigência de internação cardiovascular prévia, não foi acolhida pelos pareceristas.

A UAT 200, painel de sequenciamento de nova geração para câncer de pulmão, concluiu a discussão final em sua terceira avaliação e segue para a recomendação final e deliberação da Diretoria Colegiada. A análise foi mantida sem alteração, com certeza da evidência muito baixa para todas as estimativas, e permanece em aberto a ressalva de que quatro dos nove genes do painel não têm terapia-alvo correspondente no Rol.

A UAT 206, tepotinibe para câncer de pulmão com mutação METex14, concluiu a discussão final e segue para a recomendação final e deliberação da Diretoria Colegiada. A análise clínica foi mantida sem alteração, e o desconto comercial de 20% apresentado durante a participação social repercutiu apenas na análise econômica, elevando a economia estimada para R$ 253,5 milhões em cinco anos.

A UAT 216 , lenvatinibe com pembrolizumabe para câncer renal avançado, concluiu a discussão preliminar e segue para a elaboração da recomendação preliminar e deliberação da Diretoria Colegiada, com posterior abertura de consulta e audiência públicas. A comissão dividiu-se, com seis entidades favoráveis e oito desfavoráveis, e dois pontos ficam em aberto para a próxima etapa, a estratificação da população por risco IMDC e a amplitude da diretriz de utilização.

A UAT 209, teste de 21 genes para perfil de expressão genômica de tumores de mama, concluiu a discussão final e segue para a recomendação final e deliberação da Diretoria Colegiada. As análises clínica e econômica foram mantidas sem alteração, e a ANS registrou que a incorporação pode fixar critérios mais restritivos do que os originalmente propostos, ainda que a proposta de nova diretriz de utilização apresentada na consulta pública não tenha sido objeto de análise nesta etapa.

Em caráter geral, a comissão encaminhou para a reunião administrativa do início de 2027 a discussão sobre regramento específico para ressubmissões de tecnologias já apreciadas.

Fonte: Assessoria de Imprensa.

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