A enxaqueca pode ser causada pela alimentação. Mito. Nenhum alimento causa enxaqueca, essa é uma doença crônica do cérebro de causa hereditária. A enxaqueca não tem cura, o tratamento correto vai ajudar a controlar os sintomas, que podem ser muitos e variados;
Alimentos estimulantes podem piorar uma crise de enxaqueca. Verdade. Alguns alimentos contêm substâncias que são estimulantes para o cérebro e podem tanto ser um gatilho para as crises de enxaqueca como também podem cronificar a doença, aumentando a frequência de crises, a intensidade e a duração delas. Exemplos: café, cacau (chocolate), cupuaçu, fruto do guaraná e a erva mate. A cafeína presente nesses alimentos possui efeito estimulante e analgésico, mascarando os sintomas e cronificando a doença;
Alimentos termogênicos, como pimentas mais fortes, gengibre, canela, cúrcuma devem ser evitados porque também são estimulantes. Verdade!
Os refrigerantes estão liberados para quem sofre de enxaqueca! Mito: A cola e o guaraná são estimulantes e devem ser evitados;
Cuidado em restaurantes de comida japonesa. Verdade! O problema está no consumo do molho shoyu que contém glutamato monossódico, um estimulante cerebral;
Temperos prontos (em pó), biscoitos e salgadinhos com sal são inimigos da enxaqueca, porque contém glutamato monossódico. Verdade. É importante verificar a existência de mais esse estimulante do cérebro na tabela nutricional do alimento;
A cafeína está na maioria dos analgésicos utilizados para dor de cabeça, sintoma mais conhecido da enxaqueca (mas não o único!). Verdade: O uso excessivo desses medicamentos pode desencadear sérias consequências para o estômago e o intestino, além de cronificar a enxaqueca e provocar mais crises de dor de cabeça;
O glúten presente no trigo e na cevada – e também a lactose do leite – causa enxaqueca. Mito: Nenhum alimento causa a doença, que é hereditária. Algumas pessoas possuem outras predisposições ou mesmo intolerância a alguns alimentos e o corpo pode reagir de maneira exacerbada, mas não são gatilhos para a doença;
A pessoa com enxaqueca não deve comer doces. Mito: O açúcar não precisa ser retirado da dieta do paciente, não é causa de enxaqueca. O período que antecede a doença, chamado de pródromo, vem associado à compulsão por produtos açucarados que são fonte de energia para o cérebro, mas não têm estimulante suficiente para cronificar o cérebro excitado durante uma crise;
Cortar alimentos estimulantes é a única coisa a ser feita no tratamento para controle da enxaqueca. Mito! Faz parte do processo de um plano de tratamento identificar na dieta do paciente a ingestão desses alimentos estimulantes e retirá-los, mas não adianta fazer isso sozinho porque a enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, os gatilhos alimentares não são os únicos. A Nutrição está dentro de um contexto de tratamento.
“O problema não está no prato, porque as pessoas que não têm enxaqueca toleram muito melhor os alimentos estimulantes. Importante ressaltar: a enxaqueca não é doença de causa alimentar! A alimentação pode ser um gatilho ou “piorador” para as crises, porém, a enxaqueca não é só crise de dor de cabeça. É uma doença neurológica com dezenas de sintomas e a crise é o ápice dessa doença em que o paciente apresenta não somente a dor de cabeça severa, mas náuseas, vômitos, tonturas, auras visuais, zumbidos, pode ter também muito desânimo, alteração de humor ou mesmo alterações no funcionamento do intestino, entre outros sintomas”, explica a neurologista Thaís Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca.
Para entrevistas:
*Dra Thaís Villa (CRM 110217) – Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP no período de 2015 a 2022. Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias em adultos e crianças. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.
Site: www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil
Contato:
Vira Comunicação
Mirian Cruz – mirian.cruz@viracomunicacao.com.br
Angelo Sastre – angelo.sastre@viracomunicacao.com.br
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