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HU terá pesquisa com células-tronco para tratamento de ombro

A definição de medicina regenerativa é ampla, mas, resumidamente, pode ser entendida como um processo de substituição ou regeneração de células, tecidos ou órgãos humanos, com a finalidade de restaurar as suas funções normais. No Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), filial da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), a medicina regenerativa terá lugar em um estudo, cujo pesquisador responsável é o médico ortopedista Ronald Barreto.

“O Comitê de Ética do HU, que é vinculado ao comitê de ética nacional, autorizou a realização do procedimento previsto em nosso projeto. Elaborei o projeto, que tem participação dos alunos da graduação de medicina da UFS, e estou como pesquisador responsável, em parceria com o professor Reuthemann Madruga. Vamos agora começar a captar os pacientes”, relata Ronald.

O médico explica que todo projeto de pesquisa dessa natureza deve ter critérios de inclusão e de exclusão. “Precisamos de 25 pacientes com uma patologia bem específica. Vamos verificar se todos estão com exame que mostre o não rompimento completo do tendão, esse rompimento tem que ser parcial. A faixa etária deve ser entre 18 e 65 anos, ambos os sexos. O paciente não pode ter feito nenhum procedimento no ombro nos últimos 12 meses, como infiltração, medicamentos injetáveis, não pode ter feito cirurgia e nem pode ter problema hematológico, ou seja, no sangue”, pontua.

De acordo com o pesquisador, será disponibilizado, em data a ser divulgada, um dia de atendimento para fazer a triagem desses pacientes, que passarão por avaliação inicial, verificando se podem, ou não, participar da pesquisa.

“Após a seleção, caso seja incluído no estudo, o paciente vai ser submetido à avaliação clínica detalhada e receberá um cartão de identificação, mostrando que participa do projeto. Ele receberá a aplicação de células-tronco dele mesmo, um procedimento de baixo risco. Será então acompanhado e, após um ano, vamos verificar os resultados preliminares, procurando mostrar que é viável fazer, dentro do SUS, um procedimento inovador e que tem mostrado uma eficácia muito grande”, detalha o ortopedista.

Ronald Barreto destaca que a ideia principal é começar a mexer com células-tronco, com tratamento regenerativo. “É um tema interessante, inovador, que pode trazer soluções para o SUS [Sistema Único de Saúde], além de ser de baixo custo. Vamos entrar em uma nova fase da ortopedia, que já está estabelecida fora do país, na Europa, nos Estados Unidos: a medicina regenerativa, que traz uma nova abordagem da ortopedia no tratamento de artroses e problemas osteomoleculares e musculares”, ressalta.

O médico explica que a medicina regenerativa está baseada em utilizar a nossa biologia, as nossas próprias substâncias, para estimular o crescimento de tecido que normalmente não cresce. “Quando se tem um desgaste de uma artrose, por exemplo, uma artrose de joelho, que é quando se tem o desgaste da cartilagem. Alguns medicamentos tentam regenerar, como o colágeno, mas a eficiência desses medicamentos não está comprovada. Estão começando a surgir há algum tempo algumas alternativas, uma delas é o transplante de células-tronco. Você tira gordura do próprio organismo, como se fosse uma lipoaspiração, liquefaz, emulsifica e injeta nas articulações que precisam de tratamento”, esclarece.

Para ele, algumas das vantagens do tratamento estão na melhora do nível de dor, melhora da função do braço, em devolver o levantamento de braço, com custo baixo e com grande vantagem em relação, por exemplo, ao tratamento com corticoide, que pode ter efeitos colaterais no estômago, de glicemia ou engordar o paciente. “São resultados clínicos e funcionais sem os efeitos colaterais adventos da terapia tradicional, que é o corticoide”, completa.

A triagem dos pacientes envolvidos no estudo será realizada no próprio HU-UFS, com o apoio da equipe de ortopedistas, estudantes e pessoal administrativo. “Já foi mostrado em outros países que o tratamento é economicamente vantajoso, tem baixo custo, foi eficaz em outras populações, e trabalha o conceito de preservação das nossas estruturas, que é o princípio da medicina regenerativa”, observa o pesquisador.

Fonte: Infonet.

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