Doença silenciosa, hipertensão atinge mais de 30 milhões de brasileiros

Brasil chega ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial com mais de 100 mil mortes por doenças cardiovasculares.

Priscila TorresJornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Imagine que seu sistema vascular é um encanamento e o coração uma bomba que irriga todas as ramificações pelo corpo. A pressão para o funcionamento desse sistema sem problemas significativos deve ser, no máximo, 140/90 mmHG ou 14 por 9. Quando há uma variação para mais em relação a esse número, acontece o que chamamos de hipertensão arterial. Isso pode levar a complicações como infarto agudo do miocárdio, insuficiência renal e acidente vascular cerebral.

Considerada uma doença silenciosa, a conhecida pressão alta faz parte da vida de mais de 30 milhões de brasileiros, de acordo com estimativa do Ministério da Saúde, em 2018. No entanto, apenas 10% desses casos são diagnosticados. Ainda segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mais de 100 mil pessoas já morreram em decorrência de doenças cardiovasculares no país.

O cardiologista Everton Dombeck, do Hospital Cardiológico Costantini, explica que há variáveis que devem ser levadas em consideração para o diagnóstico da hipertensão. “A pressão varia, pois há muitos fatores que podem influenciá-la, como a alimentação, o emocional, níveis de colesterol e glicose, peso do paciente e, até mesmo, a temperatura ambiente. Em dias frios, é normal a pressão aumentar”, explica.

Classificada como doença muito comum no Brasil, a hipertensão requer o alerta de todas as faixas etárias, tendo em vista outros fatores que influenciam nos níveis elevados e sistêmicos da pressão arterial, como complementa o cardiologista. “Fazer o diagnóstico da hipertensão não é fácil. É preciso uma vigilância mais presente. Quem tem histórico familiar, obesidade e diabetes deve dar atenção ao caso. Na população dos diabéticos, por exemplo, 30% podem ter pressão alta”.

Ausência de sintomas

O título de doença silenciosa não é por acaso. Apesar de sinais como tontura, dor na nuca e no peito e a sensação de “cabeça flutuando” indicarem que a pressão está elevada, raramente a hipertensão apresenta sintomas significativos. “Geralmente, nesses casos, a pressão já está muito alta ou houve uma elevação abrupta”, comenta Fernanda Tavares, também cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini.

Por este motivo, a especialista indica a avaliação periódica com um médico de acordo com o perfil do paciente. Por exemplo, pessoas já diagnosticadas com hipertensão arterial, crianças e idosos, grupos com fatores de risco e propensos a maiores alterações de peso e crescimento, no caso dos pequenos, precisam de um acompanhamento trimestral com um profissional.

Dombeck complementa e incentiva o hábito constante de aferição da pressão em casa, como sendo parte de uma rotina preventiva, mesmo se não houver um diagnóstico. “Assim como você tem uma balança para controlar o peso ou um termômetro, hoje, os medidores de pressão arterial são acessíveis e de fácil manuseio. A pressão elevada pode ser somente estresse do dia, no entanto, para um diagnóstico eficaz, é preciso que haja uma frequência nessa verificação”, avalia o cardiologista.

Sódio: o vilão invisível

Apesar de ser a principal fonte de sódio na alimentação dos brasileiros, o sal não é o único culpado pela elevação dos níveis de pressão arterial. Nessa batalha contra a hipertensão, alimentos como carnes processadas, temperos prontos, salgadinhos industrializados, alguns queijos e enlatados também devem ser evitados, de acordo com a cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, Fernanda Tavares.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo diário de, no máximo, 2 gramas de sódio, o que equivale a 5 gramas de sal. “Além de controlar o sódio, lembrando que ele não está presente somente nos alimentos salgados, as pessoas também devem procurar combater a obesidade e os maus hábitos alimentares, mantendo uma dieta equilibrada e saudável”, comenta Fernanda.

Tratamento

A hipertensão não tem cura, mas pode ser controlada e garantir qualidade de vida e bem-estar ao paciente. A recomendação de bons hábitos alimentares já é regra e a prática de atividades físicas pode ser benéfica, se feita com acompanhamento profissional. O tratamento medicamentoso é individual e deve se adequar ao perfil do hipertenso, conforme explica Fernanda. “É preciso usar a medicação adequada e controlar as metas pressóricas, além dos fatores de risco, muitas vezes associados à presença de proteínas na urina, aumento do colesterol, diabetes e afins”.

Fonte: Literal Assessoria de Comunicação