Vivo fingindo que ela não está me destruindo

Um dia por semana eu morro. Sim, nesse dia eu não tenho vontade de levantar, de comer, trabalhar. É o dia de tomar o mxt. Comecei a sentir as dores aos 36 anos. Tenho um casal de filhos, e nessa época, eles tinham 12 e 9 anos. Durante as crises, eles me olhavam assustados, sem entender o que estava acontecendo comigo. Acredito que até hoje eles não entendam muito bem. Passei por muitos médicos, e durante minha peregrinação sempre me intrigava a atitude de total despreparo de alguns. Alguns diagnosticaram depressão, outros fibromialgia, e até um médico, após analisar meus exames, soltou a pérola de “frescurite”. Não vou negar que busquei ajuda nas mais diversas formas de religião, deuses, chás curativos, acupuntura, e meditação. Mas a dor era mais forte que tudo que eu pudesse buscar contra ela.

Até que alguém me indicou um médico em Juiz de Fora. Ele imediatamente identificou e iniciou o tratamento da AR. Foi um alívio! Após 3 meses de tratamento com meticorten e hidroxicloroquina eu recuperei os movimentos das mãos e pés. Durante muito tempo eu passei bem usando só 3/4 de 5mg de Meticorten. Só aumentava nas crises. E quem me olhava, não acreditava que eu tinha doença nenhuma. Mas depois de 10 anos, essa quantidade de Meticorten passou a não fazer mais efeito. Tivemos que aumentar para 1 comprimido de 5 mg, depois 1,5… Até que adicionamos o Tecnomet. Comecei com 6 comprimidos. 3 dias de desespero. Diminuímos para 5. Dois dias de desespero. Agora estamos em 4. Um dia de desespero. Mas a AR está quieta. Até ela tem medo desse remédio.

Engordei muito, sinto muita fome. Nesses 18 anos de luta, tive um momento de querer abandonar tudo. O ano passado comecei a sentir uma dor insuportável no abdômen. Tão forte que eu não levantava da cama para nada. Fiz 2 tomografias, 4 ressonâncias, 5 raio xs, 5 exames de sangue, urina e fezes, 3 ultrassons, 1 endoscopia, e não descobriram nada! Apenas uma gastrite, de tanto tomar remédio para dor. Fui internada 3 vezes em 2 meses. Tomava os remédios mais fortes na veia e a dor não passava. Após 1 ano ainda sinto essa dor. 24 horas. Vivo fingindo que ela não está me destruindo. Acredito que seja mais uma provação, e que ninguém recebe um fardo sem ser capaz de suportá-lo. O legal é saber que não estou sozinha, desde que encontrei vocês aqui.

Me chamo Berenice Capobiango, tenho 54 anos, convivo com a artrite reumatoide há 16 anos, moro em Volta Redonda – RJ.

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