Febre Chikungunya está causando doença reumática crônica no Brasil

Com 120 mortes e 236.287 casos confirmados, epidemia de Chikungunya continua levando centenas de pessoas ao diagnóstico de doença reumática crônica e a convivência diária com dores insuportáveis

Dentro de duas semanas, especialistas de vários Estados devem se encontrar em Brasília para tentar decifrar as razões que levam a infecção, provocada por um vírus transmitido pela picada do Aedes aegypti, a causar tantas mortes, a Sociedade Brasileira de Reumatologia, implementou a Comitê de Chikungunya, composto por 22 médicos reumatologistas, para estudar e realizar o 1º Consenso Brasileiro de Diagnóstico e Tratamento da Febre Chikungunya. Conversamos com a professora da Universidade Federal da Paraíba, Dra. Eutília Freire, que nos explicou o que é o vírus e a doença que está causando essa epidemia.

O Vírus da Febre Chikungunya tem gerado centenas de pacientes com doença reumática desde a primeira epidemia em 2015, apesar de pouco comentado pela imprensa, a Chikungunya não deixou de fazer vitimas, principalmente no Nordeste brasileiro. A chikungunya é uma epidemia, caracterizada por 2 fases, a fase pior acontece no verão, onde ocorre uma transmissão altíssima, no período que entre os meses de dezembro à março, de abril até outubro, tivemos uma diminuição do número de casos. No entanto, diante dos poucos esforços feitos para conter o crescimento do mosquito, com a chegada do verão, os casos de Febre Chikungunya, tende a aumentar novamente.

Os dados do boletim divulgado em setembro pelo Ministério da Saúde apontam que em 2015 registrou-se 38.332 casos confirmados, em 2016 até setembro 236.287 casos foram notificados e 115 mortes foram confirmadas causadas pelo vírus chikungunya, a maior parte destes casos no Nordeste do Brasil. Dados alarmantes de uma epidemia que não foi contida, pois 98% dos municípios brasileiros tem o mosquito transmissor e as pessoas infectadas são afastadas do trabalho por um período que varia de 15 dias a 3 meses, declarou Dr. Georges Christopoulos, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, demonstrando o impacto socioeconômico das pessoas infectadas.

Como ocorre a transmissão do Vírus da Chikungunya?

A Chikungunya é transmitida pelo mosquito da dengue, que ao picar uma pessoa infectada, ele se infecta e ao picar outra pessoa sadia, transmite o vírus para outra pessoa, esse é o ciclo do mosquito, explica, Dra. Eutilia Freire.

Como a Febre Chikungunya se manifesta?

Na fase aguda, os sintomas se manifestam de 2 a 12 dias depois da picada do mosquito, a pessoa contaminada pelo mosquito, apresenta febre alta, dores articulares,vermelhão pelo corpo, vermelhão nas pernas. Em torno de 40 a 50% das pessoas infectadas, tem os sintomas controlados na fase aguda, outros 50% evoluem para a fase crônica.

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Na fase crônica, a pessoa infectada tem dores articulares intensas e incapacitantes, as articulações ficam vermelhas e inchadas. Acontece também “neurites periféricas” ou seja, inflamação dos nervos das mãos e dos pés, acompanhados por dormência e formigamentos. O paciente se sente exaustos e sua dificuldade para realizar as atividades diárias e de autocuidados se tornam em alguns momentos impossíveis, nesse momento, muitos tem dificuldades até de segurar um copo de água.

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As pessoas infectadas que desenvolvem a fase crônica da “Febre Chikungunya”, recebem tratamento específico para artrite e para neurites. Aproximadamente 40% dos infectados em fase crônica, apresentam melhora entre 2 a 3 meses, no entanto 10% deles cronificam e continuam recebendo tratamento por mais 3 ou 4 meses, mas infelizmente, existem pessoas que após esse período se mantiveram como pacientes crônicos e estão recebendo tratamento de artrite há mais de 1 ano.

Quem teve Febre Chikungunya e após 3 meses manteve o quadro de artrite e inflamações das juntas das mãos, dos pés e dos ombros, deve procurar a assistência de um médico reumatologista, que é a especialidade médica que cuida dos pacientes pós Chikungunya.

Quanto tempo dura o tratamento da Febre Chikungunya?

Por se tratar de uma nova epidemia, a Sociedade Brasileira de Reumatologia, estuda a doença através do estudo “CHIKBRASIL”, iniciado em abril de 2016. Portanto, a literatura médica ainda não tem definido um “tempo para o tratamento”. O médico reumatologista acompanha o paciente, na medida que os sintomas e sinais da doença vão regredindo, a medicação vai sendo reduzida até ser retirada.

Um alerta

O agravante do tratamento da Febre Chikungunya é o abandono do tratamento médico, pois na medida que as dores vão diminuindo tem sido comum, o abandono do tratamento por parte do paciente, que deixa de tomar os medicamentos e não vai mais ao médico reumatologista. “Os medicamentos são retirados lentamente, um pouquinho a cada dia, por um mês, dois meses, até o médico ir sentindo como está clinicamente o paciente e como estão os exames laboratoriais”, alerta Dra. Eutilia Freire.

Como ter sucesso no tratamento da Febre Chikungunya?

O paciente deve manter vínculo com o médico, para que o gerenciamento da doença crônica causada pela Chikungunya aconteça da forma mais adequada possível. A retirada do medicamento deve ser orientada pelo médico, assim como a reintrodução dos medicamentos devem ser orientadas pelo reumatologista, o mais breve possível, caso os sintomas voltem a aparecer.

Como se proteger e ajudar na prevenção da Febre Chikungunya?

Geralmente perto da pessoas infectadas, outras pessoas podem ser contaminadas pelo mosquito, pois provavelmente aquele ambiente tem a presença do mosquito, alerta Dra. Eutilia. Se na sua região tem muitos casos de Chikungunya, preconiza-se atentar-se para a utilização de métodos de barreiras.

images-1Eliminando o foco do mosquito: precisamos nos cuidar, eliminando o focos que possam favorecer o desenvolvimento desse mosquito na nossa casa, no nosso trabalho. Removendo todo foco de agua parada e até mesmo o ajuntamento de agua limpa, que são ambientes de reprodução do mosquito. Prevenção é a melhor forma de se proteger e proteger ao próximo, todos devem eliminar o foco do mosquito.

repelenteMétodos de barreira: Para evitar ser picado, utilizando repelente, recomenda-se os repelentes que contenham a substância “Icaridina”, que tem efeito durante 10 horas. O repelente deve ser passado principalmente nas pernas e pés, pois o mosquito Aedes aegypti voa baixo e tem preferência por picar pernas e pês. É válido também utilizar roupas de manga cumprida (se possível).

Utilizando medidas de eliminação do foco do mosquito e métodos de barreiras, estamos ajudando a baixar a transmissibilidade, pois o mosquito é o transmissor principal, orienta, Dra. Eutilia.

Cuidados durante o tratamento

  • Consuma medicamentos contra dor, não tome medicamentos sem prescrição médica, caso você tenha algum problema renal ou hepático o uso de paracetamol ou acetaminofeno pode ser prejudicial ao fígado ou rins.
  • Evite o consumo de aspirinas ou qualquer outro AINE (antiinflamatórios não esteroides), como ibuprofeno e naproxeno. A chikungunya pode “imitar” as manifestações de outras doenças transmitidas pelo mosquito, como a dengue, que causa sangramento excessivo. A aspirina e os AINEs afinam o sangue, piorando a hemorragia. O médico deverá descartar a dengue antes de recomendar tais remédios para o tratamento de dor nas articulações.
  • É importante ingerir bastante água durante o dia, já que a febre pode causar desequilíbrio de eletrólitos e desidratação. Beba ao menos 2 litros de água ao dia.
  • Quando a dor nas articulações for insuportável ou não apresentar melhora após a recomendação do médico em tomar AINEs, ele poderá prescrever hidroxicloroquina fosfato de cloriquina por dia durante até quatro semanas.
  • Aplique uma compressa fria para diminuir a dor e a inflamação.
  • No período agudo, faça repouso, porém no período crônico realize atividade física para manter a mobilidade articular, lembre-se atividade física ou fisioterápica sem impacto articular, isso te ajudará a manter a mobilidade de suas articulações.

A Sociedade Brasileira de Reumatologia através do Comitê de Chikungunya, entregará o 1º Consenso Brasileiro de Diagnóstico e Tratamento da Febre Chikungunya”, para o Ministério da Saúde, com o objetivo de orientar o diagnóstico e tratamento da Chikungunya nas Unidades Básicas de Saúde, permitindo o adequado tratamento desde os primeiros sintoma, facilitando dessa forma o atendimento ao paciente nas proximidades de sua residência, finaliza Dra. Eutilia Freire.

 

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