Vacina contra febre amarela tem alto risco de causar mortes? Falso

Informações compartilhadas no Facebook e Whatsapp dizem que a vacina da febre amarela pode causar morte em vários casos. Aliado a isso, dúvidas sobre efeitos colaterais e quem deve ser vacinado também têm aparecido após relatos de casos de febre amarela no estado do Rio. Nós checamos:

A vacina da febre amarela tem alto risco de causar morte. É isso mesmo?

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Assim como qualquer outro vacina, ela tem riscos de causar problemas, mas essa taxa é muito baixa. Ao contrário do que diz um áudio que vem sendo amplamente compartilhado no Whatsapp, sustentando que metade das pessoas que tomam vacina contra a febre amarela morre por efeitos colaterais, houve apenas 7,6 casos, (de reações adversas pela injeção à falência múltipla de órgãos) a cada milhão de doses aplicadas. Esses números são do Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação, do Ministério da Saúde, coletados entre 2001 e 2003.

Já o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) Ricardo Lourenço afirma que nos grupos de pessoas que não estão indicadas para receberem a vacina, há três casos de complicações para um milhão de doses aplicadas, ou 0,3 em 100 mil.

— A vacina é fabricada com o vírus vivo inativado da doença. Qualquer remédio, qualquer substância que o médico receita, ele pesa os riscos e os benefícios Esses grupos para os quais a vacina está indicada são grupos em que a vacina é segura. Para esses, há menos riscos de ter problemas — destaca o médico Luís Fernando Correia.

Há restrições para tomar a vacina da febre amarela?

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A vacina é apenas para os grupos indicados: crianças maiores de 9 meses e adultos com até 60 anos. Neste momento, na cidade do Rio, gestantes e mulheres que estão amamentando bebês de até seis meses não vão se vacinar (para mães que amamentam crianças com mais de seis meses, está liberada a vacinação). Portadores de HIV e outras doenças que baixam a imunidade, que estão em tratamento para câncer, usando quimioterápicos, portadores de doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide, pacientes que usam corticoides em doses altas também não devem receber a dose. Pessoas com alergia a ovo e gelatina também não devem receber a vacina.

Depende também de onde a pessoa mora. Como não há registro de circulação do vírus da febre amarela nem em macacos nem em humanos na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a vacinação ainda não é indicada para todos os habitantes dessa área, explica o médico Luís Fernando Correia.

Já nos casos de pessoas que estão em regiões em que o vírus está circulando, como em Casimiro de Abreu, a regra muda. Nesses locais, é preciso proteger mais as pessoas e quem não seria vacinado aqui poderá ser lá, porque o risco de ter um problema com a vacina é menor do que ela ter a doença.

— Essa vacina tem uma capacidade muito grande de gerar defesa, mas, nessas pessoas que não têm defesa, ela pode gerar um problema. Por isso, existe essa restrição. Para as pessoas serem vacinadas com segurança — diz Luís Fernando Correia.

A vacina da febre amarela causa efeitos colaterais?

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É raro e os efeitos colaterais são poucos. Cerca de 5% das pessoas podem desenvolver, entre cinco e 10 dias depois da vacinação, sintomas como febre, dor de cabeça e dor muscular, e não é frequente a ocorrência de reações no local de aplicação, segundo o Centro de Vacinação de Adultos da UFRJ. Uma reação alérgica grave após aplicação da vacina, por exemplo, ocorre em aproximadamente em 1 a cada 130 mil doses, enquanto uma reação no sistema nervoso central, chamada de encefalite, ocorre em 1 a cada 150 mil e 250 mil doses, em média.

Quem tomou a vacina pode doar sangue no mesmo dia?

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Quem tomou a vacina de febre amarela tem que esperar até quatro semanas para poder doar sangue, segundo o Hemorio e a Fundação Pró-sangue, de São Paulo. É possível, entretanto, doar sangue primeiro e, logo depois, no mesmo dia, tomar a vacina. Tanto é que o Hemorio está oferecendo 500 vacinas por dia para doadores de sangue, em campanha com intuito de aumentar o banco de sangue do instituto.

Por Flávia Junqueira e Luís Guilherme Juliã
Fonte: O Globo

Jornalista

Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.

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Jornalista Grupar EncontrAR

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