Tratamento alvo da artrite reumatoide, entrevista com Dra. Adriana Kakehasi

Médicos reumatologistas de todo o mundo, principalmente do Brasil, vem utilizando o “tratamento alvo da artrite reumatoide” para estabelecer uma meta e objetivo no tratamento da artrite e outras doenças reumáticas em seus pacientes, isso traz expectativas positivas para os pacientes com doenças reumáticas brasileiros. No I Encontro de Pacientes com Doenças Reumáticas da Sociedade Brasileira de Reumatologia, que aconteceu durante o XXXIII Congresso Brasileiro de Reumatologia, a médica reumatologista da Universidade Federal de Minas Gerais, Dra. Adriana Kakehasi nos explicou sobre a importância do tratamento alvo na artrite reumatoide, confira entrevista abaixo:

BlogAR: O que é o tratamento alvo da artrite reumatoide?
Dra. Adriana Kakehasi: O tratamento alvo que chamamos de “Treat to Target” – tratar para atingir um alvo, é um tratamento onde, tanto os medicamentos quanto as outras atividades em direção ao controle da doença, levam a baixa atividade ou remissão. O que é isso? é uma baixa atividade ou supressão do processo inflamatório da doença.

BlogAR: Como o paciente pode avaliar se o tratamento está fazendo efeito?
Dra. Adriana Kakehasi: Os medicamentos mais utilizados de longo prazo na artrite reumatoide, eles não fazem efeito imediato, a maioria dos medicamentos precisam de um tempo para agir, em torno de três meses é possível saber se o medicamento está fazendo algum efeito, isso já é indício que ao final de seis meses, ele deve estar fazendo o efeito desejado. Então, com três meses se aquele medicamento não fez efeito nenhum para o paciente, ele deve conversar com o médico para avaliar uma troca para outra medicação. Se houve uma melhora é possível esperar seis meses para o efeito completo da medicação.

BlogAR: Meu medicamento não está fazendo efeito, como conversar com meu médico, sem causar atrito na relação médico x paciente?
Dra. Adriana Kakehasi: A primeira coisa, não deve existir este atrito! Os médicos eles devem entender que os pacientes têm expectativas e o paciente entender quais eram os pensamentos do médico em relação ao tratamento, então isso já começa em uma conversa antes de iniciar o tratamento.
O que é que eu espero do tratamento como médico e o que você paciente espera do tratamento como paciente? A partir disso vai ser possível dizer se a sua expectativa que não foi atendida, se você deve esperar um pouco ou se aquilo realmente é um sinal de que o medicamento não está fazendo efeito.
Se o paciente não teve um controle de dor, se o paciente não notou melhora por exemplo na artrite reumatoide na rigidez matinal, se o paciente ainda está sentindo muita fadiga, todos esses aspectos devem ser relatados para o médico e isso deve ser levado em conta na avaliação de resposta ou não ao tratamento.

BlogAR: O que é decisão compartilhada?
Dra. Adriana Kakehasi: A decisão compartilhada é quando tanto o paciente e o medico tem responsabilidades sobre as decisões e os resultados do tratamento. Então, eles discutem qual é a situação da doença e qual é o plano terapêutico, tanto em relação a medicamentos e atividades não medicamentosas, os dois tem que decidir em conjunto. Assumindo responsabilidade e tendo também posição de decidir o sim ou não em relação a qualquer aspecto do tratamento.

BlogAR: O paciente pode participar das tomadas de decisões médicas?
Dra. Adriana Kakehasi: Ele não só pode como ele deve, o paciente é dono do seu corpo, ninguém pode fazer com ele o que ele não quer, mas existem situações em que mesmo havendo algumas possibilidades de efeito colateral ou alguma espera em relação ao resultado, o paciente ele tem que participar entendendo e conversando com o médico e todas as decisões devem ser em conjunto.

BlogAR: O que é remissão, como atingir a remissão?
Dra. Adriana Kakehasi: O que a gente chama de remissão é o controle total da doença e não pode haver um processo inflamatório significativo, isso significa que nem do ponto de vista dos sintomas e nem dos exames laboratoriais, pode haver atividades inflamatória excessiva. Muito importante essa pergunta, não basta atingir a remissão, ou seja, controlar pontualmente a doença e depois perde-la é necessário que ela seja mantida durante todo o tratamento de todo o paciente.
Agradecimentos: Dra. Adriana Kakehasi e a Assessoria de Imprensa da Sociedade Brasileira de Reumatoide pela oportunidade de realizar essa entrevista dentro do XXXIII Congresso Brasileiro de Reumatologia, que aconteceu em agosto na cidade de Brasília. 

 

Jornalista
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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Jornalista Grupar EncontrAR
Jornalista, motivada pelo diagnóstico de artrite reumatoide aos 26 anos, “Patient Advocacy”, Arthritis Consumer, presidente do Grupo EncontrAR, vice-presidente do Grupar-RP, idealizadora dos Blogueiros da Saúde, eterna mobilizadora social em prol da qualidade de vida das pessoas com doenças crônicas no Brasil.
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